Henrique Miura (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 4:
"Não
foi desta vez que encontrei o porque esse Neil Jordan tem tanto prestígio.
Aqui ele trabalhou com o roteiro lotado de furos, erros absurdos e ainda superficial.
A solução que ele encontrou para esse problema foi o grande mérito
do filme. Criou uma atmosfera sufocante, obscura, macabra, mas foi só,
não conseguiu dar para a história uma continuidade. O Neil Jordan
joga na tela um monte de cenas vazias, tentando causar algum impacto no espectador.
Visualmente pode até enganar, mas pensando sobre o que se trata o filme
ficamos apenas com interrogações na cabeça.
Se o roteiro falha pelo seu conteúdo,
a direção pelo exagero e pela enganação, a salvação
poderia vir de seu elenco, mas também não acontece. Annette Bening
é uma atriz fantástica, mas errou feio ao aceitar fazer essa micro-bomba.
Sua personagem é extremamente caricata, mesmo assim ela consegue algumas
boas passagens durante o filme, mas são poucas, na maioria das vezes
exagera e compromete. Outra bola fora foi o Robert Downey Jr, além de
aparecer pouco, quando aparece é para estragar o que já não
era bom. Aidan Quinn surpreendentemente ainda tenta manter o bom senso das atuações
e pelo menos consegue um bom desempenho solitário.
Claire (Annette Bening) tem freqüentemente
sonhos com uma garotinha sendo levada por uma mão. Ela imagina que essa
garota seja uma que desapareceu. Ela só descobre que não era essa
garota quando sua filha é levada após uma festinha. Quando o corpo
de sua filha é encontrado, Claire fica totalmente perturbada e continua
tendo os sonhos.
Aqui vai uma dica, prestem atenção
em todos os sonhos, pois em alguns deles se revela o final, o que deixa o filme
cada vez mais previsível e arrastado. Isso não foi um erro, mas
foi feito da maneira errada, pois o filme insiste tanto nisso que acaba ficando
evidente maior importância desse fato na história.
O roteiro é lotado de furos,
revela mistérios sem graça nenhuma e acaba deixando muitas dúvidas
para o expectador se decidir sozinho. Além disso, o filme vai além
do inverossímil.
"A Premonição"
é um filme extremamente fraco. A história poderia render em excelente
filme psicológico, mas ele preferiu ficar perdendo tempo em clichês
batidos, como "ela falando e ninguém acreditando", e quando
o filme vai tomar uma atitude de verdade, ele acaba! Por isso é que não
sei aonde encontram tantos elogios ao Neil Jordan, tecnicamente ele até
que se sai bem mas não consegue contar uma história, não
consegue construí-la com eficiência. A trilha sonora do Elliot
Goldenthal é de muito mau gosto, salva a direção de arte
competente! Outro filme que mereceu o fracasso!"