Henrique Miura (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 8:
"Clássico
absoluto vencedor de 8 Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, "A
um Passo da Eternidade" é formado por cenas memoráveis e
marcantes, principalmente a famosa cena do beijo na praia e os ataques japoneses.
Contando com um super elenco de peso, Fred Zinnemann fez um trabalho de extrema
competência utilizando o estratégico roteiro de Daniel Tadarash.
Algumas quebras de ritmo chegam a incomodar um pouco, mas nada que chegue a
ser muito prejudicial para a finalização redondinha.
Baseado no livro de James Jones,
o filme narra a história de Prewitt (Montgomery Cliff), que é
transferido para uma base militar no Havaí. O capitão do local
sabe que ele é um grande lutador de boxe, mas Prewitt se nega a lutar.
Com esta atitude, ela passa a ser maltratado no local, sendo praticamente um
empregado doméstico. Mesmo assim ele consegue uma forte amizade com Maggio
(Frank Sinatra), que o leva para conhecer um bordel. Lá Prewitt conhece
uma protistuta pela qual se apaixona e Maggio compra uma briga feia com o sargento
Fatso (Ernest Borgnine). Enquanto isso, o Sargento Warden (Burt Lancaster) começa
um relacionamento com a esposa do capitão.
Fred Zinnemann usa e abusa de sua
extraordinária produção para dar o maior realismo possível
para o filme. Os dois romances são envolventes e cativantes. Mas quando
o filme tenta fugir um pouco de suas bases de romance ele falha, principalmente
quando tenta construir uma rivalidade entre o protagonista e um dos comandantes.
Outro ponto negativo do filme é algumas coisas que surgem com um certo
artificialismo, como por exemplo toda a história envolvendo a briga entre
Maggio e o capitão. Não consegue aparecer de maneira natural.
Talvez sem o grande elenco que tem
"A um Passo da Eternidade" nem seria um ótimo filme como é.
Burt Lancaster e Deborah Kerr protagonizam uma cena fantástica na praia,
além de encantar e emocionar em seus romances. Uma expressão,
um jeito, um caminhar, tudo parecer ser bem real no amor entre eles, as melhores
atuações do filme. Montgomery Cliff também faz um trabalho
fantástico, principalmente se levar em conta a dificuldade do personagem.
Frank Sinatra tem uma atuação de coadjuvante presente, mas o personagem
não é dos melhores. Porém, ele o conduz bem, o que acaba
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até enganando o artificialismo do personagem.
A produção é
fabulosa, desde a fotografia encantadora de Burnett Guffey até a ótima
trilha sonora de George Duning. A direção de arte feita por Cary
Odell é bem concreta e trabalhada, assim como o detalhado trabalho de
figurino corteziado por Jean Louis. Quem saiu ganhando com esse time perfeito
foi o diretor Zinnemann, que não desperdiçou essa brilhante produção.
"A um Passo da Eternidade"
é um clássico marcante que mistura drama, guerra, romance e até
mesmo comédia como poucos filmes conseguiram até hoje. Méritos
para Fred Zinnemann, que só falhou um pouco no ritmo do filme, que às
vezes se torna um pouco cansativo e arrastado. Mas quando chegam os ataques
em Pearl Harbor é difícil não ter toda a atenção
voltada ao filme. Uma seqüência fantástica, principalmente
se levar em conta que o filme é de 1953. "A um Passo da Eternidade"
tem lá seus diálogos patrióticos, mas não irritam.
Para quem gosta de um bom romance, esse clássico é precioso."