Título original: (Amores Possíveis)
Lançamento: 2001 (Brasil)
Direção: Sandra Werneck
Atores: Murilo Benício, Carolina Ferraz, Beth Goulart (Maria) Emílio de Melo (Pedro) Irene Ravache (Mãe de Carlos) Drica Moraes (Carol) Alberto Szafran (Lucas) Luíza Mariani (Dandara) Bemvindo Siqueira (Bilheteiro) Sílvio Posato, Marcela Moura.
Duração: 98 min
Gênero: Comédia Romântica
Status: Arquivado
Há 15 anos, Carlos (Murilo Benício) foi ao cinema para se encontrar com Julia (Carolina Ferraz), sua colega de faculdade, por quem estava apaixonado. Entretanto, a espera é em vão, já que Julia não aparece, deixando Carlos sozinho no hall do cinema. Durante a espera, acontece algo que irá mudar a vida de Carlos para sempre. Quinze anos após este acontecimento, passamos a acompanhar três versões possíveis e distintas da vida de Carlos. Na primeira, ele é um homem que se divide entre a estabilidade de uma vida segura e um casamento morno e o desejo crescente de viver uma paixão. Na segunda, Carlos é um homossexual que colocou a paixão acima de tudo. E na terceira ele é um homem que ainda não descobriu o amor e que busca, em sucessivas e desastrosas experiências amorosas, a mulher ideal. Apenas uma destas vidas é real, sendo que outra é fictícia e a terceira é a que ele gostaria realmente de viver. Mas descobrir qual destas três possibilidades é a vida real de Carlos, é preciso voltar no tempo e conhecer o que realmente aconteceu com ele após a espera por Julia no hall de cinema.
Cleber em 05/01/2001Nota: 4.5
UM ROTEIRO BEM ALINHAVADO. ATORES MUITO BONS E ATUANDO BEM. E UMA DIRETORA QUE ESTÁ NO SEU CAMPO, FALANDO DE AMORES, DE ENCONTROS E DESENCONTROS. LEVE, DIVERTIDO E INTELIGENTE.
Anna Monteiro em 09/01/2001Nota: 4
Quem nunca parou uns minutos para imaginar como seria sua vida se tivesse saído de casa aos 18 anos e ido para a Europa, praticar o inglês, ou para a África, cuidar de refugiados de guerra? Ou para fantasiar uma nova vida, se tivesse se casado com o namorado apaixonado, em vez de se aventurar numa relação completamente nova? Ou mesmo se não tivesse casado com quem se casou e tido os dois filhos que agora gritam pela casa enquanto você tenta se concentrar num livro? A brincadeira de se imaginar com vidas completamente diferentes a partir de hipóteses concretas ou de pura fantasia é o tema do delicioso "Amores Possíveis", de Sandra Werneck, uma boa contadora de histórias de amor. "Pequeno Dicionário Amoroso", seu primeiro filme de ficção, é mais duro e incômodo, já que aborda o despertar e o ocaso de uma relação amorosa, sensação que todos nós experimentamos pelo menos uma vez na vida. "Amores Possíveis" brinca com as possibilidades de relações que se descortinam e que muitos de nós deixamos escapar, seja por medo, por desconfiança ou simplesmente porque não percebemos a situação. Sandra encontra uma leveza ao contar as dores-de-cotovelo das separações e outras dores, seus personagens são sofisticados mesmo sendo pessoas comuns e ela consegue transformar um esqueleto de prédio em construção ou o cais do porto em locações charmosas e glamurosas. Em seu segundo filme de ficção ela conseguiu mostrar elementos também presentes em "Pequeno Dicionário" e com isso imprimir sua marca, fazendo um filme bastante autoral.São três histórias com os mesmos personagens vivendo situações diversas a partir do mesmo ponto, com começo, meio e fim, acontecendo paralelamente, com tudo para fazer uma grande confusão na cabeça do espectador. Mas aí entra o papel do roteiro e o de Paulo Halm (também de "Pequeno