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Crítica - O Amor Está na Mesa
Henrique Miura (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 5:
"Comédia
romântica simples, modesta e, infelizmente, superficial demais. Essa produção
França/Eua tinha tudo para dar certo: um bom elenco, uma história
básica com um roteiro coerente. Porém, o diretor e roteirista
Jean-Yves Pitoun falhou em sua estréia em um longa-metragem. Autor do
roteiro e dono da direção, teria sido melhor ele ter aberto mão
da direção. Persistente e inexperiente, seu filme ficou sem identidade
e, às vezes, sem muito sentido. A boa criação do roteiro,
seja por bons diálogos e boas situações, é totalmente
jogado fora pela burocrática direção, que em apenas um
momento toma uma iniciativa de criatividade, mas o resto é comandado
pelo mais famoso diretor da atualidade: o piloto automático.
A premissa é bem legal: Loren
(Jason Lee), para não ficar parado sem cozinhar e ainda ganhar um dinheirinho
extra, resolve entrar na Marinha Americana. Tudo corre bem, porém seus
errado
pratos categóricos e finos não são bem aceitos por um dos
comandantes. Depois de discutir e usar a violência contra seu superior,
ele é dispensado da Marinha. Sem rumo, acaba retornando para casa e acaba
tudo em pizza. É quando surge a grande oportunidade de sua vida como
cozinheiro. De Nova York ele vai para a França para tentar trabalhar
para um famoso cozinheiro parisiense (Eddy Mitchell), que tem lá um restaurante.
Mas sua chegada não é das mais animadoras e ele acaba ficando
apenas para teste. O tempo vai se passando e Loren vai conseguindo se firmar
no local, sua amizade com o dono do restaurante vai aumentando e se tornando
mais humana. Claro, nem tudo para Loren é fácil. Seu sucesso desperta
a inveja em um dos cozinheiros e ele tem que começar a tolerar algumas
ofensas e o preconceito por não ser do local. As piadas são até
que engraçadas mesmo.
Você deve estar se perguntando:
onde entra a personagem da Irène Jacob nesse meio todo? A resposta é
na verdade a intenção de ser a centralização da
história. Jacob interpreta Gabrielle, filha do dono do restaurante. Quando
seu pai passa a perder a sanidade, ela que passa a comandar o local. Logo pinta
um clima entre ela e Loren e ambos parecem apaixonados. Na realidade, este romance
surge primeiramente como um triângulo amoroso, já que a garota
está noiva. Uma boa qualidade do filme é conseguir imprimir bem
o romance sem artificialismo, porém falha (e feio) em seu desenvolvimento,
que não sofre nenhum contratempo e sobrevive fácil demais. Gabrielle
tem também um grande dilema na vida: assumir ou não os negócios
do pai? Seu pai demonstra tanto amor à cozinha que ela não poderia
simplesmente largar tudo e ir embora. Existe também um levíssimo
romance entre uma das cozinheiras do restaurante e o pai da garota, mas só
serve para alguns risinhos e mais nada. Não acrescenta absolutamente
nada.
Se formos avaliar, essa comédia
romântica é 80% de puros clichês e os outros 20% de pequenos
e discretos toques de originalidade. O filme também tem seu drama porém
não convence e só serve para dar um pouco de pieguice para o filme.
Isso enche o saco, principalmente quando se trata de "lembranças".
Insuportável. Entretanto, é uma comédia mediana. Mediana
por causa do elenco bem à vontade, tendo Jason Lee (de "Procura-Se
Amy") em uma simpática atuação, Eddy Mitchell é
o que tem o personagem mais difícil de se compôr mas ele consegue
dar conta do recado, e, Irène Jacob (de "A Fraternidade é
Vermelha") segurando bem a personagem, sem cair em estereótipos
e bajulação. Alias, um dos motivos que me levaram a ver esse filme
foi exatamente a presença desta atriz, que é linda pra danar.
Ou alguém discorda?
"O
Amor Está na Mesa" é uma comédia sobre amor e comida,
então nada melhor do que ver acompanhado e com bastantes petiscos em
volta. Não é aquele romance que te deixa apaixonado e muito menos
aquela comédia que te mata de rir, porém a versatilidade do roteiro
é de boa qualidade. Esse é um dos poucos méritos do filme.
Mesmo com a direção fraca, os ótimos diálogos surgem
deliciosamente doces. Eu, particularmente, me decepcionei com o filme, porém
visto sem grandes pretensões pode até sem um bom compromisso.
Se tivesse um pouco mais de sal e fosse mais apimentado"O Amor está
na Mesa" poderia muito bem ser uma comédia romântica daquelas
super agradáveis, mas como isso não acontece não passa
de um filme bastante irregular, que é salvo por alguns detalhes. Alguns
momentos são tão piegas que é bom estar com o sal de frutas,
caso você começa a ter náuseas."