Henrique Miura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 7:

""O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" vem acumulando elogios por todo lugar que passa. Na França de origem o filme foi aclamado e teve bilheteria gorda, chegou aos Estados Unidos e conquistou o público, e ainda se tornou o filme francês de maior bilheteria no país. Mesmo o filme tendo perdido o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro ele chega ao Oscar como franco favorito e são poucas as chances de algum filme vencê-lo. Esse sucesso é merecido? Sinceramente não.

"Amélie" é de longe um filme bem feito, trabalhado e construído. Mas não é nem metade do que estão dizendo por aí. "Amélie" é um filme comum e sem grandes novidades. Traz uma pequena novidade em sua narrativa criativa e interativa, mas falha ao cair levemente na mesmice. Em seu começo o filme é conquistador e super divertido. Mas como eu disse, só no começo. Do meio para o final, "Amélie" cai em um marasmo incômodo. As piadinhas ingênuas param de funcionar e o carisma da protagonista parece desgastado e cansado. Não foi - como alguns críticos disseram -, o retorno triunfal do cinema francês.

Já falando sobre a protagonista, alguns críticos chegaram a fazer a absurda comparação entre Audrey Tautou e a consagrada Juliette Binoche. Tautou é uma boa revelação e uma boa atriz, contudo não chega nem perto de Binoche. Tautou é bem disposta e simpática, mas falta uma maior versatilidade. Um breve olhar de Binoche já nos leva a entender tudo o que a personagem encara, BORDER="0" SCROLLING="no" FRAMEBORDER="0"> já com Tautou o carisma cobre um pouco a falta de experiência da garota. Ela é bonitinha, seu francês é uma delicia, porém ainda falta aquela comunicação maior com o público. Seu saldo final é positivo, mas longe de uma Juliette Binoche. Mas com o errado tempo e uma evolução, ela deve chegar lá.

Amélie Poulain (Audrey Tautou) é uma jovem e humilde garçonete. Sua infância não foi das melhores; seu pai nunca se aproximou de verdade e só chegava perto dela para fazer exames (já que ele era médico); seu peixinho sempre tentava suicídio; e sua mãe teve uma morte trágica e estranha (acreditam, é muito estranha). Morando em Montmartre, um bairro de Paris, Amélie encontra em seu novo apartamento uma caixa que contém objetos pessoais e sua conclusão leva a crer que essa caixa é do ex-morador do local.

Amélie vai então em busca do suposto dono daquela caixa. Quando ela o encontra e nota a felicidade do homem ao rever seus objetos recuperados, algo muda em Amélie. Ela vê agora um novo sentido de vida. Ela então passa a sempre fazer o máximo para ajudar as pessoas; seja encontrando coisas pessoais; ocultando algumas coisas; juntando casais; e outras coisas. Mas falta algo em sua vida: um grande amor. Que parece ter surgido em um de seus feitos. Agora, depois de ver a felicidades de todos, ela quer a dela também.

O diretor e roteirista Jean-Pierre Jeunet faz um trabalho impressionante e bastante original. Mesmo a narração sendo didática (mas muito criativa), a inteligência que os diálogos são criados acabam valorizando mais o filme. As cenas são bem rodadas e belas. Faltou um pouco de ousadia, sem dúvida alguma. Mas vejamos, o filme é do diretor do horrível "Alien - A Ressurreição", então podemos concluir que seu trabalho evoluiu e muito. As irregularidades ficam a cargo do peso de algumas cenas que se tornam enfadonhas e da extensão da projeção, que se torna um pouco longa demais. Temos uma fotografia de muita qualidade, uma trilha sonora com boas composições ressaltando melancolia e alegria, e ainda outros bons fatores que criam uma boa impressão de "Amélie".

"O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" é um filme muito cativante e atraente. Falhou no desenvolvimento da história, que se torna muito repetitiva, o que acabou comprometendo no resultado final da película. O filme está sendo superestimado demais, em conseqüência disto cria-se muita expectativa e o resultado acaba sendo um pouco decepcionante. Recomendo ir ver "Amélie" sem esperar muita coisa, assim certamente a reação será bastante positiva. Simplificando: um bom filme e nada mais. A conferida no cinema é praticamente obrigatória, principalmente para prestigiar essa retomada do bom cinema francês."