Brasília 18%

Brasília 18% 2010-05-22 Francisco

Título original: (Brasília 18%)

Lançamento: 2006 (Brasil)

Direção: Nélson Pereira dos Santos

Atores: Carlos Alberto Riccelli (Olavo Bilac) Malu Mader (Georgesand Romero) Othon Bastos, Carlos Vereza, Nildo Parente (Gonçalves Dias) Otávio Augusto, Bete Mendes.

Duração: 102 min

Gênero: Drama

Status: Arquivado

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Sinopse

Olavo Bilac (Carlos Alberto Riccelli) é um renomado médico legista, que trabalha em Los Angeles. Bilac é convidado pelo Instituto Médico Legal de Brasília a dar seu parecer na perícia de identificação de uma ossada, que supostamente pertence à jovem economista Eugênia Câmara (Karine Carvalho), desaparecida há meses. A decisão de Bilac é cercada de expectativa, já que se for constatado que a ossada é de Eugênia isto significa que ela foi morta por seu namorado, o cineasta Augusto dos Anjos (Michel Melamed), que foi a última pessoa a vê-la antes de seu desaparecimento. Entretanto há interesses para que Augusto permaneça na cadeia, devido a acusações por ele feitas a políticos. É quando, em meio às pesquisas através de fotos, vídeos e de comentários contraditórios, Bilac termina se apaixonando por Eugênia.

 

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Elenco

  • Carlos Alberto Riccelli (Olavo Bilac) Malu Mader (Georgesand Romero) Othon Bastos (Martins Fontes)
  • Carlos Vereza (Senador Sílvio Romero)
  • Nildo Parente (Gonçalves Dias) Otávio Augusto (João do Rio)
  • Bete Mendes (Francisca Gonzaga)
  • Karine Carvalho (Eugênia Câmara)
  • Mônica Keiko (Marília Dedirceu)
  • Michel Melamed (Augusto dos Anjos)
  • Herbert Bijnr (Raimundo de Oliveira)
  • Laura Lustosa (Maria Bilac)

Comentários

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Miguel Oniga em 05/01/2006Nota: 4.5     

Nelson Pereira Dos Santos escreve sozinho (com dois consultores) um roteiro que leva quatro (dois times de dois) escritores americanos ou cinco roteiristas italianos num apartamento de luxo. O acúmulo de tramas faz parte dessa linguagem cinematográfica "preenchida" do Primeiro Mundo. A confluência dessas tramas é que geralmente detona a popular catarse, seja emocional, ideológica ou intelectual. Enquanto os americanos usam e abusam de Washington sob todas as luzes e climas desde Todos Os Homens Do Presidente até West Wing, o Brasil ainda se assusta quando ouve seus poderosos chamados de "assassinos", acho que pela primeira vez. Nosso cinema é ainda pobre, oscilando entre fantasias regionais desvairadas e intimismos particulares de classe definida. Somos por uma indústria brasileira que irmane, como esse filme faz, o Brasil com sua imagem de propaganda ajuntada à sua imagem crítica. Eis um objetivo.

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Angélica Marinoa em 04/01/2006

O filme é péssimo em quase todos os quesitos. Desde a má atuação de um elenco muitas vezes brilhante, como Othon Bastos, Carlos Vereza e Bete Mendes, até a ingenuidade de colocar atrizes fracas e sem expressão. Há erros de continuidade e total falta de estrutura. Triste por ser o novo filme do estimado Nelson Pereira dos Santos.

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Ricardo Zani em 03/01/2006Nota: 3     

Aparentemente, a proposta do filme é nobre e oportuna, principalmente pela iniciativa de expor no cinema situações dos podres bastidores da política brasileira, neste momento dos mensalões e da celebração da sujeira e da impunidade. A faca e o queiro estavam à mão, mas, lamentavelmente, o filme desperdiça essa chance, ao ater-se demais sobre aspectos menores e adicionar vertentes confusas e secundárias. Tudo bem, é uma ficção, não um documentário. Mas perde a chance de ser aplaudido por deixar de trazer ao telespectador uma visão ampla dos bastidores de Brasília e uma percepção crítica mais lúcida da realidade nos porões da política. Também falhou por fazer coro aos que confundem a cidade com a bandalheira política. A cidade não é só orgia e roubalheira, como o filme sugere. Há muita gente honesta, que trabalha duro, infelizmente omitida no roteiro.

