Crime Delicado

Crime Delicado 2010-05-22 Francisco

Título original: (Crime Delicado)

Lançamento: 2005 (Brasil)

Direção: Beto Brant

Atores: Marco Ricca, Lilian Taublib, Felipe Ehrenberg, Maria Manoela.

Duração: 87 min

Gênero: Drama

Status: Arquivado

5           10 11 5

(11 votos)

                   

Sinopse

Antônio (Marco Ricca) é um crítico teatral respeitado, que conduz sua carreira com dedicação e seriedade, buscando colocar em seus textos toda sua bagagem na área e também sua personalidade comandada pela razão. Em um encontro por acaso num bar ele conhece Inês (Lilian Taublib), uma mulher desinibida e atraente que não se encaixa no modelo racional que Antônio prega para si. Inês tem um relacionamento com José Torres Campana (Felipe Ehrenberg), um pintor mais velho que a usa como musa de seus quadros. Mas o fascínio que Inês sente por Campana faz com que Antônio sinta cada vez mais ciúmes do relacionamento existente entre eles.

 

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Elenco

Marco Ricca

(Antônio)

Comentários

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Paulo Soares Nora em 02/01/2005Nota: 5     

Achei o filme maravilhoso. O beto mais uma vez deu show na direção desta obra, sem contar que o os atores Marco Ricca e Lilian Taublib se superaram. Forte tema, com atuação impecável e roteiro sólido. Na verdade este filme nos traz a idéia de quebrar alguns preconceitos, e rever alguns conceitos. Você não pode deixar de ver este filme, a beleza da Lilian é incontestável.

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Sílvio Santana em 05/01/2005Nota: 4     

A arte não é bela, Barrela, ou bela é a arte, Duarte. nem uma coisa nem outra, a avaliação da arte é o produto de nossos conhecimentos teóricos e/ou práticos em relação à vida associada à arte. Quando o crítico Antonio Martins se confronta com a arte em todo seu potencial teórico-prático ele se desmorona, pois de seu castelo de pedra assentado em areia, não tem idéia do que pode ser a arte em toda sua complexidade. O crítico (o personagem do filme, interpetrado por Marco Ricca), para se proteger de sua ignorância experiencial, se protege utilizando para isso a crueldade em suas críticas. Bastou ser fisgado pela atração da Inês para que ele fosse sugado para dentro do indecifrável mundo humano, em um nível de profundidade que ele ainda não havia experimentado, para que todas suas convicções fossem postas à terra. A vida e a arte são belas pelas múltiplas possibilidades de interpretações que elas nos permitem. Bela a coragem de Marco Ricca, Beto Brant, Lilian Taublib e toda a equipe que ousaram oferecer ao público uma experiência extremamente humana, de nos proporcionar generosamente uma aula de arte e vida.

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Robledo Milani em 06/01/2005Nota: 4     

Você pode ser alguém interessado no novo cinema nacional. Pode até dedicar uma atenção especial a obras alternativas e pouco convencionais. Pode conhecer o cineasta paulista Beto Brant e ser fã do seu trabalho anterior os elogiados e premiados OS MATADORES, AÇÃO ENTRE AMIGOS e O INVASOR. Porém, antes de conferir CRIME DELICADO, o conselho é: deixe qualquer impressão ou teoria prévia de lado e vá de coração e mente abertos: este novo longa é muito mais uma "experiência" do que uma obra de estrutura e ambições tradicionais, com início, meio e fim. A proposta aqui é ousar, em forma, conteúdo e mensagem, algo que é atingido de muito bom grado. No material de divulgação até consta a informação:"baseado no romance Um Crime Delicado', de Sérgio Sant'Anna ", mas este dado não é de todo verdadeiro. Isto porque o livro serve apenas como ponto de partida; o mais apropriado seria afirmar "inspirado em..." . O que se mantém num e noutro são os personagens principais um crítico teatral que possui uma visão amarga da vida e da arte, uma atriz iniciante dotada de uma beleza pouco convencional, e um artista plástico mais velho e experiente e a trama básica o crítico se apaixona pela atriz, que tem uma relação muito especial com o artista plástico; crítico e atriz transam, ela meio que em estado de transe, ele tomado por ciúme e posse, e no dia seguinte ela vai a uma delegacia e o acusa de tê-la estuprado. Porém as diferenças entre os meios são muito maiores do que qualquer semelhança aqui descrita. CRIME DELICADO, o filme, é uma obra extremamente autoral e hermética muitos certamente a olharão com olhos não muito satisfeitos, desprezando sua inquietação e relevância. Estes, no entanto, estarão deixando passar um trabalho bastante único no cenário cinematográfico nacional. E, como qualquer inovação, esta também não pode esperar que seja aceita e compreendida logo de início por todos. O diretor, grande condutor e criador, faz proveito de imagens, retalhos e espelhos para construir seu discurso. Ele abre mão de tudo o que estiver ao seu dispor, como a peça teatral, o cenário vazio, a discussão acalorada, a pintura construída, o preto e branco, a cor em demasia, fazendo destas peças de um quebra-cabeças que pretende mais provocar do que explicar. Brant não quer propor soluções, e sim criar e colocar em discussão novas e antigas inquietações. O principal objeto de discussão em CRIME DELICADO não é o crime, muito menos a delicadeza; é a natureza da arte, que é pano de fundo de toda relação, seja amorosa, social ou profissional. A arte liberta, mas também aprisiona e restringe, impondo limites e questionamentos. E como, então, ser livre diante tamanha entrega e procura? O amor, o desejo, e a busca de um significado maior para o que fazemos e representamos está presente em cada fotograma deste filme, que merece ser apreciado com muito cuidado, pois as pistas e chaves que esconde em si podem e devem ser revistas e empregadas num conceito muito mais amplo e válido.

