Título original: (Caché)
Lançamento: 2005 (Áustria, França, Alemanha, Itália)
Direção: Michael Haneke
Atores: Juliette Binoche, Daniel Auteuil, Maurice Bénichou, Annie Girardot.
Duração: 117 min
Gênero: Drama
Status: Arquivado
Um dia Georges (Daniel Auteuil e sua esposa Anne (Juliette Binoche) recebem uma fita de vídeo com imagens de sua casa, que fora filmada por uma câmara instalada na rua. Depois disso começam a receber desenhos sinistros. Assustado, o casal tenta descobrir o autor daquelas misteriosas ameaças que perturbam a paz de sua família. Logo percebem que quem os persegue conhece mais sobre o seu passado do que eles poderiam esperar.
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alexandrepastre em 26/08/2010Nota: 4.5
O final decepcionante para alguns é a ausência clara de uma resposta, de um final à Hollywood ou um quê de produto para consumir e descartar. Mas, ao contrário, a tônica do filme é incitar a reflexão do espectador ou sobre o que pode ter acontecido, inclusive sobre as nuances que fazem parte do roteiro. Boas histórias continuam no imaginário do espectador. Será que Capitu traiu Bentinho?
Brunna em 22/02/2010
tinha que ter alguém pra vir falar besteira, né?! ps: se quser saber minha opinião, a sua "obra-prima" é apenas razoável.
ucatani, as pessoas tem direito de vir comentar o que quiser sobre o que acharam do filme. você não é superior a ninguém pra chamar alguém de patético aqui. grita tão alto pra falar sobre sensibilidade com palavras difíceis mas é o primeiro a demonstrar a falta da mesma.
Fiskal em 05/02/2010
<!-- /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:""; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:36.0pt; mso-footer-margin:36.0pt; mso-paper-source:0;} div.Section1 {page:Section1;} --> Impressiona-me a obsessão do público com “sentido”, “final” e “agilidade”. Estou certo de que as tramas criadas por Manoel Carlos em suas novelas satisfazem muito bem esses anseios, frustrados por Cachê. No entanto não vejo tanto ânimo nas críticas a “Páginas da Vida” ou “Senhora do Destino”. Para ficarmos apenas no cinema, diria que Daniel Filho é o exemplo de artista perfeito para os freqüentadores deste site democrático. Suas obras fazem sentido, tem finais convincentes e não devem ser lentas. Aliás, não sei bem o que uma pessoa quer dizer quando diz que o filme é “lento”. Não sei se ela se refere à montagem, ao estilo, à presença ou não de carros em alta velocidade na trama... Parece consenso que. Caché é lento. E o que é rápido, um videoclipe da Britney Spears? Tenho uma hipótese: “lento” é o filme que vi e me entediou. Os leitores já pararam pra pensar na humilde possibilidade do problema estar neles, não na obra? É um exercício que recomendo a quem diz gostar de cinema (o nome do site sugere isso). Como curiosidade visitei os comentários à “Se eu fosse você” e encontrei muito mais elogios. Sinto que algo está errado e acho que sou eu. E outra: não vou falar aqui sobre virtudes e defeitos de “Cachê”. Não me prestarei a isso, Haneke não merece isso, ele já fez algo pela humanidade, nós não fizemos nada por ele, exceto pagar ingressos e sustentá-lo, o que me parece pouco.
ucatani em 05/02/2010Nota: 5
Sinceramente, estou chocado com os comentários que li aqui sobre esse filme. "Final decepcionante", "chato", "sem estrutura narrativa", "bobagem sem precedentes", "pior filme da minha vida". Onde alguém pode querer chegar fazendo essa crítica de boteco? Bando de impressionistas patéticos, vocês deveriam examinar suas cabeças. Há certa dignidade em assistir só a filmes de kick-boxing, mas não há nada mais terrível que um ser-humano desprovido de sensibilidade assistir uma obra-prima e ter a internet para vir aqui e externar sua demência. Façam-me o favor.
Adriano em 07/01/2005Nota: 1.5
O filme é mais uma crítica dos problemas sociais e raciais que ocorrem na França atualmente do que um thriller de ação ou suspense que dá a entender desde o início. É chato, monótono, irritante e cansativo. Não vá.
