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Léo Sauaia (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:

"Aos amantes do cinema (e mais, aqueles que prezam a emoção despertada pela sétima arte) vai minha recomendação de entretenimento. Eu sei que muitos devem ter um pé atrás em relação aos filmes europeus queridinhos da crítica. Mas seria uma tremenda injustiça incluir "Dancer In The Dark" neste rol de entojos que nos empurram os tablóides ditos especializados. É o que se pode chamar de tocante e envolvente. Sim, isso é um filme denso, repleto de emoções, que consegue ser triste sem ser desgraçado, ou terno sem atingir a pieguice.

Poderia apontar algumas características desta obra de arte como argumento, mas prefiro destacá-las como amostras de genialidade. Há toda uma ambientação logo ao seu início, como que preparando o espectador para as horas que transcorrerão na sala de cinema, despindo-o por completo de qualquer turbulência que este tenha trazido consigo àquele ambiente, que dali em diante torna-se sagrado. A direção é primorosa no que se refere ao jogo com a qualidade de imagem, velocidade de movimentação das câmeras e enquadramento. Interpretações fabulosas de todos os atores, como pessoas comuns, sem estereótipos que subestimem a capacidade do público de relacioná-los à história. A inclusão das canções é sutil, de modo a intensificar dentro de cada espectador todo o peso contido nas cenas e no desenlace do enredo. Canções estas, o que não errado poderia deixar de citar, de uma beleza incomparável a qualquer melodia já expressa ou pensada, com arranjos surreais, em perfeita harmonia com as imagens e o sentimento despertado pela história até sua performance. Há quem diga que os musicais se tornaram extensos vídeo-clipes (o que não acontece nesta produção); quem dera alguns, apenas alguns vídeos tivessem a despretensão propagandística, sem corromper a música, que se pode observar no trabalho de Lars Von Trier.

Björk (excelente cantora e compositora, vencedora da Palma de Ouro em Cannes de melhor atriz por sua atuação em "Dancer In The Dark") declarou há pouco que esta foi sua última performance na grande tela. Após assistirem ao filme, creio que pensarão como eu: ela não precisa provar mais nada..."