Carlos Massari, Leitor do Adoro Cinema - Nota 0:
"Imagine um programa de luta-livre, daqueles
bem comprados, onde um lutador espanca seu oponente até este outro estar
totalmente arrebentado. Agora, imagine um programa de luta-livre filmado em
tons góticos, com diversos personagens se espancando sem parar durante
120 minutos, com direito a diálogos estúpidos, reviravoltas previsíveis
e tomadas risíveis. Você chegou perto da ruindade de "Blade
2". É espantoso presenciar algo que pronuncia ser um filme mostrar
a mesma coisa por durante toda a projeção. "Blade 2"
tem, no máximo, um fiapo de história: O caçador Blade é
chamado para combater uma raça de super vampiros. Isso é o começo
do filme. O que acontece depois? Blade caça a raça de super vampiros,
enfiando estacas nos corações de uns 2000 inimigos, junto com
seus "super carismáticos" ajudantes. Claro que os super vampiros
tem um líder, o que proporcionará a Blade uma emocionante (!)
batalha final. E também há uma mocinha, para dar charme ao filme.
Caso contrário, a receita de super-produção bem sucedida
não estaria completa. Sim, há um ou outro aspecto positivo na
fita. Provavelmente a fotografia sombria de Gabriel Beristain ou os efeitos,
no estilão Matrix, que fazem as batalhas serem mais dinâmicas,
principalmente pelos rios de sangue espalhados pela projeção.
Mas o que realmente interessa, o roteiro da obra, é VAZIO, não
há mudanças, exceto uma pseudo-reviravolta altamente previsível
no final. Há UNICAMENTE cenas de ação, bem coreografadas
e dirigidas, mas extremamente mal encaixadas. O clima gótico adicionado
ao filme pelo diretor Guillermo del Toro é inócuo e inútil
frente à imbecilidade dos roteiristas Marv Wolffman e Gene Colan, mais
dois que devem lembrar apenas que o público gosta de muito sangue e pouco
se importa com o roteiro em si. O pior é que lucros chegam aos bolsos
deles. Quando a obra se arrisca a elaborar um diálogo que não
seja "Você vai morrer" ou algo do tipo, sai uma inacreditável
estupidez, de deixar qualquer um desnorteado. Esses diálogos duvidam
da inteligência do espectador, jogando conclusões óbvias
em situações manjadas, como se o público fosse incapaz
de chegar a uma conclusão por si próprio. O elenco é absolutamente
inconseqüente, não passa a menor emoção e não
convence nem uma criança de 5 anos. Wesley Snipes passa TODA A PROJEÇÃO
com a mesma cara, aquela de "bad boy implacável", dando uma
de superior. Ele deve estar até agora dando risada do público.
Seus coadjuvantes são ainda piores, principalmente os vampiros, que parecem
ter saído de um programa infantil da Angélica. Medo? Nem pensar.
Também não existem sustos, não existe interação
ou identificação com o público. Como já disse, tudo
o que existe é uma seqüência de pancadaria com 120 minutos
de duração, que parecem ser uma eternidade. Tanto que na minha
sessão, pelo menos dez pessoas não agüentaram esperar essa
eternidade passar. Para terminar tudo sem mudar o nível, há uma
cena risível no final, onde um vampiro que aparecera em uma cena anteriormente
vai a um bordel e é surpreendido por??? Por Blade, óbvio. "Não
pensou que me esqueceria de você?" é o diálogo. Acho
que nem preciso falar mais nada. "Blade 2" é fortíssimo
candidato a pior filme do ano, e não possui nem sombra de roteiro. Só
para quem gosta de muito sangue e pancadaria. Aliás, esses podem ficar
em casa, assistindo na TV, já que esse tipo de programa também
faz sucesso na tela menor. Apenas notificando: Alguém sabe como, na deplorável
censura brasileira, esse filme não foi classificado para 18 anos? Será
que foi uma ponta de bom senso dos qualificadores? Ou será que foi suborno
mesmo."