Paulo Meira em 12/01/2005Nota: 3.5
Georges (Daniel Auteuil) é apresentador de um programa televisivo de críticas literárias, e sua mulher é Anne (Juliette Binoche), graduada funcionária de uma editora, mantém um casamento feliz e tem um filho, Pierrot (Laster Makedonsky). Ele passa a receber vídeos que mostram o cotidiano de sua família e desenhos alarmantes cujo significado é obscuro. Não fazendo idéia de quem seja de início não se preocupa muito, mas logo começa a receber mais vídeos com imagens de maior intimidades, levando ele a pensar que quem estivesse fazendo isso deveria ser alguém próximo. Fica com medo, tenta ir a polícia, mas não tem nenhuma ameaça direta e a ajuda pode ser recusada. A partir daí ele passa a tentar descobrir o que está acontecendo. Um filme bem diferente dos convencionais, digo holywoodiano. As cenas foram gravadas em um plano aberto com uma única imagem parada por minutos, o que deixa a platéia inquieta. O filme exige um rigoroso compromisso mental e emocional do espectador.
Jaime em 01/02/2005
Convivo com o pessoas assim, que fingem gostar desse tipo de lixo picareta todos os dias. Os produtores deste filme não passam de uns pseudo-eruditos, fingindo que estão produzindo algo que presta para outros idiotas fingirem que gostam. Dessa forma podem aparecer para idiotas semelhantes do seu ciclo social e se sentirem menos frustrados com a vida sem sentido que levam.
Fernando em 23/01/2005Nota: 5
A primeira cena apresenta um recurso que é utilizado em todo o filme: a paisagem de uma determinada rua é mostrada por algum tempo, ao centro uma casa, e nada demais acontece, alguns carros e algumas pessoas passam e só. Então a paisagem é rebobinada e descobrimos que ela não fazia parte do tempo presente da narrativa, mas era a imagem de uma gravação. Esse jogo entre o que "está acontecendo" e o que "foi gravado" é utilizado a todo momento e confunde quem assiste ao filme, e é óbvio, só a quem assiste ao filme, não aos personagens. É um recurso repetido inúmeras vezes, por exemplo quando a mesma casa é filmada outras vezes, ou quando a câmara acompanha um carro, ou alguém num corredor de um prédio etc. Muitas vezes achamos que se trata de uma gravação e não é, como na primeira vez em que o protagonista (Georges) vai até o apartamento indicado pela gravação, ou na última cena do filme, quando a entrada de um colégio é mostrada. Mas qual o sentido disso? Passamos o filme todo tentando descobrir quem está enviando as fitas e os desenhos ao Georges e à sua esposa (Anne), mas Georges, a partir de um determinado momento, tem certeza de quem é que está fazendo isso, e tem certeza antes mesmo de encontrar a tal pessoa pela primeira vez. Nós, espectadores, não temos essa certeza em momento algum. Há uma discrepância entre o que os personagens sabem e o que nós sabemos, Georges sabe mais que nós, Anne sabe menos. A "verdadeira história" do filme nos é escondida a todo momento. Acho que o recurso de que falei inicialmente tem a ver com a forma como a narrativa é construída, o filme nos apresenta um "caso" que vai sendo desdobrado através de mentiras, enganos e meias-verdades; seja entre os personagens, seja na forma como a história nos é contada. Georges esconde a todo momento o que pensa, mente para a esposa, mentia para os pais quando criança, fica bravo quando a esposa conta o que está acontecendo aos amigos, Anne mente para a polícia, Majid mente para Georges sobre as fitas(ou não?) etc. O recurso em questão é a forma como o filme "mente" para nós. O filme também mente para nós na narrativa, quando nos faz acreditar que o filho havia sido seqüestrado, quando nos faz acreditar que nem o Majid e nem seu filho tinham algo a ver com o caso das fitas. Acho que o sentido desse jogo de mentiras, tanto técnico quanto narrativo, tanto entre nós com o filme quanto entre os personagens com eles mesmos, fica evidente numa cena de Georges em seu programa, quando um convidado fazia sua fala e então surge uma voz que diz "para aí, tá muito teórico, junta com aquela outra parte em que ele fala de