Filipe Furtado (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 5:
"Eu adoro Kevin Smith, acho Jay e Silent Bob dois
dos melhores personagens cômicos surgido nos anos 90, os diálogos do cara são hilários
e fanáticos por cultura pop como eu se fartam com as citações presentes em seus filmes.
Por fim, eu adorei "Dogma", o roteiro. Então porque diabo "Dogma", o
filme, parece-me tão decepcionante?
Jay e Silent Bob estão de fato hilários, muitos dos diálogos são
uma delícia e as citações pop estão lá, mas alguma coisa parece estar faltando. O
primeiro grande culpado é o próprio Smith, que como diretor não fez a mínima justiça
a seu próprio roteiro.
Explica-se: Smith é um diretor de atores muito bom e tem imensa
habilidade em controlar a verborragia de seus roteiros, sem com isso tornar seus filmes
chatos ou cansativos. Porém, ele nunca foi um bom "diretor de ação" (basta
lembrar da camera de "O balconista", que era ainda mais desleixada que os dois
errado
protagonistas) e boa parte de "Dogma" é movimentado. Algumas cenas, como a
aparição do "monstro de merda" e o "confronto final", são
literalmente constrangedoras. Além disso, Smith permitiu que seu filme fosse decapitado
pelos produtores (a primeira versão tinha 3h15!). Além de alguns dos momentos mais
engraçados do roteiro terem caído na sala de edição, parte considerável do conjunto
caiu junto.
É claro, não podemos tirar o mérito do diretor. Além de ter
escrito um roteiro brilhante (repleto de boas idéias e alguns diálogos maravilhosos),
ele operou alguns milagres com os atores (quem diria que Chris Rock podia soar engraçado
sem ser irritante?). Mewes e Smith estão ótimos como Jay e Silent Bob (apesar disso já
ser previsível), Jason Lee está hilário como Azrael, o mesmo pode-se dizer de Matt
Damon como Loki. Já Ben Affleck está bem até a hora próximo ao final, quando seu
personagem passa por uma transformação mal-sustentada (o único defeito do roteiro). Mas
a melhor atuação do filme fica com Alan Rickman, que está perfeito como Metraton, a voz
de Deus. Infelizmente Linda Fiorentino está péssima, e como sua personagem é a que tem
maior tempo em cena, acaba por prejudicar os esforços do resto do elenco.
Essas boas coisas acabam sendo pouco para segurar o filme. "Dogma"
é de longe o mais fraco trabalho de Smith até agora. Um amontoado de cenas pedindo por
um senso de direção, que vão do brilhante ao constrangedor, de um corte para o outro
(com a balança final pesando para o lado negativo). Apesar de eu ter certeza absoluta que
existe um grande filme a ser feito a partir do roteiro do Smith, "Dogma" é só
um desperdício de oportunidades e talentos."