Breno Moura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:

"O silêncio. Na sala de projeção ouvia-se apenas a voz de David, o menino-robô que amava com uma sensibilidade rara entre os próprios humanos. Mas, o que é ser humano? Será o melhor da vida? Talvez não. Nossa ignorância, nosso egoísmo e nossa falta de amor nos fazem ser repugnantes até para seres que foram criados por nós mesmos, numa tentativa de brincar de Deus e de manipular os sentimentos. Mas David não se interessa por nossa falta de responsabilidade, nossa ganância. Ele quer ser amado. Como todos os outros, humanos, claro. E ele vai em busca de seu sonho. Se tornar real. Mas ele não precisa. Ele já é. David tem o sentimento que nos falta, o Amor. Mesmo assim, ele deseja se transformar como Pinóquio, pelas mãos da Fada Azul.

Certamente se David não fosse incorporado por Haley Joel Osment, "A.I. - Inteligência Artificial" seria uma porcaria. É impressionante como Haley consegue mudar de uma expressão quase robótica para uma realmente humana. Ele (David) chega a ser mais humano do que os outros, demonstrando sentimentos mais variados e singelos. Haley merece desta vez a estatueta dourada de melhor ator. Ele nos transmite leveza e simplicidade, o que muitos veteranos atores ainda tentam. Jude Law está no papel certo e merece uma indicação. A maquiagem sobre ele é muito realista e plastificada. Maquiagem e efeitos especiais caminham harmoniosamente em "Inteligência Artificial", os dois são excelentes. Destaque para os efeitos especiais na extinta Ilha de Manhattan e seus prédios. Trilha sonora, montagem e fotografia são mais que corretos. Nunca vi um retrato tão fiel e pessimista do nosso futuro.

Quanto a Steven Spielberg, não há palavras. Há uma perfeita harmonia entre o elenco e tudo em volta dele. Esse, com certeza, é o trabalho mais emocional e singelo de Spielberg e o mais pessoal de Stanley Kubrick. Muitos reclamaram do final. Foi fantástico, espetacular. A fábula do menino-robô estava BORDER="0" SCROLLING="no" FRAMEBORDER="0"> completa. Um rasgo à nossa genialidade, mas ao mesmo tempo nossa ignorância. David finalmente dormiu. Para sempre.

"A.I. Inteligência Artificial" não é para ser visto, e sim, sentido. Não vá com a cabeça, vá com o coração. Indiferente ninguém vai sair. A mensagem, ou melhor, a poesia toca nossa alma e a transforma. E depois, vamos querer, certamente, ser David."