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Luís Arnaldo Gastão em 02/01/2006Nota: 4.5     

Nelson Pereira dos Santos agora é um Imortal da Academia Brasileira de Letras. Mas desde 1955 quando dirigiu o seminal "Rio, 40 Graus", Nelson se tornou um Imortal do cinema brasileiro. A obra que definiu os rumos de nossa cinematografia e criou as bases para o movimento cinema-novista, completou cinqüenta anos em 2005, mesmo ano em que o diretor voltou ao sete de filmagem de um filme de ficção realizando "Brasília 18%", longa-metragem que estréia no próximo dia 21 de abril, data em que se comemora o aniversário da Capital Federal. O filme, o melhor de Nelson Pereira desde "Memórias do Cárcere" (1984), e também um dos melhores da recente safra do cinema brasileiro, conta a história de Olavo Bilac, um famoso médico legista brasileiro que vive nos EUA, mas retorna ao país de origem para fugir do fantasma da viuvez recente e para arbitrar a perícia de um corpo de mulher encontrado em Brasília, e que pode ser a chave de um grande esquema de corrupção investigado por uma CPI. Durante sua investigação, Olavo Bilac vive momentos de delírio, com as aparições de sua falecida esposa e também com a presença sempre constante, e aparentemente bastante real de Eugênia Câmara, a mulher desaparecida que pode ser dona do corpo que descansa numa gaveta do IML Para os políticos envolvidos no escândalo o melhor resultado da perícia é o de que se dê um laudo comprovando que o corpo encontrado seja o da jovem Eugênia Câmara, e que seu namorado, o cineasta Augusto dos Anjos continue preso como principal suspeito do crime. O diretor Nelson Pereira dos Santos filma esta história de corrupção e poder com o mesmo frescor de seus primeiros trabalhos, e lega ao Brasil um dos melhores filmes políticos de sua história. O brilhante roteiro, escrito pelo próprio cineasta, oferece oportunidades para que os atores brilhem em seus papéis. Carlos Alberto Ricelli está perfeito como o apático legista que é envolvido na trama política que pode abalar os alicerces da República. Malu Mader empresta beleza, sedução e vitalidade para sua personagem, uma deputada capaz de oferecer o próprio corpo em troca da assinatura de um laudo médico. É um papel pequeno mas muito importante para o desenvolvimento da trama, e Malu aproveita cada momento na tela, num trabalho maduro e irretocável. A lista de personagens coadjuvantes que gravitam em torno do personagem principal é bastante extensa e formada por grandes nomes do cinema brasileiro. Carlos Vereza está esplêndido na pele de um político corrupto, numa caracterização que nos faz lembrar o PC Farias dos tempos Collor de Mello. Othon Bastos me pareceu a primeira vista exageradamente caricato, mas o espectador percebe aos poucos que o personagem trafega pela dubiedade dos personagens que jogam dos dois lados, e que o tom assumido por sua interpretação é absolutamente correto. Herbert Richers Jr. está à vontade como um político bem humorado que parece não se abalar pelo mar de lama que pode atingi-lo. Merecem destaque ainda a bela e talentosa atriz Karine Carvalho que interpreta Eugênia Câmara, o pivô de toda a história; Isabella Cerqueira Campos, atriz de inúmeros filmes que retorna ao cinema após 18 anos de afastamento numa rápida e memorável aparição; e Michel Melamed, ator e apresentador do programa Re[Corte]Cultural na TVE, que faz o papel do cineasta Augusto dos Anjos. É dele o discurso final do filme, um contundente grito dado por Nelson Pereira dos Santos, e que ecoa muito tempo após o término do filme.

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Fernanda Luíza K. Villas Boasa em 06/01/2006Nota: 5     

A razão de ser Brasília, metáfora do poder está mesclada com a emoção do personagem que não compactua com o dicurso oficial e violento. O amor perdido é reconquistado na fantasia do médico legista que extrai a verdade e é obrigado a calar esta mesma verdade, o que muitas vezes sucede no momento político atual do Brasil Será que o delírio, a paixão essencial estarão vivas, é a pergunta desta narrativa ficcional, onde a voz calda nos constrange, nos confunde e emociona. A voz da arte, através do seu personagem acima de toda a suspeita, cria quadros e falas do inconsciente que pauta as armadilhas de uma verdade política tão absurda como opressora, tão úmida como o ar morno e sufocante do poder.

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