Mário Gomes Jr. (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 8:
"QUANDO
A VITÓRIA PERTENCE AOS FRACOS
Relatando o fato histórico
da resistência russa à invasão do nazismo na cidade de Stalingrado
durante a Segunda-Guerra Mundial, "Círculo de Fogo" é
um exemplo real de que o poder do mais forte pode ser combatido pelo mais fraco,
desde que haja determinação, perseverança, disposição
e principalmente coragem para tanto.
Uma produção épico-bélica
euro-americana fruto do cineasta francês Jean-Jacques Annaud (1943), "Círculo
de Fogo" (2001) mostra a heróica façanha do atirador russo
Vassili Zaitsev, durante a Segunda Grande Guerra, como um dos principais responsáveis
pela derrota da "grande mancha alemã", que se alastrava pelo
mundo, quando da tentativa de domínio desta em Stalingrado, ícone
soviético.
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Constituído de um brilhante elenco, encabeçado pelo ator inglês
Jude Law (1972), que interpreta impecavelmente o exímio atirador russo
Vassili Zaitsev, deixando transparecer toda a vulnerabilidade do personagem,
entre o medo, a insegurança, o amor e a coragem. Através de Vassili,
percebemos claramente o drástico amadurecimento do espírito humano
em conseqüência da sua experiência na guerra, sendo a sua ingenuidade
e a sua bondade constantemente insultadas pela frieza e pelo ódio reinantes
naquele momento. Vassili não foi só um herói por sua atitude
de resistência ao nazismo, mas principalmente por conseguir sobreviver
à guerra sem perder o seu caráter e a sua dignidade, também
preservadas em função do amor que ele consegue encontrar em meio
aos destroços e ruínas da imensa tragédia.
Joseph Fiennes (1970) tem grande
atuação como o manipulador oportunista comandante russo Danilov,
assim como o ator Bob Hoskins (1942), que interpreta o neurótico líder
soviético Nikita Krushchev, em perfeita personificação.
Rachel Weisz (1971) protagoniza com equilíbrio a personagem principal
Tania Chernova, expressando simultaneamente toda a sua força e sensibilidade.
Já a presença do excelente ator norte-americano Ed Harris (1950)
como o atirador vilão Major Koeing, deixa um pouco a desejar, não
por causa da sua atuação em si, mas por sua aparência (principalmente
a sua baixa estatura), que está muito distante da de um oficial alemão,
contrastando ainda mais em meio a um elenco europeu, predominantemente inglês;
ou talvez pelo fato de Harris interpretar na "telona" freqüentemente
típicos heróis americanos, tornando-se estereotipado nesses tipos
de personagens.
Provido de uma impressionante fotografia,
aliado à cenários realisticamente elaborados, "Círculo
de Fogo" consegue transmitir toda dor e crueldade que imperaram na época.
Destacando-se a cena em que os assustados, enfraquecidos e quase desarmados
soldados soviéticos são obrigados a enfrentar cara à cara
o exército alemão, de peito aberto e sem possibilidade de recuo,
caso contrário seriam mortos pelos próprios compatriotas "camaradas".
Esta cena nos passa uma forte sensação de desespero e angústia,
fazendo-nos sentir um pequeno gosto do que é estar em uma guerra, onde
a fator humano está em último plano. Outra passagem relevante
do filme, é a intensa cena de amor entre os dois personagens principais,
Vassili e Tania, ao terem relações sexuais em meio aos esgotados
soldados soviéticos, expressando o intenso poder da libido humana.
Como o "círculo"
do título do filme pode-se entender ao cerco do gigante nazismo sobre
a pequena Stalingrado, ou também a mira das armas de fogo utilizadas
nos constantes duelos entre os dois atiradores, o vilão alemão
e o herói russo. Entretanto, muito além de uma batalha e independentemente
de relatos históricos e políticos, a principal mensagem a ser
resgatada no filme é a da possibilidade de vitória do aparentemente
mais fraco sobre o indiscutivelmente mais forte."