Araken Lugosi, Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:

"Certa vez, há muito, mas muito tempo atrás mesmo, estavamos eu e Cesaria, perambulando pelo Iguatemi shopping na Tijuca quando passamos em frente a uma lojinha de cds cujo nome, se não me falhe a memória, era "Cocoon". Ao avistar a loja comentei: "bora dar uma olhada nessa lojinha cesaria" que me respndeu: "ah num deve ter nada nessa loja não cara, tem cara de loja comum, com cds comuns ..." ao que respondi: "eu sei, mas e daí, num temos nada a perder mesmo, vambora ver coé." Ao entrarmos reparamos logo num stand com cds promocionais, para o qual nos dirigimos rapidamente. Ao vasculhar tal stand encontrei ótimos cds, como Stone Roses, Stereolab, Sugar Cubes, Velvet Underground, entre muitos outros, tudo por merreca, bagatela de 5,90 ou 9,90, não sei exatamente agora quanto. Só sei que catei tudo que tinha de bom, passei um chequão e saí feliz e contente com uma porrada de cds bons e baratos. Quando saímos falei com Cesaria: "Pô cara, quem diria né, a gente fazendo mó pouco caso da lojinha, dizendo que era uma loja borrabotas, que num ia ter nada de bom, e quando entramos, cheia de cds maravilhosos, e melhor, todos por merreca. Maneiro. Só sei de uma coisa agora, nunca mais julgo nada pela aparência, tudo o que ver e tiver curiosidade saber coé, vou entrar sem preconceito e pesquisar, sem preconceitos." É, meio piegas eu sei, mas era o que pensava. Mas isso não foi o que aconteceu no futuro. O mesmo preconceito aconteceu quando estreou nos cinemas o filme "Clube da Luta". Ao ver aquele trailer, aquele cartaz, os pôsteres, pensei logo: "mas um filminho borrabotas cheio de gatinhos hollywoodianos se promovendo". "É mais um filminho desse Brad Pitt". "É só mais um filminho bunda de luta." "É ruim deu ver essa merda no cinema. Aliás nem em vídeo". Depois que o filme saiu em cartaz me perguntaram se eu havia visto o filme ao que respondi revoltado: "ta me estranhando cara, tu acha queu vou perder meu tempo vendo uma palhaçada dessas muleki, te enxerga". O cara me recriminou me dizendo queu estava completamente equivocado, que o filme era maravilhosos e queu deveria assistir. Continuei não dando atenção, mas os comentários favoráveis estavam em todos os lugares e então decidi ver pensando: "Tenho certeza que é uma merda, mas ta todo mundo babando o ovo, então vamos ver coé né". E aluguei-o. E assisti. E embasbaquei. Fiquei puto. Puto comigo mesmo por não ter visto essa obra prima no cinema (que roteiro / que direção / que atuações / que final / tudo mágnifico ao extremo). Puto por ter tido um preconceitozinho idiota sobre um filme, sem nem sequer procurar saber sobre o mesmo, para saber se estava certo ou . Pensei que dessa vez tivesse aprendido a lição, mas a mesmissima coisa já estava prestes a acontecer novamente com o filme "brilho eterno de uma mente sem lembranças". Quando vi no jornal a chamada de estréia do filme pensei: "É mais um romancezinho piegas, com Jim Carrey e a gostosa da Kate Winslet. Humpf... Tô fora". Nem me dei ao trabalho que de perceber que era um filme do kaufman ("quero ser John Malkovich" e "Adaptação"), nem de perceber que a crítica falava bem horrores do filme. Só levei o mesmo a sério quando o mesmo Cesaria já citado comentou que estava a fim de ver o filme, pois todo mundo que tinha visto estava falando super bem e adorando o filme. Resolvi assisti-lo. E acabei de assisti-lo. E o filme é tão maravilhoso, estou tão empolgado com o filme de tão foda que ele é, ao extremo máximo absoluto total e indiscutivel, que resolvi sentar a bunda aqui no cpu, imediatamente ao chegar em casa para falar dele. O filme é, sem medo de dizer, o melhor filme que assisti esse ano (e olha que ainda assisti ''Spiderman 2" e "Fahrenheit 11/9" esse ano hein). O roteiro é esplendoroso, uma obra prima.Charlie Kaufman já tinha se revelado um mestre com o excelente "quero ser John Malkovich", um filme com um roteiro viagem total, nonsense pacas, bizarro, e ótimo, simplesmente ótimo. Neste novo filme, ele volta com força total, com um roteiro mais coeso, pé no chão, mas nem por isso menos viajandão. Rola uma viagem bem ao seu estilo no filme, que se você não se prender na história acaba se perdendo, mas se você acompanhar, e entrar na viagem do filme, acompanhar bem de perto toda a doideira, como se a estivesse vivenciando também, é um deleite no fim, um orgasmo, vc fica nervoso cara, ansioso, doido pra ligar pra alguém e dizer o quanto o filme é foda. E bonito. E Singelo. E esplêndido. E maravilhoso... Tinha tempos queu não ia dormir tão empolgado, tão feliz e satisfeito com um filme amiguinhos. É um filme para se ver muitas e muitas vezes.

Além da história ser magnífica como é, ainda juntamos as atuações de Jim Carrey (q já provou há muito tempo que é muito mais do que um simples Ace Ventura) e principalmente da excelente Kate Winslet (q tb tinha o filme queimado, oq causava preconceitos bobos, por causa de Titanic). Eles estão dando um show de interpretação, difícil saber quem está melhor. Os dois colocam o filme no bolso, roubando a cena do resto do elenco que também é muito bem selecionado. Vão por mim, assistam esta obra prima, entrem na viagem de Kaufman e fiquem nervosos de felicidade como eu estou agora.

Araken Moore.

P.s.: Queria aproveitar a oportunidade para dizer que depois de assistir aos seus filmes cheguei a conclusão que Charlie Kaufman é o David Lynch das viagens Inteligivéis.

P.s 2.: Os personagens de Carrey e Winslet tem ao mesmo tempo uma complexidade e simplicidade tão grandes que é impossível você não torcer pelos dois, pela continuidade do belo e singelo romance deles, bem ao estilo "Eduardo e Mônica". Emocionante. Putz grilo cara, que filme.
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