Dicionário") é simples e claro, preciso, traz soluções criativas e excelentes diálogos que, se às vezes são engraçados e leves, noutras são duros e ferem a fundo, mostrando que todos nós - público e personagens - temos várias facetas que surpreendem até a nós mesmos. Carlos e Júlia, vividos por Murilo Benício e Carolina Ferraz, estão num começo de namoro e marcam um encontro, num cinema, num dia chuvoso, há 15 anos. Carlos espera ansioso, mas Júlia não aparece. Este é o ponta-pé para as três hipóteses onde, na primeira, Carlos se casa com Maria (vivida por Beth Goulart); na segunda, Carlos se casa com Júlia, mas se apaixona por Pedro (Emílio de Melo), amigo com quem jogava futebol; e na terceira, Carlos é um garotão paparicado pela mãe (Irene Ravache) em busca da mulher perfeita.Se em "Os Matadores", de Beto Brant, Murilo Benício já mostrava que era um excelente ator, em "Amores Possíveis" ele deixa claro que é o melhor ator de sua geração. Os Carlos que ele vive são completamente diferentes um do outro sem precisar apelar para artifícios ou trejeitos. O primeiro Carlos é intenso em seu vazio - de vida, de trabalho e, especialmente, no casamento. Ele e Maria vivem uma relação marcada por uma frieza que, paradoxalmente, lhes garante um aconchego. É uma vida segura vivida num apartamento sem qualquer traço de calor humano e perfeitamente arrumado, com compromissos sociais enfadonhos para ele e absolutamente inadiáveis para ela. A relação é marcada por uma dependência tão profunda entre os dois que nem um grande amor, como acontece quando Carlos reencontra Júlia, é capaz de quebrar esse elo e fazê-lo viver a vida com intensidade e paixão, fora da redoma de proteção. Na segunda história, para mim a mais difícil de ser contada, porque poderia resvalar para o absurdo e debochado, Carlos casou-se com Júlia, teve um filho, mas apaixonou-se pelo amigo e assumiu a relação. Murilo soube construir esse Carlos com delicadeza e alguma tristeza, mas sem usar jamais a caricatura. São homossexuais que vivem abertamente o amor que sentem um pelo outro e Carlos tem uma dificuldade de lidar com a situação diante da recusa da ex-mulher em aceitá-la, o que é compreensível. É a história mais séria de todas e, curiosamente (nem tão curioso assim!) a que provoca risos nervosos entre a platéia, provavelmente pela situação inovadora e incômoda que se abre na tela ao expôr a vida de dois gays com muita realidade. O Carlos da terceira história é engraçado, um típico garotão do Rio, conquistador que, cansado das farras, tem o sonho de encontrar a mulher ideal que acaba sendo Júlia, uma ex-quase-namorada, artista plástica descolada, que jamais fora ao encontro no cinema, 15 anos antes. Só que a paixão avassaladora o assusta, especialmente quando tem que apresentá-la a Dona Sônia, a mãe controladora mas sem os ares da vilania que surge de vez em quando em personagens desse porte. Ela controla, mas os dois se respeitam, se falam muito e se dão muito bem. E o garotão Carlos é engraçadíssimo, carioca até o último 'xis' da pronúncia, com um gingado especial sem apelar para os artificialismos que dominam personagens do gênero -- Malhação ou Como Ser Solteiro ilustram bem essa tendência (?!) de interpretação. Carolina Ferraz está bem. É um caso muito particular de uma atriz tão bonita que chega a hipnotizar a platéia, refém de sua beleza. Ela não tem o talento de seu namorado na vida real, Murilo Benício, mas compôs com nuances as três Júlias. Seu melhor momento é com a sofrida Júlia da segunda história, a do amor próprio