Diego Maia, Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:
"Depois
de rever esse filme, passei a gostar ainda mais dele. Aí está
a minha análise. "Clube da Luta" é sim um filme perigoso.
Mas somente para pessoas que não estão dispostas a pensar, a sair
da superficialidade e explorar a avalanche de idéias que o filme proprociona.
Se analisarmos este filme de maneira
superficial, veremos que violência e terrorismo são maneiras corretas
de se mudar algo, como a sociedade atual. Mas, se formos mais a fundo (e é
isso que o filme propõe), veremos que toda a violência mostrada
em "Clube da Luta" é resultado da demência de um único
homem (assistam que vocês vão entender o que eu acabei de escrever)
e que é perfeitamente justificável.
Jack (Edward Norton - brilhante!)
não agüenta mais sua vidinha fútil, sem significado ou grandes
emoções. Tyler (Brad Pitt, insano), um maluco anti-capitalista
que gosta de resolver tudo na base da porrada, fica amigo dele. Juntos, fundam
o tal Clube da Luta, um local onde homens brigam entre si para extravasar toda
a fúria que suas vidas rotineiras lhes causam. Mas a coisa começa
a sair fora do controle e o que era pra ser apenas uma seção de
"psicanálise dolorida" passa a se transformar numa organização
terrorista, que insiste em acabar (no sentido mais geral dessa palavra) com
tudo o que é relacionado ao capitalismo e ao consumismo. E é aí
que "Clube da Luta" se mostra um filme até pacifista (sim,
pacifista) pois propõe que mudanças definitivamente não
são feitas com violência. TODAS as lutas que aparecem no filme
têm sentido metafórico. Não estão ali pra comporem
somente cenas extremamente violentas. Essas lutas existem para demonstrar o
desespero em que uma pessoa pode se encontrar quando descobre que sua vida é
um grande NADA, e que o sonho de ser rico, famoso e bonito não passa
de um sonho mesmo. Por isso é injusto chamar esse filme de "fascista".
O que o filme mostra é a necessidade de viver, de sentir algo (como dor),
de perceber que a vida não é somente carros e apartamento "da
hora".
As mensagens anti-consumismo são
mais do que claras ("Você NÃO é o seu carro...")
e também são outro ponto forte do filme. Mas a genialidade de
"Clube da Luta" está na sua ousadia. Ousadia de ter um roteiro
tão imprevisível (com um final idem), ousadia de mexer ainda mais
na ferida da sociedade moderna, ousadia de ir fundo na mente humana e utilizar
elementos nunca antes vistos, ousadia de ser violento (apesar de justificável)
e correr o risco de ser chamado de fascista... isso é "Clube da
Luta".
Sem dúvida, um filme mais
do que brilhante. Um dos melhores da década.
PS: O maluco que matou aquelas pessoas
no shopping disse que NÃO TINHA VISTO O FILME. Por isso, a única
conclusão em que posso chegar é que não passou de uma terrível
coincidência."