Henrique Miura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 9:

"Enorme sucesso em seu país e no mundo todo, "Amores Brutos" é aquele tipo de filme que mesmo quando acaba deixa uma ferida aberta no espectador, sendo que essa ferida é daquelas que demora para cicatrizar. O filme causa um impacto com suas fortes imagens e mexe com o espectador por sua forte profundidade. Uma violência real e dolorosa, é isso que vemos durante as duas horas e meia de duração desse filme, cheio de momentos magistrais que ficam marcados para sempre.

O diretor Alejandro González fez um trabalho digno e honroso. É impressionante o seu trabalho com a câmera, sempre bem posicionada e com bons movimentos. Mas, o filme traz momentos bem delicados em se fazer, um deles são as brigas de cachorros, as chamadas rinhas. Trabalhar com os cães deve ter sido um trabalho desgastante. É cruel e bastante brutal a realidade imposta pelo diretor a cada cena. Muito sangue e dor. González não poupa o espectador e a cada nova cena cria um novo impacto e uma nova veracidade. Tudo aquilo é tão real, e não é de fácil aceitação. É errado a dura realidade...

O filme começa com um grave acidente. Logo, voltamos no tempo e acompanhamos a vida dos envolvidos. Octávio (Gael García Bernal) é um jovem que é apaixonado pela mulher do irmão. Revoltado com o modo em que o irmão trata a mulher, ele acaba propondo para Susana (Vanessa Bauche) que ela fuja com ele. Ela, com um filho e grávida, não aceita pela falta de dinheiro. Logo ele começa a envolver seu cachorro em rinhas, ganhando dinheiro em cima de dinheiro. Enquanto isso, o irmão trabalha e pratica pequenos assaltos.

Enquanto isso, Daniel (Álvaro Guerrero) abandonou a mulher e as filhas para viver com a modelo Valeria (Goya Toledo), que vive em seu auge. E ainda temos Chivo (Emilio Echevarría), um mendigo que tem muita história em sua vida e que agora vive como "matador de aluguel".

Então voltamos ao acidente. Os envolvidos são em um carro, Octávio, o amigo e seu cão. Já no outro temos Valeria. A batida é violenta. E então passamos a acompanhar o seguimento da vida deles. A modelo agora tem de viver uma nova realidade, sua perna está destruída e trabalhar novamente somente se fizer uma plástica de bastante sucesso.

O filme é muito complexo e contundente. O espectador sofre junto com os personagens. As barreiras do destino são realmente cruéis e o diretor não teve piedade, não se regulando ao criar as cenas mais chocantes da nova década. O elenco é quase perfeito, temos um tabuleiro de xadrez completo, todas as peças são extremamente importantes. Alguns atores exageram um pouco, mas no geral temos aulas de brilhantes atuações.

"Amores Brutos" foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, mas teve o azar em pegar a obra-prima "O Tigre e o Dragão" pela frente. O filme é um relato doloroso da realidade. Uma violência interna e externa incrível, jamais imaginada por alguns, muito menos nos cinemas. Um filme ousado e cheio de cenas marcantes, feito para se ver com o peito aberto e aceitar uma realidade."