ferido, preconceituosa, raivosa e que não entende como um casamento perfeito pode acabar de uma hora para a outra, sem aviso prévio, ainda mais com o marido apaixonado por outro homem. Irene Ravache poderia concorrer ao Oscar de atriz coadjuvante. Sua Dona Sônia está hilária, com sofisticação. É uma verdadeira mãe viúva de filho único, que ainda o leva ao trabalho como o levava à escola, às vezes surpreendida com as orgias organizadas pelo pimpolho no apartamento onde vivem. Beth Goulart leva segurança à sua Maria, aquele tipo de mulher que sabe o que está acontecendo no meio do casamento mas que prefere esperar o marido voltar para casa porque simplesmente sabe que ele vai voltar e que os dois vão ficar bem, distantes e em plena segurança. Emílio de Melo vive também três personagens diferentes, sempre homossexuais, ligados a Carlos e seu principal conselheiro. Os três são bem interpretados e apenas o último ficou mais caricatural, mas certamente por força do roteiro.E se você não gostar do filme, contente-se com uma coisa, pelo menos: a trilha sonora. Assinada por João Nabuco (o mesmo diretor musical de "Pequeno Dicionário"), inclui uma gravação de Dueto, de Chico Buarque, com ele próprio e Zizi Possi, que pontua o filme. A música de Chico, gravada pela primeira vez com ele e Nara Leão, recria, como ele é mestre em fazer, uma relação amorosa que nos leva a viajar através da letra. Ainda estão na trilha Zélia Duncan, Donna Summer e, como não poderia faltar (sem trocadilhos), João Gilberto.
Diego Tadeu Pinto em 06/01/2001Nota: 5
O que acontece se juntarmos um ótimo roteiro, uma diretora competente, atores espetaculares (explorando ao máximo suas habilidades) e uma excelente equipe de produção? Acontece: "Amores Possíveis". Não deixem de ver, é imperdível! Destaque também para maravilhosa trilha sonora!!!
Tiago Siri em 11/01/2001Nota: 4
Esse filme tem um roteiro acima da média, atuações razoáveis e uma ótima química entre Murilo Benício e Irene Ravache. A história é contada com os mesmos personagens em três linhas de tempo diferentes, uma mais interessante que a outra. Filme simpático e bom astral, neste ano é a comédia romântica menos água com açúcar lançada. Vale a pena.
Jovílson Guimarães em 02/01/2001Nota: 4.5
Apesar do final um pouco confuso, o filme é excelente e muito bem dirigido por Werneck, que soube traçar 3 histórias diferentes sem deixar o filme cair na monotonia em momento algum. Sem dúvida, o melhor filme brasileiro.
Felipe Guerra da Cunha em 08/01/2001Nota: 4.5
É um filme bem superior que "Pequeno dicionário amoroso". A narrativa do filme consegue prender o espectador e todas as 3 histórias tem as suas qualidades. O interessante é que cada uma tem o seu grau de romantismo, drama e comédia. O elenco está perfeito e a atuação de Murilio Benício é estupenda, principalmente a forma como consegue interpretar 3 personagens sendo na verdade o mesmo. Carolina Ferraz está cada vez mais bonita e atua muito bem. E, nos papéis coadjuvantes, o destaque fica com Irene Ravache, engraçada e bem descontraída, sendo de sua personagem que saem as melhores partes engraçadas do filme.Podemos perceber o ganho de maturidade de Sandra Werneck e, se a diretora continuar nesse ritmo, podemos em breve termos mais uma mulher no "clube dos bolinhas" de diretores que fazem filmes aqui no Brasil (a outra é Ana Carolina). Que Sandra Werneck continue nesse caminho e tenha calma e paciência na escolha de seus futuros projetos, porque talento e competência são coisas que não lhe faltam. Parabéns, Sandra!!!
