Adorável Vagabundo

Adorável Vagabundo 2010-05-22 Francisco

Título original: (Meet John Doe)

Lançamento: 1941 (EUA)

Direção: Frank Capra

Atores: Gary Cooper, Barbara Stanwyck, Edward Arnold, Walter Brennan.

Duração: 123 min

Gênero: Drama

Status: Arquivado

5           10 3 5

(3 votos)

                   

Sinopse

Quando Henry Connell (James Gleason), seu editor, a demite, Ann Mitchell (Barbara Stanwyck), uma jornalista, publica sua última matéria, uma carta criada por ela e assinada por John Doe comunicando que cometerá suicídio no Natal em protesto contra corrupção e a pobreza, que invadem o país. Isto gera várias reportagens, nas quais Ann denuncia as injustiças sociais. Tal fato leva o jornal a procurar alguém para representar John Doe e o escolhido é Long John Willoughby (Gary Cooper), um vagabundo. Mas a popularidade de John cresce de tal maneira que os fatos saem do controle.

 

Elenco

Gary Cooper

(John Doe / Long John Willoughby)

Barbara Stanwyck

(Ann Mitchell)

  • Edward Arnold (D.B. Norton)
  • Walter Brennan (Coronel)
  • Spring Byington (Sra. Mitchell)
  • James Gleason (Henry Connell)
  • Gene Lockhart (Ted Sheldon)
  • Irving Bacon (Beany)
  • Regis Toomey (Bert Hansen)

Comentários

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Rubens C.E. Santo em 05/01/2001Nota: 5     

