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Crítica - A.I. - Inteligência Artificial
Diego Custódio Borges (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:
""A.I."
ao final, quando as luzes se acendem no cinema, parece um filme chato, bobo
e muito sentimental para outros. Entretanto, a ingenuidade é acreditar
no sentimentalismo aparente do filme. Ele é extremamente cruel. As cenas
finais parecem realmente um final feliz, quando tudo se realiza para David (Osment
em uma atuação magnífica). Mas não é algo
tremendamente insano pensar na determinação de uma máquina
para chegar aquilo? O amor eterno por apenas algumas palavras e gesto... o amor
de David por sua mãe, esse sentimento que maltrata a todos e nos faz
felizes não se mostra em sua face mais fria, triste e seca no menino
que foi construído somente para amar? Não é esse realmente
o objetivo do filme, mostrar o antagonismo desse sentimento? E nos mostra como
no antogonismo de Spilberg e Kubrick, que terminam se complementando como duas
faces de uma mesma moeda. Enfim, a primeira parte do filme, a introdução
do robô na família devastada por uma tragédia familiar é
estranha e nos mostra essa artificialidade das máquinas. Mônica,
a mãe que tem o filho congelado por os médicos não saberem
a cura para a sua doença, está à beira da loucura e seu
marido Henry recebe um "presente", o garoto-robô David da sua
firma. E tudo transcorre com a adaptação do robô até
a total afeição de Mônica com o garoto. Aí o filho
sai da criogenia e começam os conflitos, se revelam a crueldade e ingenuidade
das crianças. Por fim, ele é abandonado em um mundo sem rumo e
nexo, um planeta desequilibrado por tantas catástrofes. Encontra outros
robôs como o Gigolo Joe (Jude Law, muito bem também) e vislumbra
que os robôs se tornaram tanto o ódio como o pão e circo,
e novos "escravos" dos seres humanos. E David ali com seu ursinho
falante, Teddy, um super brinquedo da época, tentado entender as pessoas
e alcançar seus sonhos de se transformar em garoto de verdade, como Pinóquio
com a fada azul . E vai a sua procura em uma Manhatam destruída e lá
mais uma vez nos deparamos com a selvageria do capitalismo em relação
a questões éticas e morais essencialmente humanas em relação
ao robôs. Terminando em um final não como um final de novela, mas
sim como a redenção, a sobrivência dos sonhos. Apesar de
tanta destruição que a humanidade pode nos trazer."