Henrique Miura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 9:

"Cinebiografias exigem muito estudo dos roteiristas e muita sensibilidade do diretor. E o pouco requisitado Richard Attenborough deu um show. Tudo bem que seu trabalho não foi perfeito, mas ele acertou em cheio ao usar imagens dos filmes de Chaplin para compôr o enredo do filme. Vendo aquelas imagens das fantásticas obras de Chapliné impossível não vir aquela deliciosa sensação de "Charplinismo". Esse filme não é tudo aquilo que poderia render mas que é um filme extraordinário, isso eu tenho certeza absoluta.

Você já torceu pra um filme demorar pra acabar? Se a resposta foi não, é porque você ainda não viu essa cinebiografia. Não que o filme inteiro seja cheio de atrativos, mas o final é fabuloso. É aquele final que você fica olhando, estudando, sentindo e acaba se emocionando com aquela sensação de complementação na vida. O filme retrata com precisão cada momento e detalhe da vida desse "mágico" diretor de cinema, começa mostrando a vida miserável levada por ele, a mãe, entre outras dificuldades. Até surgir a chance no então *novidade* cinema.

Com seu jeito, seu estilo peculiar de fazer as pessoas rirem, logo conseguiu sucesso. Conforme o filme vai caminhando, vai mostrando os escândalos amorosos da vida dele e ainda as inspirações para situações de seus filmes, como a dança dos pães de "Em Busca do Ouro", a incrível cena do Globo de "O Grande Ditador", entre outros. E ainda vemos trechos de suas maiores realizações, como "Luzes da Cidade", "O Garoto" e "O Circo". O incrível é como surgiu a idéia em rodar a obra-prima "Tempos Modernos", onde a crítica é intensa para a modernidade.

Mas o filme ganha um ar mais sério quando se trata da política opressiva que Chaplin sofreu. Sempre criticando os nazistas (vide "O Grande Ditador", onde Chaplin faz uma paródia ousada), sendo acusado de ser comunista e até judeu. O filme segue nesta parte na força do roteiro, onde os diálogos são ácidos e profundos. É impressionante como Chaplin sempre era censurado, mas sempre conseguia fazer "suas obras viverem". A criação de Carlitos, o Vagabundo, é fenomenal e inspiradora.

O filme tem uma maravilhosa atuação de Robert Downey Jr. (interpretando o próprio Chaplin). Com certeza havia uma grande pressão e ao mesmo tempo um grande orgulho em representar uma das figuras mais conhecidas do cinema, e ainda interpretar aqueles personagens criados por Chaplin. O esforço dele é de se levar muito em conta também, pois sua interpretação de Chaplin já na velhice é irregular, mas é feita de coração, o que acaba encantando. No elenco ainda temos nomes como: Anthony Hopkins, James Woods, David Duchovny, da inexpressiva Milla Jovovich, Kevin Kline e ainda Geraldine Chaplin, curiosamente interpretando a própria mãe.

"Chaplin" é uma honrosa cinebiografia de alguém que foi um dos maiores cineastas de todos os tempos. Talvez o primeiro grande cineasta. Charles Chaplin faz aquele cinema adorável de se ver, aquele você pode ver milhares de vezes e jamais irá se cansar. Esse filme não é exatamente aquilo que um gênio como Chaplin merecia, mas é uma obra que merece respeito, pois é feita de coração para alguém que fazia cinema com coração.

Recomendo mais o filme para quem conhece as obras de Chaplin, pois as citações são em grande número e o filme acaba sendo mais agradável para quem conhece. Mas que não conhece é lógico que pode ver o filme, pois ele é de fácil compreensão, é excelente para conhecer quem foi Chaplin. Filme imperfeito e bastante irregular, mas que prende bem a atenção até o final e desperta o interesse no espectador em conhecer a obra desse gênio. Recomendo!"