A primeira vez que assisti ao magnífico Adorável Vagabundo foi na minha juventude, em plena adolescência; período em que muito da formação do jovem sofre influência do meio em que vive. Lembro-me que foi numa dessas famosas Sessões da Tarde; tempos em que a TV passava bons filmes para bons moços assistirem. Hoje, infelizmente, passa maus filmes para a formação de maus moços para a sociedade. Até parece que os programadores de filmes para TV pensam que os jovens de hoje são débeis mentais e não têm opinião própria; e por isso ficam entulhando-os de mais e mais violência, pornografia, distorção dos valores humanos e todo o tipo de imbecilidade e estupidez. Felizmente, os jovens de hoje não são nem um pouco débeis mentais (assim como nunca foram!), e muitos dão o grito de liberdade cinematográfica ao pesquisarem atentamente o que existe de bom sob a poeira do tempo destes filmes antigos e em preto e branco e que os críticos chamam de clássicos do cinema. Já tive oportunidade, mais de uma vez, de constatar a satisfação de alguém que descobre um tesouro; é um sorriso radiante e indescritível, que cartão de crédito algum pode pagar. A descoberta de que, necessariamente, não é obrigado a gostar apenas da arte do seu tempo; mas sim, de que a arte de qualquer época lhe pertence, de que não é obrigado a ficar submetido à manipulação de péssimo gosto da programação televisiva, de que existe uma locadora logo ali na esquina! É exatamente disso que trata o filme, da manipulação do público pela mídia. Precisamente da mídia escrita; e o que é pior, por uma mulher, por uma jornalista que na iminência de demissão, publica sua última matéria, um grito no estertor da morte. Uma famigerada carta criada por ela mesma e assinada por um tal John Doe comunicando que cometerá suicídio na noite de Natal em protesto contra a corrupção e a pobreza que assolam a América. A América que caminhava na dureza dos Anos de Depressão, a América que sofria o golpe desferido pela economia em baixa e o desemprego em alta, a América dos homens e mulheres em caravanas (Ver: As Vinhas da Ira, de John Ford) ora para o sul, ora para o norte; em busca de empregos e a dignidade restabelecida. A dignidade e o orgulho de viver num país das oportunidades, num país onde o trabalho e o trabalhador eram abençoados. A mesma América dos poderosos, dos corruptos, dos manipuladores; mas também dos sonhadores e idealistas; e por fim, dos Joões Ninguém dos becos e calçadas das grandes e pequenas cidades. Nesta América que Ann Mitchell (Barbara Stanwyck, no auge de sua beleza) lança sua cartada final naquilo que era sua luta para manter-se em pé no caos que assolava o desemprego no país. Não ponderou sobre sua atitude e não imaginou sobre suas conseqüências. Criou um mito que para alguns era um monstro, mas que para a maioria do povo americano era uma bandeira de esperança numa época desesperançada. Como cada povo tem o herói que precisa e cada herói tem o povo que merece; em pouco tempo, do nada, o nada, passou a existir. Instituições, comitês, associações, clubes e todo o tipo de comunidade de momento insurgem em defesa do herói nacional, onde em cada semblante, John Doe passa a ser alguém e como tal existe, de fato, e não pode ser morto, a não ser que se suicide na noite do nascimento de um outro Salvador, que parece, poucos se lembram. Como diz a famosa frase de O Homem Que Matou o Facínora, de John Ford, se a lenda se torna fato, imprima a lenda. Diante disso, Ann (a mando do jornal) tem que buscar um rosto e um corpo para sua criação e encontra no vagabundo (um fracassado ex-jogador de beisebol) Long John Willoughby (Gary Cooper, fantástico!) a personificação que procurava. Arrasta-o para o delírio de sua criação, mas a popularidade de John Doe cresce de tal modo que fica difícil manter o controle da situação. De um lado é o povo que busca no herói o antídoto para sua desgraça, de outro são os poderosos e manipuladores que não querem perder a chance para tirar algum proveito de todo aquele tumulto social. Surgem como donos e senhores do criador e da criatura e os submetem ao poder de suas vontades capitalistas. Manda quem pode e obedece quem tem juízo. Mas parecia que John Doe não tinha juízo; ou melhor, tinha, isto sim, dignidade e orgulho de ser um cidadão americano. Por isso, caminhamos para o último ato. Cena final; John Doe vai se atirar no vazio para poder encher o vazio da existência de muita gente, e ao mesmo tempo esvaziar a prepotência daqueles que se julgam os Senhores, os Donos da América. O que todos se esqueceram é que dentro daquele corpo de ninguém, existia alguém que tinha suas próprias opiniões acerca de todo aquele drama. Apenas seu fiel escudeiro (Walter Brennan, competente como sempre) o conhecia de fato, e apenas a sua criadora ele o deu a conhecer de fato; e isto o seu olhar carregava para o ato derradeiro. Neste momento, o coração de Ann Mitchell bate descompassadamente e numa noite em que a morte aguardava ansiosa, calçada abaixo, a vida ressurge nesta noite que é, na verdade, de vida, e vida nova para quem encontra a redenção. Um final maravilhoso, só não é o melhor final do cinema, porque existem Casablanca, ...E o Vento Levou, etc. Frank Capra, mestre em retratar o anseio do povo americano, soube como utilizar-se do roteiro de forma positiva; não para manipular as pessoas, mas para enchê-las de esperanças em si próprias e no país em que viviam. Apesar de continuamente ser taxado de utópico e manipulador dos sentimentos do povo americano, não dúvida de que na balança da verdade, Frank Capra sai ileso e com a dignidade sem nenhum arranhão. Sua obra se caracteriza por ser um alerta ao retorno dos valores éticos e morais e Adorável Vagabundo é um clássico exemplo disso e que ajudou a fomentar um grande otimismo na época da Depressão. Adorável Vagabundo é um dos meus 10 filmes preferidos, e acredito, de muita gente.

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Adriano Barbosa em 04/01/2001Nota: 5     

É Frank Capra em seu idealismo arrebatador e comovente.É a interpretação tocante de Gary Cooper como um homem simples do povo(john doe).É a magia do cinema nos mostrando que podemos ser melhores do que já somos. Inesquecível.

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Crosley Rodrigues Gomes em 03/01/2001Nota: 5     

Quando falamos de Frank capra fica difícil de se encontrar defeitos em uma produção e com essa não foi diferente é incrivel como Frack Capra consegue de uma forma tão sutil e engraçada de mostrar os grandes problemas que assolam a sociedade mundial, o filme apesar de muito engraçado não de forma nenhuma de mal gosto para quem hoje é obrigado a ver comedias de Roberto Benigni tentando tirar humor de um asunto complexo como o nasismo e fazendo um filme de estremo mal gosto nos ter mais saudades de Frank Capra.

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