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Alexandre em 11/01/2005Nota: 4     

Excelente filme. Foge ao padrão de filmes anteriores de Beto Brant, porém, mesmo sendo mais calmo e parado, é dotado de profundas reflexões, fugindo da monotonia do cotidiano. Um filme sobre a arte, o teatro, o amor e, principalmente, o homem.

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SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR em 07/01/2005Nota: 4.5     

O diretor Beto Brant radicalizou. Após filmar o excelente "O INVASOR", voltou as suas câmeras para um projeto que discute o papel do crítico (no caso, teatral, mas poderia ser aplicado à qualquer outra forma de arte, inclusive cinema), da beleza e da sexualidade. Antonio (Marco Ricca) é um crítico teatral que escreve para um jornal de grande circulação. Por sinal, trechos de peças são exibidas para, mais tarde, ou serem execradas ou elogiadas pelas colunas de Antonio. Este é um sujeito solitário, intelectualizado até o último fio de cabelo de seu corpo. Não há necessidade de se entender de mecanismos de defesa psicológicos para se presumir que Antonio seja um homem cercado de racionalizações por todos os lados. Entre um assédio de uma atriz que anseia por um elogio do crítico e conversas de botequim que mostram a vida como ela é, Antonio vai tomando o seu uisquinho e levando sua vida. As coisas tomam um rumo quando ele encontra Inês (Lilian Taublib). A racionalidade de Antonio cai por terra. Uma paixão cega o domina, gerando ciúmes injustificados e exacerbados. Inês não tem uma das pernas. Será a paixão pelo inusitado que domina Antonio? Será a paixão pelo que falta, pelo diferente, pelo presumível sofrimento de Inês? Eles mantém uma relação sexual no apartamento dela. Aliás, Inês é modelo do pintor mexicano José Torres Campana (Felipe Ehrenberg). É sobre ele que a fúria dos ciúmes de Antonio irá recair. Dias depois, já com um nível alcoólico razoável, para dizer o mínimo, Antonio vai ao apartamento de Inês de madrugada e força uma relação sexual. Eis o crime a que o título faz referência. Ela denuncia Antonio por estupro. Beto Brant, que se baseou numa obra do carioca Sergio Sant´Anna, conseguiu fazer com que a audiência não tenha uma idéia precisa, um julgamento claro sobre o "crime" ocorrido com Inês. Filme memorável que certamente não irá agradar a todas as platéias; é um filme que não tem a mínima intenção de se tornar um blockbuster de bilheterias, mas pega-nos pelos cérebro e pelas partes baixas também.

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Julianaa em 04/01/2005Nota: 5     

Fantástico! Cenas maravilhosas e a atuação dessa Lilian Taublib (que eu não conhecia), é mto boa! Estão todos de parabéns! Ótima direção de Beto Brant.

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Davi em 08/01/2005Nota: 4     

Pensei que o filme teria uma narrativa tradicional, com em "O invasor". Porém me surpreendi com as idéias de Brant e seus elementos que "quebram" a linearidade da história. É uma filme ótimo, que fala de sentimentos humanos e de vários tipos de arte. Porém sua estrutura pode desagradar muitos, que buscam sempre o brilhante roteiro e as fantásticas técnicas hollywoodianas.

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Waldirey Pires de Matos em 03/01/2005Nota: 4.5     

Para quem assistiu aos Filmes de Beto Brant, ("Os Matadores ","Ação entre Amigos" e "O Invasor") e vai ao cinema esperando ver aqueles modelos certos para filmes que levam a palavra "crime" no nome, pode se decepcionar. Bento Brant faz um filme sensível onde diálogos e personagens sem nomes e de passagem servem apenas de pretexto para revelar um perfil circunspeto do jornalista crítico, Antônio (Marco Ricca), a fotografia fílmica alternada que delata o ambiente em suas sensações frias ou cálidas que, guardada as devidas proporções, me fez lembrar "Traffic" - somando-se a pertinência da musica, formam no filme um todo delicado. Não só o Crime é Delicado, é delicado também o limite entre a arte e a pornografia que se assemelha. Entre a critica precisa de um jornalista talentoso e a frustração de uma vida, em determinado nível, fracassada. Amor e invasão. Sexo indesejado ou estupro? O crime é sem dúvida delicado para se discutir bem como essas questões, todas, também o são. Vale a pena assistir ao filme. A participação especialíssima de Claudio de Assis (Amarelo Manga) é impagável, a valsa onírica de uma perna só, Inês (Lilian Taublib) é indelével na memória, e por fim, a prótese sob o quadro é poesia.

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Jorge K. em 10/01/2005Nota: 4.5     

Filme revolucionário para os padrões do cinema nacional. Independentemente de sua qualidade, vai ficar na história por ser uma tentativa bem-sucedida de fazer arte a partir de uma realidade crua. O filme peca um pouco pelos "vácuos" de veracidade nos fatos da história, mas não lhe tira os méritos. Este Beto Brandt é bem talentoso, está ainda por fazer "O Filme", mas um dia vai chegar lá.

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Maíra Freitasa em 09/01/2005Nota: 5     

Crime Delicado é um filme surpreendente, tanto pelas intervenções cotidianas quanto pelo choque da solução: "Moral ou imoral? E até que ponto a questão importa?" Beto rompendo sim com os clichês do cinema nacional-violência-versus-identidade nacional. Um filme de arte pura, mas não puramente. Um filme de arte elevado às dúvidas de humano enquanto sociedade. O que é certo? O que é arte? O que é? E o que não é? Assistam e atentem. Manking-off Vertebrando-se além de esclarecedor, é doce.

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