homossexualismo". Então descobrimos, mais uma vez, que a cena não fazia parte do tempo presente da narrativa, mas de um trabalho de edição do programa do protagonista (e era o próprio quem dava as orientações para a edição). O que o filme nos quer mostrar é como os fatos são, também eles, editados. Como a verdade é construída através de mentiras. Quando uma das fitas é enviada ao chefe de Georges e esse, diante da possibilidade de comprometimento de sua carreira, destrói (ou melhor, diz que destruiu) a fita como um favor, ele diz o seguinte: "achei que era a coisa mais certa a fazer". Por isso o filme não nos apresenta claramente o "verdadeiro culpado" pelo envio dos desenhos e das fitas. As evidências fornecidas pela narrativa apontam para algumas possibilidades: 1ª Majid, 2ª Majid e seu filho, 3ª seu filho, 4ª outra pessoa. Mas, na verdade, pouco importa para a narrativa quem o seja, não há como ter certeza do culpado, a proposta do filme é justamente mostrar que não existem certezas, não existem verdades, não existem fatos que não tenham sido editados. Diante disso, pensei: "que porcaria, não passa de pós-modernismo barato". Mas o filme não se atém uma narrativa inconclusiva e a um jogo de aparências, há algo que vai além disso e que é a verdadeira essência do filme. E essa essência, aquilo que há de "verdade" no filme, é a subalternização e a marginalização do imigrante ou filho de imigrantes, do afro-descendente (pra adotar um termo politicamente correto) na França. Quando Georges conta a Anne o que havia feito com Majid na infância (só pra lembrar, disse que o pai dele tinha mandado Majid cortar a cabeça do galo, além de dizer que ele cuspia sangue), fica evidente que, apesar de ter sido adotado, os laços que uniam Majid à família eram muito mais empregatícios do que familiares, não só Georges o via como empregado da família, mas o próprio Majid ainda se via como tal, pois obedeceu a ordem de Georges, que obedecia, pensava Majid, à ordem do pai. Havia para eles uma relação hierárquica entre os membros da família. E havia também para os pais, pois foi com a versão do filho legítimo (francês e branquinho) que eles ficaram quanto aos problemas entre os dois meninos, "desadotando" Majid e mandando-o para um orfanato. A condição do afro-descendente na França (explorado, marginalizado etc.), é exposta nesta oposição entre a vida de Georges e a de Majid, na oposição entre o que o destino reservou aos dois e, por que não, ao que reservará a seus filhos. Enquanto Majid mora num bairro pobre que Georges nem conhecia (embora vivam na mesma cidade), este mora numa bela casa, numa bela rua; o filho de Georges estuda num bom colégio enquanto o de Majid, sabe-se lá se estuda. Georges é um intelectual, crítico literário, apresentador de televisão e Majid sabe-se lá sua profissão (ou se é desempregado), mas sabemos que é pobre e muito infeliz. Georges não sabia como lidar com Majid nem na infância e nem na vida adulta, jamais quis reencontrá-lo e quando o fez, tratou-o como um estranho qualquer. Embora o filme entre na temática pós-moderna de que "todas as verdades são suspeitas", ele não fica no vazio, não é superficial em sua problemática. Não deixa de apontar para a necessidade de se buscar uma essência por trás da aparência dos. É o que Haneke faz em Caché. Por isso é um excelente filme.
Guilherme Salomão em 25/01/2005Nota: 5
Glorioso! O filme simplesmente tem vida própria. Sem a preocupação em alimentar-nos com uma trilha sonora por exemplo( simplesmente não há música no filme), o diretor dismistifica o fato de que precisamos de mais do que roteiro, atuação e direção. As atuações estão impecáveis e o clima de aflição não morre nunca dando-mos um tapa quando pensamos que tudo enfim estará resolvido. Não! voltamos para casa aflitos se não tivermos uma consciência muito tranquila. Nota mil!
O Filme é bom! Muito emocionante. Recomendo.
por Victor Tavares Alves, 14/02/2012 às 06:44
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Eu nunca vi um título representar tão bem um filme.
por Marlon_SS, 14/02/2012 às 05:30