sinopse:
Manuel (Geraldo Del Rey) é um vaqueiro que se revolta contra a exploração imposta pelo coronel Moraes (Mílton Roda) e acaba matando-o numa briga. Ele passa a ser perseguido por jagunços, o que faz com que fuja com sua esposa Rosa (Yoná Magalhães). O casal se junta aos seguidores do beato Sebastião (Lídio Silva), que promete o fim do sofrimento através do retorno a um catolicismo místico e ritual. Porém ao presenciar a morte de uma criança Rosa mata o beato. Simultaneamente Antônio das Mortes (Maurício do Valle), um matador de aluguel a serviço da Igreja Católica e dos latifundiários da região, extermina os seguidores do beato.
Rafael Vespasiano
Deus e o diabo na terra do sol:
Aqui Glauber Rocha mostra todas as situações típicas do sertão nordestino, numa abordagem meio que mítica/lendária; um camponês ingênuo e humilde, junto com a esposa, acaba matando um poderoso fazendeiro do sertão, que era dono das terras nas quais viviam, para não serem mortos, eles fogem e se juntam a seguidores de místico visionário, uma coisa típica do sertão nordestino, as seitas messiânicas, é mostrado e abordado por Glauber nessa passagem do filme, depois o casal de camponeses se juntam a um grupo de cangaceiros, também característica típica do sertão nordestino, liderados por Corisco; por está do lado de um grupo de cangaceiros, o casal de camponeses tem que tomar cuidado com o matador de cangaceiros, Antônio das Mortes; Glauber mostra muito bem como os cangaceiros agiam, faziam justiça com as próprias mãos, na medida que combatiam e matavam os poderosos latinfundiários, políticos e pessoas influentes do sertão nrodestino; temos uma cena antológico nesse filme que é a seguinte: ao final do filme, o casal de camponeses empreende uma corrida desesperada para chegar ao mar/praia próximo de onde estão, para fugir da seca e das condições miseráveis de pobreza e de sobrevivência, a que estavam submetidos no sertão, o filme termina com a renovação da esperança num futuro melhor; a frase dita por Othon Bastos, antes de morrer, é lapidar: "mas fortes serão as vontades do povo!", frase que serve para fazer referência e crítica à falta de liberdade, daqueles idos no Brasil, que vivia a Ditadura Militar; "Deus e o Diabo na Terra do Sol" significa a representação do Bem e do Mal coexistindo no sertão nordestino; com apenas 24 anos de idade, Glauber Rocha, impressionava e encantava o mundo com esse belíssimo filme, que ganhou, inclusive, Cannes, depois ele ganharia mais duas vezes prêmios em cannes, com "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro" e com o curta-documentário, proibido de ser exibido até hoje no Brasil, "Di Calvacanti"; e para sempre vamos viver e ouvir falar e se possível ver os filmes desse genial cineasta que foi/é Glauber Rocha, que em todos os seus filmes, os diálogos eram recheados do seu ideário revolucionário e de poesia; no filme, ainda temos atuações inesqüecíveis de Geraldo Del Rey, Yoná Magalhães, Othon Bastos e Maurício do Valle; um filme belíssimo e que se tornou clássico não só do cinema brasileiro, mas do cinema mundial! Nota: 10.
felipe
não há nada a acrescentar ao que o Rafael disse, a não ser isso: obra-prima.