A mais famosa musa do diretor símbolo do "Novo Cinema Alemão" será homenageada no 60º Festival de Cinema de Berlim com o "Urso de Honra", prêmio oferecido a personalidades pela sua contribuição à arte cinematográfica ao longo dos anos.
Hannah Schygulla (foto), 67 anos, iniciou sua carreira por conta de Fassbinder, que literalmente a carregou para o chamado "Teatro de Ação" na cidade de Munique, no sul do país. Fassbinder, famoso por filmar compulsivamente, teve Schygulla em 20 dos seus filmes.
Acompanhando a premiação da musa, que acontece no dia 18 de fevereiro, o cinéfilo presente em Berlim terá o prazer de rever algumas obras do diretor, como Rio das Mortes (1970/71) e O Casamento de Maria Braun, que trouxe à atriz (hoje mal conhecida em terras alemães) o Urso de Prata como melhor atriz no Festival de Berlim de 1979, aquele mesmo que Fernanda Montenegro levaria em 1998 pelo papel de Dora em Central do Brasil.
Na seção "Berlinale Special" será apresentado também o filme Lili Marlene, pelo qual, na época, a critica especializada a rotulou como a sucessora de Marlene Dietrich, a diva de pernas longas dos anos 30. A comparação é infeliz. Enquanto Marlene Dietrich, na melhor tradição prussiana da garota serelepe, é extrovertida, expansiva e sem quaisquer papas na língua, Schygulla tem um forte lado intimista, um olhar reflexivo, misturados com movimentos expansivos, influência que trouxe do teatro.
Dieter Kosslick, cabeça e coração do festival, comenta: "Hannah Schygulla representa ao mesmo tempo renovação e novas linguagens cinematográficas. Seu nome é inseparável com o nome de Fassbinder".
Depois da morte precoce do jovem Fassbinder, em 1982, a atriz trabalhou com os mais importantes diretores contemporâneos do velho continente. Entre outros, Jean-Luc Godard, Carlos Saura e Marco Ferreris, direto Storia de Piera. Com esse papel ela levou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes, em 1983.
Depois de um longo afastamento das telas, a atriz, hoje radicada em Paris, voltou há pouco tempo às telas no filme Do Outro Lado, do diretor alemão de descendêcia turca Fatih Akin, um dos mais instigantes diretores da atualidade e vencedor do Urso de Ouro em 2004, com o filme Contra a Parede.
No dia 18 de fevereiro, no reta final do festival, Hannah Schygulla receberá o prêmio frente ao público. O diretor Dieter Kosslick, tradicionalmente com seu cachecol vermelho, é presença garantida em seu papel único de mestre de cerimônias.
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