Título original: (Cafundó)
Lançamento: 2006 (Brasil)
Direção:
Atores: Lázaro Ramos (Equilibrista na Praça da Sé / João de Camargo) Leona Cavalli (Ajudante do equilibrista / Rosário) Leandro Firmino da Hora (Cirino) Beto Guiz (Capataz da Feira de Muares) Ernani Moraes (Coronel Justino) Faus.
Duração: 101 min
Gênero: Drama
Status: Arquivado
João de Camargo (Lázaro Ramos) viveu nas senzalas em pleno século XIX. Após deixar de ser escravo ele fica deslumbrado com o mundo em transformação ao seu redor e desesperado para viver nele. O choque é tanto que faz com que João tenha alucinações, acreditando ser capaz de ver Deus. Misturando suas raízes negras com a glória da civilização judaico-cristã, João passa a acreditar que seja capaz de curar e realmente acaba curando. Ele torna-se então uma das lendas brasileiras, se popularizando como o Preto Velho.
Mônica Delfinoa em 02/01/2006Nota: 5
Depois de suas experiências como Diretor de Teatro (anos 60) e Diretor de Arte (anos 70 a atualidade) a estréia no cinema como Diretor e Roteirista (que divide a Direção com Paulo Betti) mais uma vez traduz magnificamente bem um universo de inspiração num discurso cinematográfico fluente, oposto a um psicologismo sentimental que as novelas hoje tornaram quase obrigatório. Clóvis Bueno dominou como nunca sua arte demonstrando uma excepcional maturidade na direção e um crescimento indiscutível na construção do roteiro onde quase não rubricas e adjetivos. Afirmar suas identidades artísticas numa cinematografia é apenas um dos grandes prazeres a se descobrir em "Cafundó". O filme não se justifica apenas na história de um líder religioso de Sorocaba, mas sim ao encontro do SONHO e da LIBERDADE na qual a alma brasileira está mais do que representada. Parabéns e queremos mais!
Athos Froener Callegari em 05/01/2006Nota: 5
Cafundó representa um importante resgate da iconografia da raça negra no Brasil, além da dissipação das trevas quanto ao período da história nacional que sucede os festejos relacionados ao abolicionismo da escravatura negra, em relação ao qual muito pouco se trouxe a lume acerca do destino dos recém libertos, ao menos no que tange à História corriqueiramente lecionada. Enfocando nesse contexto histórico a vida de João de Camargo, personalidade negra liberta ainda na juventude, o filme oferece o retrato do ser negro na época em questão, exibindo o Brasil de uma República incipiente, na qual os poderes constituídos, como ainda hoje acontece, quiçá em menor expressão, não alcançam o país de fato, permitindo, assim, a ocupação do espaço público pelas mais diversas formas de assistencialismo coletivo de índole não estatal. Nesse quadro, ganha espaço a pródiga vertente do sincretismo religioso nacional com as formas pagãs em franca ebulição, magistralmente exploradas pela personagem principal da película. Do evidenciado na obra cinematográfica, João de Camargo não chegou a ocupar o espaço de um Antônio Conselheiro, razão provavelmente responsável pela sua longevidade nos afazeres religiosos, já que não oferecia propriamente risco aos poderes da República, muito embora tenha ocasionado certa fúria por parte da Igreja Católica local, da qual resultou a sua prisão em inumeráveis oportunidades. Mas há no filme a referência curiosa a um Ministro de Estado imbuído pela doutrina kardecista, que foi complacente com as práticas religiosas do protagonista. O sincretismo religioso também estava representado no poder público. O filme desenvolve com rica expressão simbólica parte da História que não se conta, que graças a iniciativas tais como a ora comentada ganha vez, exibe lugares e vivências de brasilidade para as quais o Estado praticamente não existe, a não ser como aparelho repressor, e dá conta de uma iconografia da mais alta relevância para a compreensão da nossa história popular, conferindo o merecido destaque para a figura humana de João de Camargo, cuja existência marcou o povo brasileiro na figura do Preto Velho. Depois de assistir a Cafundó, é possível somar mais um argumento no sentido de que o retratar da cultura brasileira tem mudado perceptivelmente nos últimos anos, e que parcela considerável dos produtores nacionais tem efetivamente buscado ver o Brasil com um olhar de maior alcance, e assim de acrescida riqueza. Parabéns aos responsáveis pela obra cinematográfica por permitirem ao público o conhecimento dos confins, ou melhor, cafundós brasileiros.
SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR em 04/01/2006Nota: 4
O ator e agora diretor Paulo Betti há muito nutria o sonho de transpor para as telonas as lendas envolvendo o Nhô João, ou melhor, João Camargo (Lázaro Ramos) na sua cidade natal, Sorocaba. A biografia de João Camargo é iniciada na época em que a Princesa Isabel libertou os escravos. O então jovem João Camargo é levado por falta de opção a se alistar e participar de uma guerra ao lado dos republicanos. Nesse período conheceu as inovações tecnológicas da época, como os trens, além da cidade grande. João Camargo bem que tentou arrumar emprego, mas não conseguiu. Passava as noites bebendo na companhia de um amigo. Foi nesse período que João conheceu Rosário (a gaúcha Leona Cavalli), por quem se apaixonou e se casou. Eu fico imaginando cá com os meus botões como é que deve ter sido a barra em termos de pressão social para um casal formado por um homem negro e uma mulher branca. O problema é que Rosário não conseguia se resguardar dos prazeres carnais, fato que culminou com a separação do casal. Os poucos minutos que Leona Cavalli está em cena são memoráveis. Quando ela incorpora um espírito na praia, parece que estamos diante de uma mãe de santo de longa experiência. Daí em diante, João Camargo direciona a sua vida para a criação da Igreja da Àgua Vermelha. As alucinações o impulsionaram na sua luta para a criação de uma Igreja que conservava influências africanas na sua base, adicionando algumas características do catolicismo. Como o protagonista diz numa de suas prisões, quando foi questionado por vilipendiar as religiões africanas: "Há um oceano que separa a Àfrica do Brasil. Nós não estamos na África". O sociólogo Florestan Fernandes, que foi professor titular da faculdade de Ciências Sociais na USP até 1995, quando veio a falecer, estudou a vida e a obra de João Camargo. Ele é um dos homenageados pelo diretor Paulo Betti, que fez um belo filme mostrando um sincretismo religioso tipicamente brasileiro, que teve o mérito de escolher o ótimo Lázaro Ramos que dá um show no papel do milagroso líder religioso que a tantos sociólogos influenciou.
Manoel Messias Pereira em 07/01/2006Nota: 5
O filme traz para nós brasileiro a certeza de que o processo de liberdade e de religiosidade, tem alicerces sólidos, firmados no respeito as ancestralidades africanas, no respeito ao Exu, no chamado rito barú, antes de celebrarmos a nossa gloria ao senhor. Aqui todos surgem com uma missão, que parte do respeito, e da busca de nossas raizes.
Pedro Jorge em 03/01/2006Nota: 5
Com tema difícil - sincretismo religioso e cultura negra - o ilme conseguiu ser leve, alegre e colorido, sem perder o pé na história. Ótima direção de arte e fotografia. Atores excepcionais. Viva Nhô João!
Muito bom! O maiss curioso deste filme foi a escolha de um diretor até então especialista ...
por Fernando Schiavi Leite, 14/02/2012 às 00:25
Esse filme é simplesmente uma obra-prima do David Fincher, genial. Não me deu sono, não a...
por carlos_alberto_09, 14/02/2012 às 00:22
História original e ao mesmo tempo previsível, entretanto eu adorei o filme, fiquei torcen...
por B.Boy Jc, 14/02/2012 às 00:18
Esses não eram exatamente os motivos de fazerem filmes preto e branco. Muitos diretores opt...
por andreluizgf, 14/02/2012 às 00:11