por Fátima Lacerda, diretamente de Berlim
O Festival de Cinema de Berlim, popularmente chamado de Berlinale e maior evento cultural em terras germânicas, inicia no dia 11 de fevereiro próximo. Mesmo com informações divulgadas no formato gota a gota, já causa expectativa nos cinéfilos de plantão, espalhados pelo mundo.
O Presidente do Júri internacional será o diretor Werner Herzog, um verdadeiro representante do cinema alemão contemporâneo. No Brasil, é conhecido especialmente pela sua obra-prima Fitzcarraldo, que contou também com a atuação dos impagáveis Klaus Kinski, Grande Otelo e José Lewgoy, magistral, no papel de Don Aquilino.
A escolha por Herzog não ocorre por acaso. É uma tacada planejada por Dieter Kosslick, diretor, mente e coração do festival. Com a escolha pelo diretor alemão, Kosslick expressa claramente o intuito de focar nos filmes de forte conteúdo. Principalmente quanto ao cinema alemão, esse que, graças à teimosia e caráter visionário do diretor do festival, vive seus tempos de glória no mercado nacional e internacional.
Com uma tacada de mestre e muita teimosia, Dieter Kosslick transformou nos últimos anos a Berlinale numa verdadeira passarela para atores alemães. Este resultado se espelha bem nitidamente nas produções e coproduções internacionais, com atores e atrizes alemães em papéis de destaque. Também a Alemanha, como potencial local de filmagens, ganhou muito em atratividade nos últimos anos.
Ao contrário dos festivais de Cannes e de Veneza, a Berlinale é tradicionalmente um festival de público. Desta vez comemorando um aniversário redondo de 60 anos, a organização do festival decidiu agradecer o apoio dado pelo público fiel em seis décadas e vai sair do centro de badalações de Berlim para estirar o tapete vermelho nos cinemas tradicionais e de pequeno porte, localizados nos mais diferentes bairros da cidade. De quebra, Dieter Kosslick ainda promete levar algumas estrelas a tiracolo para arredondar a noite.
Dos 24 filmes concorrentes ao “Urso de Ouro” como melhor filme, seis foram anunciados recentemente. É claro que não poderia faltar a mensagem de cunho político, tradicionalmente enviada pelo festival e sempre perfeitamente afinada com o Zeitgeist: seja ela relacionada à prisão de Guantanamo (Caminho para Guantanamo, 2005), a um batalhão de elite da polícia e suas leis questionáveis (Tropa de Elite, 2008) ou a crise financeira mundial (Trama Internacional, 2009).
Vale lembrar que o diretor Roman Polanski se encontra em regime de prisão. Com o convite para apresentar o filme The Ghost Writer no festival, Dieter Kosslick demonstra nitidamente sua solidariedade com o diretor.
Dos 24 filmes a serem apresentados na competição, seis já foram anunciados:
Honey (coprodução Turquia e Alemanha), do diretor Semih Kaplanoglu;
The Thief (coprodução Alemanha/Áustria), do diretor Benjamin Heisenberg;
On the Path (coprodução Bósnia/Croácia/Serbia/Áustria/Alemanha), da diretora Jasmila Zbanic, que em 2006 levou o Urso de Ouro com o filme Em Segredo;
The Hunter (coprodução Alemanha/Irã), do diretor Rafi Pitts, assíduo frequentador do festival;
Ilha do Medo, EUA, do diretor Martin Scorsese, com Leonardo diCaprio no papel principal;
The Ghost Writer (coprodução França/Alemanha/Inglaterra), de Roman Polanski, que em 1966 levou o Urso de Ouro por Armadilha do Destino
Os demais filmes que participarão da competição serão anunciados em Janeiro de 2010.