Ana Carolina Maglio em 17/01/2001Nota: 5
Impossível não amar esse filme. Murilo Benício está ótimo, podemos perceber claramente a mudança de seus personagens. Mas, em termos de atuação, a fita se torna imperdível por causa de Irene Ravache, que dispensa comentários. Uma narrativa pouco clássica (falta de linearidade e a abeetura de possíveis resultados para o mesmo ponto de partida) podem fazer o espectador odiar ou adorar o filme, mas nunca um meio-termo. Inevitável é compará-lo com o alemão "Corra, Lola, Corra", que segue a mesma estética narrativa. E como o final é aberto, o público acaba tendo o direito individual de escolher qual dos três finais mais lhe parece possível de acontecer na vida real ou na vida vivida no cinema.
Renato Soares de Almeida em 15/01/2001Nota: 4.5
Não fica devendo nada para as tradicionais comédias românticas americanas, pelo contrário, além do humor traz o elemento "inteligente" que anda faltando nas comédias de cotidiano. Trata de temas delicados, como a monotonia do longos casamentos, e de temas polêmicos, como a presença do homosexualismo na vida das crianças. Murilo Benício mostra todo seu talento e, ajudado pela caracterização bem pensada, se transforma em 3 personagens totalmente diferentes. Ótima opção para fugir do "superficial"...
Henrique Miura em 16/01/2001Nota: 3.5
Acho que o filme poderia ter sido melhor se a Sandra Werneck tivesse colocado algo que pudesse ser diferenciado de uma parte para a outra, já que o filme conta três finais diferentes para o casal da história. Poderia ter algo em que pudessemos identificar quando são mudadas. Mas é claro que dá para notar quando muda, pois a atuação do Murilo Benício foi muito boa. Ele consegue diferenciar bem os personagens, faz um gay sem ser histérico e chato, um cara casado e bem de vida e um que vive na barra da mãe e tem cara de garotão. Ele se saiu muito bem, já a Carolina Ferraz está bem mas poderia ser melhor, muito exagerada. Suas três personagens são bem variadas mas a atuação é a mesma, em uma ela é uma mulher que foi abandonada pelo marido gay, em outra ela é uma aventureira que viajou pelo mundo todo e na terceira e última ela é ??? Aparece do nada e se envolve com um antigo namorado agora casado. Após ficar esperando pela amada no cinema, o filme mostra os rumos que podem ter levado o casal formado por Carlos e Julia. No primeiro ele tem um filho com ela, mas ele a largou para assumir um relacionamento gay. Na segunda ele está casado e o acaso faz com que eles se reencontrem após anos, e agora ele tem de escolher pelo casamento ou pelo relacionamento com a amada do passado. E na terceira e última parte ele é um filhinho da mamãe, que controla todas as suas namoradas e ele busca o par perfeito, até que através de um modo bem estranho ele encontra o seu amor do passado. O filme é classificado como comédia romântica, de engraçado o filme só tem o começo. Depois temos apenas romances dos mais variados, um roteiro bem feitinho mas uma direção muito simples para o tipo de roteiro. O filme explora bem diversas situações, como a tentativa de voltar à vida normal. O filme procura ir profundamente na descoberta de um verdadeiro e perfeito amor, será que existe a pessoa perfeita para cada um? O filme busca esses ideais com clareza. "Amores Possíveis" é um filme brasileiro descontraído e fácil de se ver. A química entre o casal funciona bem, mas o filme não chega a encantar, faltou mais simpatia e carisma. Em geral o filme é verdadeiramente agrádavel, eu recomendo para os mais apaixonados.
Sandra em 10/01/2001Nota: 4
Adorei o filme. A diretora foi muito sensível e criativa ao fazer um filme que envolve três histórias diferentes e um único sentimento. Maravilhosa a história, tem um pouco de tudo. É sutil, inocente e hilária ao mesmo tempo. Vou falar do ator Murilo Benício, que definitivamente foi bárbaro! Que interpretação fantástica, que talento! Eu já gostava dele, depois do filme então, me apaixonei completamente. Parabéns à Sandra Werneck pela sensibilidade e escolha perfeita do elenco!
Esse filme merecia continuar. É claro que com muito cuidado para não estragar.
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