A recente tragédia que abalou o Japão e o mundo inspirou a mostra "Japão: entre Hiroshima e Fukushima", que o Instituto Moreira Salles realiza de 12 a 14 de abril.
Produtor de inúmeras obras audiovisuais sobre o medo de uma tragédia, seja ela nuclear ou não, o Japão expressou esse temor na televisão em diversos seriados, como o saudoso Ultra-Man e também no cinema em filmes, como Anatomia do Medo, de Akira Kurosawa, onde um homem em pânico, diante da ameaça de uma explosão atômica, tenta convencer a família a viajar para o Brasil. Além deste título, Mandadayo (foto) e Rapsódia em Agosto também fazem parte da mostra.
O evento prevê a exibição de nove filmes de outros diretores japoneses, como Kenki Mizoguchi, Yoji Yamada, Kaneto Shindo, Shinji Aoyama, Hirokazu Kore-eda e Yasujiro Ozu. Para os visitantes, a oportunidade é interessante do ponto de vista cinematográfico e econômico. Afinal, um passaporte para 10 sessões - em quaquer mostra de abril - custa apenas R$ 15,00. O ingresso normal sai por R$ 10,00 (inteira) e R$5,00 a meia entrada. O IMS fica na Rua Marquês de São Vicente, 476, na Gávea, no Rio de Janeiro.
PROGRAMAÇÃO
Terça-feira - 12
14:00 - Bom Dia (1959) - Yasujiro Ozu
15:45 - Madadayo (1993) - Akira Kurosawa
18:15 - Filhos de Hiroshima (1952) - Kaneto Shindo
20:00 - O Samurai do Entardecer (2002) - Yoji Yamada
Quarta-feira - 13
14:00 - Mulheres da Noite (1948) - Kenji Mizoguchi
16:00 - Rapsódia em Agosto (1991) - Akira Kurosawa
18:00 - Anatomia do Medo (1955) - Akira Kurosawa
19:45 - Tão Distante (2001) - Hirokazu Kore-eda
Quinta-feira - 14
14:00 - Eureka (2000) - Shinji Aoyama
andré luiz
Akira juntamente com seus filmes passou dos limites da telona para representar a cultura japonesa. Seus filmes, de uma abordagemideológica e psicológica, refletem o pensamento universal, e encantaram não só o Oriente como também o Ocidente. Para quem quer conhecer o cinema por Kuroshawa, indico: Kagemusha.
Rafael Vespasiano
Rapsódia em Agosto:
Mostra-se nesse filme que a ferida aberta pelas bombas atômicas lançadas contra as cidades de Nagasaki e Hiroshima, pelos americanos durante a Segunda Grande Guerra, teimam em não cicatrizar. De forma humana, sensível e comovente Kurosawa explora esse tema, sem cair na mesmice dos outros filmes sobre esse mesmo assunto. Ótimo!
nota: 8,0.
Rafael Vespasiano
Trono manchado de sangue:
Uma excelente adaptação para o cinema da tragédia "Macbeth" de Shakespeare. A base da trama da peça é mantida por Kurosawa, mas ele transfere a ação para o Japão dos samurais, incrível originalidade é demonstrada pelo diretor nessa relocação da ação; originalidade também demonstrada em várias cenas do filme, Kurosawa é o maior diretor japonês até hoje por essas circunstâncias. nota: dez!
Rafael Vespasiano
Yojimbo:
Uma história de samurai, só que transformada em comédia, pois Yojimbo se aproveita da situação de conflito numa cidade entre facções rivais, para ganhar dinheiro, mas sempre ele demonstra bom humor e sempre dá "tiradas" irônicas e sarcásticas. O humor fino e irônico é a característica primordial do filme. nota: 7,0.
Luiz Carlos Lopes
Akira Kurosawa foi um dos poucos diretores que conseguiu unir sensibilidade, dramaticidade e violência num único vácuo de interpretação. Sua genialidade ultrapassa fronteiras e, talvez, tenha sido inspiração para os mais acidentais como Steven Spielberg, Francis Ford Coppola e Bernardo Bertolucci. Ele criou sensações únicas na telona como no seu último lance magistral em Madadayo. A idéia dos ex-alunos em preparar o velho professor para a morte é de um sentimentalismo épico que em determinados momentos nos faz chorar e refletir sobre o que nos vem pela frente. Akira nos faz refletir também sobre as relações da força e de quem precisa dela como em os Sete Samurais. Seus filmes ainda trazem o limitado ocidente para o refinado oriente, como no translaçado Macbeth" de Shakespeare. Só ele mesmo para florir ideais tão complicados como as do livro de Shakespeare num Trono Manchado de Sangue.
yyamamoto
Particularmente, considero Kurosawa supervalorizado. Ele não chega nem perto de seus conterrâneos Yasujiro Ozu, Kenji Mizoguchi, Mikio Naruse e Hayao Miyazaki.
Sua estética é ocidentalizada demais (não por menos ele é mais valorizado no ocidente do que no oriente), não consigo vê-lo como um cineasta genuinamente japonês. Seu melhor filme é Anatomia do Medo.
Rafael Vespasiano
Dodeskaden:
Filme de certa forma surreal, mas que mostra uma das mazelas da sociedade contemporânea: a pobreza. Numa favela de Tóquio, a miséria é enorme, e seus moradores procuram enfrentá-la da melhor maneira possível, porém sem sucesso; ilusões, esperanças, etc., tudo se mistura nas almas dessas pessoas. Retrato comovente e contudente da sociedade atual, e olha que esse filme é do século XX, mas permanece contemporâneo ao século XXI, com certeza atemporal. nota: 8,0.
priscababy
Junia