Macu, vivido por Caio Blat, viveu na periferia de São Paulo durante toda a sua vida. Durante uma festa de aniversário, organizada pela sua mãe, Dona Sonia (Cássia Kiss), ele encontra dois amigos de infância, que há muito tempo moram fora da do bairro de Capão Redondo. Um deles é Jaiminho (Jonathan Haagensen), hoje morando na Espanha, onde está sob contrato com um clube de futebol. O outro é Pibe (Sílvio Guindane), que ganha seu pão de cada dia trabalhando como vendedor de seguros.
Mesmo há tempos fora do bairro de Capão Redondo, os três amigos ainda têm muitas contas para acertar. O que ninguém da família suspeita é que Macu ainda tem enormes dividas pendentes com a gangue do tráfico de drogas local. Jaiminho também tem suas pendências pessoais. O filme lida com diferentes plots: as questões social, pessoal e moral. Macu se vê confrontado com a questão da fidelidade e fica numa encruzilhada entre a criminalidade e a amizade por Jaiminho.
O Capão Redondo é um bairro onde mais de 1.100 pessoas foram assassinadas desde o ano 2000, sendo que 465 delas tinham idade abaixo de 24 anos.
Bróder não "só" tem o aval de qualidade por ter sido projetado na mostra paralela Panorama, do Festival de Berlim deste ano, mas tem também o aval de Cacá Diegues e Daniel Filho, produtores associados. A Sony Pictures se encarregou da distribuição e a estreia do filme está marcada para o mês de agosto.
O Adoro Cinema entrevistou o diretor Jefferson De, presente em Berlim neste ano para exibir seu longametragem de estreia. A segunda parte da entrevista você confere logo abaixo, enquanto que a primeira pode ser lida aqui.
Adoro Cinema: Fala pra gente dos teus futuros projetos.
Jefferson De: São três projetos. Em um deles sou apenas produtor. O filme se chama Papo de Menina. Uma história que se passa dentro de um presídio de meninas adolescentes negras. É um filme que discute sobre a beleza. É muito fácil discutir e falar sobre a beleza quando você tem liberdade total, não precisa usar uniforme, não tem horário estipulado para nada. A Cristiane Arenas, que é diretora do projeto, me contou que queria fazer um filme de ficção com algumas situações reais. Em decorrência disto fui conhecer esse presídio, a casa que moram essas meninas: Fundação Casa, onde teve rebelião agora durante o Carnaval passado. Antes de tudo eu fiquei fascinado com a beleza das meninas e como elas são articuladas. Quase todas estão presas lá, em geral por conta do um amor dedicado a um homem que é traficante e por uma certa fidelidade a ele. Elas em muitos casos acabaram assumindo toda a culpa de um crime, principalmente pelo tráfico de drogas, em nome de um amor. Um filme muito bonito. É uma história de amor e eu fiquei apaixonado por ela. Papo de Menina.
Meu segundo projeto é um filme chamado Francisca, inspirado na história da Xica da Silva, que todo mundo conhece do filme do Cacá Diegues e também por causa da novela do Walter Avancini. Só que esses dois trabalhos foram feitos há muito tempo atrás. Nos últimos anos muitos pesquisadores têm se dedicado a estudar a história dela. Uma dessas pesquisadoras é da Dra. Joana Furtado. Eu tive acesso ao livro dela, li e fiquei fascinado. Descobri muitas coisas novas, fiquei fascinado com a história dessa mulher chamada Francisca. Ela teve 13 filhos, foi casada 15 anos com o João Fernandes. Tiveram uma história de amor incrível. Ela nunca foi amante dele, eles simplesmente não podiam casar porque ela era negra e ele brasileiro, descendente de português. Moraram 15 anos juntos e a igreja os proibia de casar e de assumir uma relação pública. Era talvez a região mais rica do mundo nesse período, de onde saíam todos os diamantes que enfeitavam o pescoço de Maria Antonieta.
