Janaína Moura (e-mail), Leitora do Adoro Cinema - Nota 9:

"Não é novidade para ninguém que a escritora inglesa Helen Fielding errado adora escrever sobre temas polêmicos, e sobretudo pertencentes ao universo feminino. Nesse sentido, nada mais próprio deste universo do que a escrita de um diário. Uma prática que surge muito antes dos 32 anos da personagem Bridget Jones retratada no filme de mesmo nome. O diário enquanto gênero literário pode ser classificado como uma auto-biografia, mas que na prática acaba por funcionar como uma espécie de "válvula de escape" ou até mesmo um baú repleto de tesouros, e aí leia-se, local onde guardamos/depositamos os nossos maiores segredos, temores, inseguranças. Um verdadeiro confessionário, com a enorme vantagem de estarmos todas livres das penitências advindas de nossos pecados.

Mas falemos do filme em si, deixando a literatura para o meu horário de trabalho... Não consigo me recordar de um filme que tenha retratado tão perfeitamente as confusões, chateações e vexames pelas quais estão sujeitas todas aquelas mulheres que se encontram solteiras... E nem é necessário que se tenha 32 anos para se estar envolvido nessas insólitas situações... É incrível como a sociedade ainda se preocupa com questões desse tipo,
fazendo delas motivo de piadas e até mesmo de conversas sérias do tipo: "mas o tempo está passando e você parece não se importar com o fato de que pode ficar sozinha, não casar...". E assim, como não poderia deixar de ser, passamos a nos preocupar com o peso, com as rugas, cabelos. Prometendo a cada nova passagem de ano que deixaremos de fazer isso ou aquilo em prol do abandono dessa condição pessoal tão caçoada que é a de solteiro.


Não obstante ao fato de aqui estarmos discutindo um filme, e por excelência uma ficção, Bridget me pareceu tão humana, tão próxima, como se fosse na verdade, uma daquelas amigas de faculdade, a quem contamos simplesmente tudo. E que mesmo depois de formadas, ainda continuam saindo juntas e discutindo as mesmas questões. O "cenário" de amigos é tão real que não falta nem mesmo o amigo homossexual para dar palpites em meio as outras vozes femininas nos chamados momentos cruciais.

Providência do destino ou não, a minha melhor amiga assistiu comigo a esse filme... Nem havíamos combinado nada... Simplesmente nos encontramos... Ela sentou-se ao meu lado, e à medida que as cenas iam se desenrolando aos nossos olhos, vinham em nossas mentes lembranças de situações vividas em nossos anos de amizade... E ríamos alto em meio a uma platéia que nos via como inconvenientes ou mesmo indiscretas. Não importa... Descobrimos ao fim da exibição do filme que por mais que os anos passem, nossas carreiras se desenvolvam com novos empregos, melhores salários, ainda estaremos à procura de um alguém idealizado ao
estilo do mais perfeito herói retratado nos romances. Isto parece ainda ser mais enfatizado no caso das pessoas que escolhem a carreira das Letras como meio de ganhar a vida (caso pessoal e de minha amiga). Se conseguiremos ou não encontrar esse "herói" só o tempo poderá responder... E enquanto isso continuaremos a ouvir e sobretudo adorar músicas como "All by myself" e "Ain't no mountain high enough", na esperança de que por mais impossível que esse herói exista, ele deve estar perdido em algum lugar ou até mesmo ao nosso lado... Até que esse dia chegue, - claro, porque se Bridget parece-nos tão real e o seu "príncipe" apareceu, a nós não cabe destino diferente - continuaremos encarando a vida com bom humor, cometendo os maiores vexames, sendo brilhantes em outras situações, afogando as mágoas em memoráveis porres de vinho ou overdoses de chocolates. Mas nunca, em hipótese nenhuma deixaremos de fazer algo para que todo e qualquer
desejo/sonho nosso se torne uma feliz e eterna realidade. Ou pelo menos como disse Vinícius de Moraes em seu "Soneto de Fidelidade", se o amor é posto como uma chama, que seja eterno enquanto dure.
"