Henrique Miura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 1:

"Horrível! Tive uma grande decepção ao terminar de ver esse "O Alfaiate do Panamá", que traz novamente Pierce Brosnan na pele de um agente espião. Desta vez ele não é James Bond, mas mesmo assim traz várias características desse famoso personagem, mas o resultado é uma verdadeira falta de identidade.

Tanto se falou desse filme que eu espera ver um filme divertido e com bastante conteúdo, mas o que vi foi totalmente o contrário às minhas expectativas. O filme, além de ser tedioso, tem um roteiro mal tratado, seja por diálogos por vezes vergonhosos ou pelas fracas situações armadas dentro da trama principal. Talvez os méritos sejam as partes onde o personagem do Brosnan dá uma de galanteador em cima das mulheres locais.

O grande dom de Andy Osnard (Pierce Brosnan)é também seu grande pesadelo. Ele, por ter se envolvido com mulheres casadas com as quais não devia, acabou sendo mandado para uma missão bem longe. Foi mandado para o Panamá para investigar os generais panamenhos. Assim, ele conta com a ajuda de Harry Pendel (Geoffrey Rush), um alfaiate local que faz os ternos desses generais. Vivendo sob chantagem (com relação a seu passado), ele não tem outra opção a não ser espionar seus clientes, ouvindo conversas que podem interessar ao Andy.

Em meio a tudo isso, Andy não perde a mania de cantar mulheres e logo uma oficial da embaixada cai em um romance com o garanhão. Como recompensa, ela presta alguns favores a ele. Mas ele também não perde a oportunidade de cantar a mulher de Harry, Louisa (Jamie Lee Curtis), que por trabalhar no Canal pode acabar ajudando um pouco.

Em meio a tanta conversa, o filme só sai realmente do lugar em sua meia hora final, e aí vira uma correria desnecessária por causa da demora do começo. O roteiro não consegue prender a atenção, procura ainda criticar um pouco os governos, mas acaba sendo bem covarde nesses momentos.

O elenco é até bem competente. Pierce Brosnan consegue fazer um personagem ao estilo 007, mas foge bem das semelhanças dos personagens. Geoffrey Rush por ter um enorme potencial decepciona um pouco, assim como a pouca presença da Jamie Lee Curtis, que foi pouco explorada.

"O Alfaiate do Panamá" fez muito barulho e apresentou muito pouco. O filme procura misturar comédia com uma trama cheia de intrigas, mas se perde em não conseguir em nenhum momento se concentrar em algo. Na parte de comédia, ele faz rir muito (mas muito) pouco e na parte intrigante de toda a trama não consegue envolver o espectador a ficar atento. O diretor John Boorman ainda tenta inovar um pouco na direção, mas parece que ele queria aparecer mais do que o filme, foi exageradamente exibido. Definindo em poucas palavras: decepcionante e chato!"