Henrique Miura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 6:

"É facílimo saber o porquê este "Dr. Jivago" permanece vivo até hoje e ainda o porquê ele conseguiu tantos Oscars (e indicações). A resposta para tudo isto é: David Lean. Não que eu goste dele, mas ele sempre foi (e será) aclamado pela crítica, o que leva todos seus filmes para o sucesso e praticamente para a imortalidade, além de sempre serem indicados ao Oscar. O mesmo vale para o "Lawrence da Arábia", outro bom filme que conseguiu um sucesso questionável graças ao nome do diretor. "Dr. Jivago" é um bom filme sem dúvida, mas não é um filme memorável nem merece permanecer lado a lado com clássicos como "... E o vento levou" ou "Assim Caminha a Humanidade".

Mas, assim como a maioria dos filmes do Lean, existe uma qualidade neste filme que é inquestionável: sua produção! Tudo é tão grandioso é belo, a fotografia de Freddie Young é extraordinária e é ajudada pela detalhista direção de arte, que também consegue uma união perfeita com o figurino. E ainda temos como grande destaque a soberba trilha sonora comandada por Maurice Jarre. Visualmente, foi mais um trabalho lindo de Lean, mas na parte de história o filme deixa a desejar.

O filme conta em flashback a história de Yuri Zhivago (Omar Sharif), um então garotinho que perdeu a mãe ainda quando criança e se mudou para Moscou. Em Moscou já adulto, ele se forma como médico e ainda se mostra um grande poeta. Enquanto isso, acompanhamos também o rumo da vida de Lara (Julie Christie), a mulher que Yuri se apaixona. Ela tem uma vida bem traumática, logo aos 17 anos Victor Komarovsky (Rod Steiger), um político arrogante, tenta forçar um caso com a garota. Neste mesmo período, ela é comprometida com um idealista chamado Pasha Strelnikoff (Tom Courtenay), que entra mais tarde na história novamente.

Quando ocorre um incidente envolvendo a garotaé quando Yuri e Lara se encontram pela primeira vez, mas até aí nada aconteceu. O tempo passou e Yuri se casou com Tonya (Geraldine Chaplin). Quando acontece uma guerra, Yuri vai para trabalhar como médico e Lara como enfermeira. O destino juntou os dois. Porém, nem tudo fica fácil, na volta para casa Yuri se depara com uma realidade diferente e então começa uma jornada que parece não ter limites. Toda está história é contada em flashback pelo "praticamente" irmão de Yuri, Yevgraf, que está um busca de sua sobrinha, filha de Yuri junto com Lara.

O filme tem suas qualidades no texto, mas não consegue passar com firmeza a história proposta. O romance entre Yuri e Lara demora muito para começar e termina na hora errada, o que praticamente anula qualquer chance de envolvimento com o espectador. Já a trama política do filme é mais interessante, abrindo com maiores espaços uma discussão construtiva. Mas infelizmente David "mão pesada" Lean conduz o filme com muita pretensão e o romance acaba sendo artificial e sem muita empatia, chegando ao ponto de torcemos contra o protagonista e sua amada. Além de o tempo de duração do filme não ser parceiro do conteúdo do filme, que se baseia em uma história comum que podia facilmente ser contada em 2 horas, e não nas longas 3:20. O filme não chega a ser cansativo, porém seu ritmo monótono chega a ser bastante enjoativo.

"Dr. Jivago" é um filme vencedor de 5 Oscars, além de ter recebido outras 5 indicações (os vencedores são na maioria técnicos). O elenco do filme não teve grande reconhecimento, mas é muito eficiente. O protagonista Omar Sharif atua muito bem, assim como Geraldine Chaplin. Já Julie Christie não consegue dar o carisma necessário para a personagem e acaba passando seca. "Dr. Jivago" é um filme bem tratado visualmente, mas que pecou por sua história ser muito rasa, mesmo com as três horas de duração. Se você procura um grande épico sobre a vida e paixões prefira os já citados "...E o vento levou" ou o "Assim Caminha a Humanidade". Garanto que a experiência será mais emocionante e interessante. Simplificando: Jivago é um bom filme, mas não vale 3 horas!"