Tudo começou em junho de 1951. Na época, o Festival de Berlim acontecia em pleno verão.
Para não colidir no calendário cultural com o Festival de Cinema de Veneza, sempre no mês de agosto a direção daquele que anos depois se chamaria de Berlinale decidiu, em 1978, antecipar o evento para o mês de fevereiro, tornando assim Berlim o primeiro festival de peso do ano no calendário europeu (Berlim, Cannes, Veneza).
A ideia com o festival, pouco depois do fim da II Guerra Mundial, era reestabelecer a imagem da Alemanha com um toque de internacionalidade. Para isso, nada melhor do que estrelas da sétima arte.
Logo o Festival se tornaria o ápice cultural na cidade, esta ainda cheia de problemas estruturais resultantes da II Guerra, mas nos poucos dias do mês de junho Berlim, mesmo assim, vivia seus dias de glória.
Em essência o festival se transformou muito ao longo dos anos. Passou de um evento exclusivamente glamouroso e de high society em seus primeiros anos para se tornar um provocador, um mensageiro político nitidamente contido no enredo dos filmes. Hoje, Berlim é uma janela e uma plataforma política para todo o tipo de mensagem para o mundo. Um dos exemplos mais recentes disso foi filme Caminho para Guantánamo. Depois de sair premiado de Berlim, o filme provocou um abrangente debate político sobre a real necessidade desta prisão no território de Cuba. Até o ex presidente George Bush (pai), na época, sob pressão da mídia, foi obrigado a se manifestar sobre este brisante tema.
Hoje, a Berlinale é também uma marca poderosíssima, gozando de um enorme respaldo da população. Digamos o objeto de prestígio da cidade pobre que é Berlim.
No mais tardar, depois do início da era Kosslick em maio de 2001, a Berlinale ficou imune a críticas, que sucumbe logo dando lugar à euforia, que Kosslick sabe posicionar mediamente muito bem. Muita euforia tende a esconder aspectos importantes mudados na concepção do festival. A reforma do departamento de imprensa, por exemplo. Há tempo demais composto pela mesma equipe, cheia de inclarezas sobre quem realmente é o/a manda-chuva. Isto resultou em um tratamento elitista, propiciou a mentalidade do tapinha nas costas. As diferentes categorias de credenciais espelham muito bem esta reprovável e errônea postura.
Este ano, na comemoração do sexagésimo, não será comemorado "só" nas salas de cinema, mas em toda a cidade, mesmo com os seus 5 graus negativos, previstos para o dia de hoje.
Fotos feitas nos últimos 4 anos de visitantes ilustres do festival estão expostas nas ruas ao redor do cinema principal, o "Berlinale Palast". Dia 12 de fevereiro, a artista Christina Kim apresentará uma instalação em forma de cortina no símbolo da cidade, o Portão de Brandenburgo, este que servirá de cenário para a projeção de Metrópolis, um dos maiores clássicos da história do cinema alemão. A versão a ser projetada é a mais completa que já se viu, depois da première em janeiro de 1927, também em Berlim. Dieter Kosslick diz: "Não pode haver cinema sem cortina". Quem for muito corajoso, vai conferir o espetáculo na noite de amanhã ao ar livre, sob um frio polar.
Os convidados que vêm de longe já chegaram. As estrelas estarão chegando no tapete vermelho, de Mercedes, e os jornalistas já estão em estado febril, ansiosíssimos pela primeira coletiva que terá, logo no primeiro dia, a equipe do filme de Roman Polanski, The Ghost Writer. Como já foi mencionado em artigo de Roberto Cunha, o diretor não estará presente em Berlim por estar em sistema de prisão domiciliar em seu chalé no país do chocolate.
De hoje até no dia 20 de fevereiro, Berlim vai mostrar, pela sexagésima vez, que durante 10 dias é o caldeirão cinematográfico do mundo. Dia 21 é a vez dos berlinenses invadirem os cinemas no chamado "Berlinale Kinotag", com entradas no valor de 18 reais.
Os filmes selecionados para a competição esse ano não fazem jus a um sexagésimo aniversário, mas Dieter Kosslick, em permanente estado mental de "brainstorming", é uzeiro e vezeiro em surpreender igualmente cinéfilos e mídia.
Agora é esperar a abertura oficial feita na cerimônia de gala pelo prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, e se mandar para o cinema.
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Angela Araújo
Janaína Lourenço
Cecilia Angelo
Marcelo Santiago
Diogo Carvalho
Diogo Carvalho
Tiago Superoito
Fábio Emerenciano
Jorge Malcher
Saulo Sisnando
Angela de Barros Emery Trindade
Josmar Toscano
Sabrina Daniellaa
Luciana Bittencourt Fagundes
Samuel Bruno Vieira
Jairo Eduardo
Luís Cláudio Costa
Henrique Miura
Breno Moura
Carlos Massari
Thiago Pereira
Leandro Gantois
gabriela
só posso dizer que é Indescritível!
Simplesmente lindo.