Henrique Miura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 1:

"Depois de dois anos vivendo no limbo finalmente chega aos cinemas da Europa e América do Sul, ficando de fora (por enquanto) do cinema americano o novo filme de Sylvester Stallone. Quer saber, bem que a Universal podia manter sua idéia de lançar o filme direto em video, ou melhor ainda, nem lançar o filme (realmente passou pela cabeça dos executivos do estúdio a idéia de esquecer que o filme foi rodado). Com um orçamento de 55 milhões de dólares e uma exibição-teste fracassada, "D-Tox" chegou aos cinemas já rotulado como fracasso. Fracasso de público eu não sei se será, agora de qualidade foi!

Depois de dois mega-fracassos consecutivos, Sylvester Stallone parece definitivamente perder o público que conquistou. Aliás, nem sei como ele conseguiu conquistar algum público fazendo filmes como "Risco Total" e outras pérolas como "Falcão". Atualmente seus filmes só andam um pouco pior do que já foram. Esse "D-Tox" é apenas a prova definitiva de que ele já não consegue levar um bom público ao cinema e que seu duvidoso prestigio já está desgastado. Chegou a hora de se aposentar. Ele tentou com "O Implacável" e "Alta Velocidade" mas não deu. Aposenta, Stallone, já passou da hora.

Stallone já não anda muito bem e ainda escolhem Jim Gillespie para dirigir esse filme? Para quem não sabe, ele foi o primeiro a fazer uma cópia de "Pânico", ele é o diretor de "Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado". Aqui seu trabalho só não é pior pois a culpa do filme ser ridículo cai toda em cima do roteiro idiota. Baseado no livro de Howard Swindle, Ron L. Binkerhoff escreveu um roteiro imbecil e lotado de clichês desgastados. Claro, a culpa cai também um pouco em cima do diretor, que conseguiu transformar essas pobres situações que o roteiro criou em até mesmo piegas.

Depois de ser um irmão vingativo e piloto de corridas, Stallone agora é Jake, um agente do FBI que investiga brutais assassinatos de um serial killer, que está aterrorizando a policia local, que vai sendo eliminada. Certo dia, o assassino mata um policial local que era amigo de Jake e logo em seguida mata a querida amada dele. Logo Jake entra em depressão, vira um alcóolatra e nem liga mais para o caso. Mas um amigo seu não quer vê-lo assim e o manda para uma clínica especializada em curar distúrbios de policiais.

É então que o filme começa. Começam a acontecer assassinatos que aparentam ser suicídios, só que um vai acontecendo atrás do outro, então se deduz que sejam assassinatos. Jake logo descobre que se trata do mesmo serial killer que o atormentou há três meses atrás. Começa então um jogo de adivinhas e deduções, onde tem de descobrir qual deles é o traidor e não é policial.

Não há como negar que a trama parece bem interessante, mas não passa disso. O filme vai se atolando de clichês, se torna irritantemente previsível e didático. O filme toma uma postura extremamente calculada e sonolenta. Existem uma ou duas cenas de ação no filme que são pra lá de mal feitas e construídas. O elenco é bem podre. Sylvester Stallone se perde completamente e sua expressão de raiva é a mesma de felicidade, que é a mesma de tristeza e assim por muitos adiantes. O resto não passa de personagens criados para morrer e ser nada. Se for tirar todos os personagens inúteis do filme, ele fica apenas com o protagonista e outros dois ou três personagens.

"D-Tox" é uma fitinha policial "B" disfarçado de suspense psicológico. A trama nunca decola e o filme fica manjado. Agora, fica difícil saber aonde gastaram 55 milhões neste filminho de quinta categoria. "D-Tox" por mais incrível que possa parecer, consegue ser pior do que os outros dois filmes do Stallone, que não lança um ótimo filme desde... desde... Ele nunca lançou um filme ótimo! A não ser que sua voz em "FormiguinhaZ" conte."