Róger Ravanelli, Leitor do Adoro Cinema - Nota 0:

"O máximo que pode-se dizer deste filme é deprimente. São duas horas e meia da preciosa vida do espectador jogadas no lixo ao ver essa bomba chamada "Inteligência Artificial", feita com o dom natural e divino que o diretor tem de enganar o público com os costumeiros besteirois sentimentais. E para piorar a situação a dupla Spielberg e Kubrick deu as mãos nesse filme, juntou o lixo com a porcaria. Pior que os dois, só Zezé de Camargo e Luciano. Kubrick é o fazedor de vazios, ele constrói um vácuo sem rumo nem prumo onde existe matéria de boa qualidade e um legião de pseudo-intelecutais costumeiramente aplaude até seu flatos.

"Inteligência Artificial" é uma historinha ordinária, nela o empenho dos cientistas em fazer robôs humanóides deve-se ao fato das calotas polares terem derretido e metade do mundo transbordar afogando seus habitantes, sendo necessário a construção das máquinas por uma questão sentimental e acimentar o vazio deixado pelas almas que se foram. Motivo mais idiota não poderia haver! Quem tem pouca ou nenhuma percepção acredita mesmo que esse seria o motivo principal de se construir robôs, descartando o trilionário comércio envolvendo essas máquinas.

Mas esquecendo o dinheiro, o roteiro tenta questionar a substituição do ser humano por uma máquina e sua capacidade de poder vir a ter sentimento e comportamento semelhante aos humanos. Dizem que a idéia do filme é original, mas ao reparar com mais atenção o espectador poderá perceber que esse filme é uma deformação do excelente "Blade Runner", o qual foi cinicamente copiado e esticado.

David (molequinho de "O Sexto Sentido") é um robô-meca comprado por um casal para substituir o filho doente. Aí começa o dilema que faz Shaekspeare revirar no túmulo, "ser ou não ser". O camaradinha David tenta transpôr os limites máquina-humano e através do seu software transfomar seus sentimentos artificiais em algo natural. A história de Pinochio, o boneco de madeira que queria ser tornar gente, é pano de fundo desse dramalhão miserável, pois David, assim como Pinochio, tenta virar gente e parte em busca desse objetivo que é achar a "Fada Azul", personagem que transforma Pinochio em menino, na possibilidade de acontecer o mesmo consigo.

O personagem-robô de Spielberg é o mais burro e patético já visto nas telas, ele deveria se informar com James Cameron como se faz um robô para as telas do cinema ou então assistir Futurama e conhecer o Bender. David é um produto de altíssima tecnologia dotado de inúmeras falhas, não técnicas mas criadas pelo diretor, que parece ser totalmente leigo no assunto robótica e inteligência artificial.

Spielberg produziu uma porcaria sem igual, um roteiro medíocre que foge a todos os padrões e teorias do que seria realmente a sociedade com a criação de robôs com aspectos e comportamentos humanos. Nem vale estender o assunto sobre isso, porque o dejeto produzido não merece. Chega a um ponto que o diretor perde completamente o raciocinio e embola todo o roteiro, a história se perde deixando o espectador a deriva de um embuste sobre ficção cientifica. As cenas lentas são um convite para acelerar a fita, pois são desesperadoras e a angústia pelo fim do filme aumenta a cada segundo, pois ver o moleque-robô ir atrás da Fada Azul no fundo do mar com seu ursinho Teddy é torturante. Tortura resume bem esse filmeco, que nem de longe chega a ser aperitivo de ficção cientifica muito menos uma filosofia vagabunda.

O cidadão que assistiu essa bosta tem um prejuízo imenso. Não se trata do dinheiro perdido com essa bomba, mas sim das preciosas duas horas e meia da vida que foram perdidas assistindo a essa avacalhação que nunca mais irão voltar e poderiam ter sido infinitamente melhor aproveitadas. Deveria haver uma indenização para cobrir tamanho prejuízo de quem assistiu essa palhaçada.

Se alguém deseja procurar mais informações sobre como seria a vida com robôs e uma visão futurista sobre esse assunto, basta pegar um dos bons livros de Isaac Asimov. Tem trouxa que acha o filme uma obra de arte, é tão obra de arte quanto um cidadão cagar plantando bananeira! Não caia na armadilha de assistir este filme, feito pelo maior enganador de Hollywood."