Nano Souza (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 7:

"Depois do bem-sucedido "Procura-se Amy", "Dogma" foi uma decepção para certa parte dos fãs de Kevin Smith, embora tenha lhe trazido novos admiradores, além de solificar sua carreira junto ao seu público BORDER="0" SCROLLING="no" FRAMEBORDER="0"> em formação.

Isto porque desta vez foi beber diretamente das histórias em quadrinhos, não as utilizando nem como pano de fundo ("Procura-se Amy"), nem citação ("Barrados no Shopping") e sim como inspiração, criando um roteiro lúdico, imaginativo e direto. As "bizarrices" próprias de HQ não agradaram muita gente, mas atraiu um novo público - aquele que gosta de "ação". Perdeu-se a comédia, mas o bom humor continua.

Não houve nenhuma sátira ou crítica a Igreja, como tanta gente diz. Smith apenas usou a mitologia cristã como pano de fundo, mas em nenhum momento colocou em dúvida a estrutura da Igreja ou a fé em si. Pelo contrário, a reafirmou, da forma mais carola possível: Deus é infalível, ele está certo, mesmo quando é severo demais para com dois anjos que só levaram a sério demais suas ordens. Pessoalmente achei o final injusto, afinal desde o começo nos simpatizamos com os personagens de Damon e Afleck, mas uma história em quadrinhos precisa de vilões e na falta deles sobrou para os dois anjos.

Por essa suposta "crítica" religiosa presente no enredo se esperou muito do filme daquilo que ele não tinha. Principalmente no Brasil, onde uma crítica especializada em cinema mas atenta aos protestos de fanáticos cretinos que não viram o filme e nem a cinegrafia de Smith, detonou a produção por esperar mais acidez do que o mostrado. Smith nunca quis fazer um panfleto contra o catolicismo ou a religião, apenas uma boa diversão sobre uma mitologia que muita gente crê nos dias de hoje, mas não deixa de ser mitologia.

Mas mesmo como diversão, acho que o filme não funciona de todo. Smith se perde na fórmula que criou nos filmes anteriores - a de aprofundar temas através do entretenimento - e o filme acaba por ser sério demais para quem só queria diversão e leviano demais para quem procurava profundidade.

Um detalhe: a dupla Jay e Silent Bob deixa de ser mera figurante para tomar parte ativa nos enredos de Kevin Smith. Issó já era prenuncio para seu próximo filme, "Jay & Silent Bob Strike Again", onde uma suposta "pentalogia" irá se concluir. Smith promete que os personagens de todos os seus filmes irão aparecer, desde "O Balconista" até "Dogma". Se isso é apenas um capricho ou a conclusão de um questão premente de seus roteiros (qual eu ainda não sei qual é) só o filme poderá dizer."