Carlos Massari (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 9:
"Não
se engane pensando que "Amores Brutos" é um dramalhão
sem sentido. É um filme dramático sim, mas, ao contrário
das novelas mexicanas, não tem nenhuma dose de pieguice. O filme traz
uma mensagem forte, além de bons toques de suspense e um inteligente
uso de flashbacks. O cinema mexicano está dando sinais de crescimento
com filmes bem escritos e elaborados.
A história
é uma das mais complexas dos últimos tempos, girando em torno
de cachorros (daí o título original, "amores perros")
e de um acidente de carro. O filme começa a mil por hora, com uma perseguição
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que resulta em um grave acidente de trânsito. A partir daí, o filme
passa a mostrar, com o auxílio de flashbacks, a vida dos envolvidos no
acidente: um adolescente envolvido com brigas de cães, uma modelo famosa
e um velho matador de aluguel.
O adolescente era perdidamente apaixonado
pela sua cunhada, que sofre com o marido violento. Octavio sonha em fugir com
sua amada, mas precisa de dinheiro. Então ele descobre que seu cão,
Cófi, é quase invencível nas brigas de cães. A partir
daí, sua vida terá reviravoltas incríveis.
O dinamismo que essa história
consegue é incrível. Sempre tem um clima de tensão e apreensão,
contando com o carismático Gael Garcia Bernal. Quase sempre abusando
de recursos extras, o diretor Alejandro Gonzales Inirratú faz com que
esta seja a melhor parte do filme. Quanto mais se aproxima do acidente, mais
ficamos aprensivos, graças ao texto, que flui muito bem.
Já na segunda e na terceira
somos apresentados à uma modelo famosa, que está extremamente
feliz, já que conseguiu finalmente que seu amante pedisse o divórcio
e fosse morar com ela. Mas do dia do acidente em diante, nunca mais seria a
mesma... Já na outra história, Chivo é um ex-guerrilheiro
totalmente amargurado, que foi separado da família após ser preso.
Hoje ele trabalha como matador de aluguel e cria cachorros. Ao presenciar o
acidente, também teria sua vida totalmete modificada.
A parte da modelo é a única
que cansa no filme. No começo é agradável, mas logo começa
a ficar repetitiva. Mas, como todas as outras, traz uma bela mensagem sobre
a amargura e desespero que um simples momento pode causar na vida de uma pessoa.
Já na terceira história a amargura é exatamente o tema
central e ela é muito bem explorada pelo roteiro, que não cai
em momento algum na pieguice. Já a direção funciona bem
novamente e leva tudo com classe, só exagera um pouco no preciosismo
visual.
O elenco está muito bem, Emilio
Echevaría dá um show, seu personagem ficou com emoção
na medida certa. Goya Toledo faz o possível, mas não parece ter
muito talento, e Alvaro Toledo lidera sua parte com segurança necessária.
"Amores Brutos" é
um filme de primeiríssima classe e um detalhe que é importante:
Hollywood nunca teria coragem para fazer um filme tão forte, que é
um choque na sociedade. Isso é porque todos estão sujeitos a terem
suas vidas modificadas por um simples momento, porque funciona ao expressar
o sentimento que desejava, contando com a boa exploração do roteiro
e porque conta com um belo desfecho...
E também não podemos
esquecer: porque também somos o que perdemos."