Na minha cabeça de criador a Xica da Silva escolhia os diamantes que iriam para a Maria Antonieta e quais ficariam pra ela. Cacá (Diegues) é uma das pessoas envolvidas neste projeto e ele diz que este filme é sobre a formação do Brasil. A maneira brasileira de ser. Com esses 13 filhos, todos marrons, mas boa parte dos homens foi educada em Portugal e as meninas todas educadas no convento.
AC: Como você escolhe as tuas histórias? Você se deixa inspirar pelo que passa a sua volta?
Jefferson: Eu acho que elas me escolhem. Não é muito racional a escolha. Gosto muito de histórias de amor, de histórias que falam de humanidade. O que me interessou muito é a história de uma família chamada Assis Moreira, da qual o filho mais famoso é o Ronaldinho Gaúcho. Quando eu conheci a biografia do Ronaldinho Gaúcho, dele como caçula desta família, me perguntei: como tantas tragédias podem estar ligadas a tantas coisas bonitas, na mesma família? Isto é história brasileira, história da humanidade. Todas as coisas pelas quais o Ronaldinho Gaúcho passou são muito universais. São histórias de dor e felicidade.
A minha maneira de escolher um filme é pensando em que filme eu queria ver. Eu faço filmes que queria ver. Eu pagaria pra assistir o Bróder (risos). Eu pagaria pra ir lá ver. Talvez assim como com as canções. Algumas canções que eu ouço, por exemplo, são tão boas que às vezes acho que fui eu que as fiz. Djavan fez todas as músicas que eu gostaria de fazer. Baden Powell toca violão como eu gostaria de tocar.
AC: Você já foi incógnito ao cinema, para ver a reação do público?
Jefferson: Já fiz isso no curta-metragem. Estou muito curioso pra entrar no cinema, pagar ingresso. Lá na periferia, num cinema mais distante do Centro, pagar ingresso, sentar e assistir. Eu tive um pouco desta experiência aqui na Panorama, mas como eu me apresentava no início da projeção, dando boas vindas às pessoas, depois que eu me sentava todo mundo já sabia quem eu era. Mas eu pretendo comprar um ingresso, sentar. Vai ser uma experiência interessante.
AC: Muitíssimo obrigada pela entrevista, por estar aqui conosco no Adoro Cinema. Tudo de bom pra você e nos mantenha informados do que está acontecendo na tua carreira. Muitíssimo obrigada.
Jefferson: Obrigado, Fátima, obrigado a todo mundo que está aí no site, o qual eu sou um assíduo frequentador. A gente se vê em alguns cinemas por aí.
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felipe
Glauber foi talvez o maior diretor nacional antes da retomada. Seu cinema de critica social e com fortes traços nordestino conquistou pessoas no mundo todo, inclusive o diretor americano Martin Scorsese é fã de Gluaber Rocha. realmente um diretor que deixou sua marca.
Rafael Vespasiano
O dragão da maldade contra o santo guerreiro:
Outro clássico do Cinema Novo e outra obra-prima de Glauber Rocha; interpretações magníficas de Maurício do Valle, Odete Lara, Hugo Carvana e Jofre Soares. O pistoleiro Antônio das Mortes recebe a incumbência de eliminar um bando de jagunços que estão praticando atrocidades na região; um tema sertanejo, que permanece atual: a violência no sertão, coronéis, jagunços, mortes, tudo acontece no sertão nordestino, e a lei (polícia) não existe, mas sim a lei do mais forte e poderoso, aquele que pode mais prevalece (os coronéis), ou seja, os poderosos, enquanto os pobres vivem na miséria e pobreza e são vítimas de violência, sem que ninguém os ajude ou tenham compaixão deles; até que surge Antônio das Mortes para fazer justiça com as próprias mãos e os defender de certa forma; o filme é sensacional, com direção impecável de Glauber. Nota: 10!