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Já é quase um clichê dentro do mundo da sétima arte, dizer que o diretor é, em verdade, um contador de histórias. Partindo desta premissa, podemos classificar estes "contadores de história" justamente pela forma escolhida por estes – ou pelos produtores (mas não entremos neste particular ainda) – para contar as suas respectivas narrativas. Apesar de outro velho jargão, "faço filmes para mim mesmo, não penso em quem vai assistir", é sabido que, na prática, não é bem assim: produtores cada vez mais exigem e interferem no trabalho de seus diretores, a fim de que o produto final atenda a um público-alvo especÃfico, e gere cifras para o estúdio. Ou, em última análise, serve como um charme para algum diretor que se pretenda avant-garde e, cheio de si, saiba ou pretenda ter uma legião de admiradores. E, é claro, há as exceções: Vincent Gallo, mais do que isso, é uma anomalia. De temperamento explosivo e igualmente dotado de sensibilidade artÃstica e filho de imigrantes sicilianos, Gallo já foi ator, motociclista profissional, músico – em uma de suas bandas, já dividiu o palco com Jean Michel Basquiat -, pintor, dançarino de break nos anos 80 e modelo, inclusive já tendo desfilado para Calvin Klein. Mas sua verdadeira paixão parece ser o cinema, em especial, dirigir filmes: já quis, inclusive, fazer uma cinebiografia sobre Charles Manson, em que atuaria no papel do mesmo. Seu trabalho de estréia, Buffalo 66, recebeu boas crÃticas e aumentou a expectativa para o seu segundo filme, The Brown Bunny (2003). Quase uma unanimidade à s avessas, a pelÃcula foi recebida com um coro de vaias no Festival de Cannes daquele ano: apesar de basear-se em conteúdo autobiográfico como sua empreitada anterior, o teor minimalista, aliado a uma cena de sexo oral explÃcito, parecem ter provocado a ira dos crÃticos. Tendo feito praticamente de tudo – direção, produção, direção de arte, cenografia, edição, roteiro -, inclusive protagonizado, pode-se dizer que foi um trabalho 100 % autoral, em que se deu ao luxo de despedir Winona Ryder e Kirsten Dunst durante as filmagens. A história se passa em torno de Bud Clay, mas assim como o Billy de Buffalo 66, não se engane: é Vincent Gallo em carne osso, sem a menor vontade de atuar e representar um papel, que não o dele próprio. Como explicitado no teaser de divulgação, "Bud perdeu o amor de sua vida, a única mulher que ele amou e jamais amará: motociclista, atravessa o paÃs correndo nos diversos circuitos do campeonato, fazendo promessas absurdas para que mulheres o acompanhem, mas desistindo logo que elas aceitam. Ele sabe que jamais conseguirá substituir Daisy (Chloë Sevigny), mas todo dia ele tenta". Sem sombra de dúvida, The Brown Bunny não é um filme para todos. Não no sentido hermético de requerer um apuro intelectual por parte do espectador – apesar de conter seus simbolismos -, mas por exigir uma sensibilidade e experiência bem especÃficas: se você não passou por aquilo e não tem nenhuma identificação com a trajetória pessoal do autor, dificilmente irá apreciar a projeção. Com um "quê" de nouvelle vague – em especial, lembrando, de longe, alguma coisa de Eric Rohmer -, a trama não apresenta um desfecho, um clÃmax ou mesmo um final "tristinho, mas cool", como é o caso do bom Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola, e seu desfecho a la Casablanca. Gallo é honesto a ponto de explicitar seu completo desespero, seu encontro com um impasse, como a perguntar: "mais alguém se sente assim também?". Sem levantar questões e – menos ainda – sem propor soluções, The Brown Bunny é um filme que será esquecido em breve (ao que tudo indica, em virtude do fracasso de crÃtica, sua última exibição em nossas terras se deu no Festival de Cinema de São Paulo, logo após o evento carioca , mas vale a torcida), mas para um público bem seleto, terá sido uma experiência inesquecÃvel, com seqüências memoráveis: a cena em que Bud corre com a motocicleta em pleno deserto - uma metáfora perfeita -, o "videoclipe" de uma viagem sob a chuva, na estrada, ao som de Gordon Lightfoot, os solos de John Frusciante na trilha-sonora e os diálogos lacônicos, em que o não-dito pesa muito mais do que o dito... Talvez a pelÃcula seja lembrada posteriormente, tão somente pela cena da felação, em que pouquÃssimos terão captado a simbologia pretendida por Gallo: resumir o filme a esta cena é como reduzir Freud a um cocainômano. Simples assim. The Brown Bunny, um filme de Vincent Gallo para Vincent Gallo: para a grande maioria que vociferou contra esta obra – entre eles o crÃtico Roger Ebert, o mesmo que, anos após dar 1 estrela para Blade Runner, voltou atrás e deu 5 numa "revisão crÃtica" -, resta a certeza de que a temática apresentada não passa de um filme ruim e que a vida continua, provavelmente mais alegre. Mas para aqueles que já experimentaram a sensação de estar dirigindo para o nada, debaixo de uma chuva, procurando um contato real, um elo ou mesmo algum eco, acelerando num deserto, não sabendo viver só, e tampouco tendo aprendido a conviver, talvez este filme possa ser um raio-X de uma vida. Ou, espera-se, parte dela. |
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Filme péssimo, não tem nenhuma história, só mostra o cara viajando em estradas norte americanas e no fim mostra uma cena de sexo oral, não acredito q fiquei 1 hora e meia vendo esse lixo. |
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Favorecido pela direção e fotografia bem realizada, bons takes e trilha sonora, faz dele um bom filme, mas não tem muito a dizer; poderia ter sido um curta de no máximo 30 minutos; a cena do sexo oral não tem razão para existir, a não ser o exibicionismo do excêntrico Vincent Gallo. |
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Já vi filme francês que parece americano mas ainda não tinha visto a recÃproca. O filme é sonolento? Entrei cansada e não consegui dormir. Não é só o deserto - que já foi lago - que enche os sentidos, desde Exupery, ele permeia não só o infantil (aquele que sente medo) e genuÃno como também o complexo e instigante, que faz viajar e voltar á origem. |
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Vincent Gallo indiscutivelmente é uma personalidade do chamado ! cinema independente. Apresenta um filme do q se chamava cinema de autor e consegue passar em imagens toda a angústia e falta de esperança de seu personagem . Lógico q não é filme para qualquer momento ou para qualquer público. |
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Um filme que óbviamente, não é para qualquer tipo de público!! Era curioso ver as reações adversas das pessoas em relações as cenas do filme. Principalmente pelo mesmo ser quase todo um filme sem "falas"! pois quem precisa delas, se as cenas em que o personagem principal aparece em busca de algo mais, já falam por sà próprias! |
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