Renato Rosatti (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 8:
"Em
07/09/01 entrou em cartaz a ficção científica "Inteligência
Artificial" (A.I. - Artificial Intelligence), dirigido por Steven Spielberg,
num projeto em parceria com o genial cineasta Stanley Kubrick (que faleceu antes
do início das filmagens) a partir de uma história do escritor
Brian Aldiss. Participam do elenco o garoto Haley Joel Osment (o mesmo de "O
Sexto Sentido") em outra excelente performance, e o jovem Jude Law (do
drama de guerra "Círculo de Fogo"), além de Frances
O'Connor, Sam Robards e o experiente William Hurt. O menino Osment interpreta
o robô David, que foi criado para sentir emoções e que tem
a capacidade de amar. Num futuro não muito distante, o planeta sofreu
uma grande inundação nas cidades litorâneas devido ao derretimento
das calotas polares pelo superaquecimento do sol através do efeito estufa.
A natalidade passou a ser controlada pelos governos e as grandes empresas de
robótica criaram então andróides como filhos para as famílias
errado
que por algum motivo não podiam
ter suas crianças. O robô
David foi concebido como a mais sofisticada versão da robótica
com capacidade de sentir o amor, e ele foi então passado a uma família
cujo filho estava em estado de congelamento devido a uma enfermidade terminal,
aguardando o despertar num momento de tecnologia mais favorável à
cura. Após um tempo de adaptação para todos no relacionamento
de David com os pais (O'Connor e Robards, um funcionário da empresa que
concebeu o pequeno robô), o filho "real" do casal acaba despertando
e se junta novamente à família, gerando alguns conflitos e um
incidente que leva os pais a abandonarem David à mercê dos perigos
de uma civilização preconceituosa contra as máquinas. A
partir daí, o pequeno robô, ajudado por um outro andróide
(Law) criado como amante sexual dos humanos, parte em busca de seu espaço
num mundo hostil e seu sonho de se tornar humano e ter seu amor reconhecido
pela mãe. Os efeitos especiais são magníficos como já
é de se esperar numa produção de Spielberg, destacando-se
as cenas de uma New York inundada onde apenas os prédios mais altos estavam
acima do nível do mar, lembrando um outro filme similar, "Waterworld",
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com grandes cidades totalmente submersas. A história do robô com
sentimentos e que quer se tornar humano, no estilo do conto de fadas "Pinóquio",
lembra também outro filme de FC recente, "O Homem Bicentenário",
com Robin Williams e baseado em obra do escritor Isaac Asimov. E Spielberg sabe
muito bem como contar uma história de entretenimento, a exemplo das outras
ficções científicas que dirigiu, "Contatos Imediatos
do Terceiro Grau" (1977) e "E.T., o Extraterrestre" (1982), de
onde percebe-se inspirações para esse "Inteligência
Artificial". Ele abusou um pouco do sentimentalismo e o filme se arrasta
em alguns momentos em seus longos 146 minutos, e certamente se Kubrick ainda
estivesse vivo, com sua visão de um mundo decadente e com pouco espaço
para conclusões otimistas e "felizes", o filme tomaria outros
rumos. Mas, como cinema de entretenimento, a especialidade indiscutível
de Spielberg, ele funciona bem e cumpre seu papel."