Tinha que Ser Você

por Roberto Cunha

ENCONTRO ÀS CLARAS
18/03/2010 0

Tinha que Ser Você
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Crítica públicada originalmente em 19/06/2009.

Tinha que ser Você (Last Chance to Harvey no original) é uma história simples para falar de um tema complexo, assunto sério que aflige pessoas em todas as partes do mundo: a solidão.

Com uma bela música de abertura ao som do piano, o espectador é apresentado  ao personagem Harvey Shine (Dustin Hoffman), um compositor de jingles veterano, pressionado pela modernidade, que precisa viajar à Londres para o casamento de sua filha.

Harvey tem um presente conturbado e um passado que também o perturba, a ponto de ter dificuldades de se comunicar com uma simples secretária eletrônica ou ignorar a simpática Kate Walker (Emma Thompson), pesquisadora do aeroporto de Londres.

Harvey é o sem jeito em pessoa, mas criativo por natureza, enquanto Kate precisa ser criativa, embora a todo momento se encontre sem jeito. Ainda mais com uma mãe inconformada com a sua solteirice. A vida é implacável com eles quando os coloca no lugar que melhor sintetiza como se sentem em momentos distintos: pensativos, no banheiro.

Mas por obra do destino (e do roteiro) os dois se reencontram e Harvey desfaz a má impressão inicial, destilando seu humor americano que combinado com a graça britânica de Kate, resulta numa simpática fórmula. Tinha que ser Você fala das oportunidades que se abrem quando o coração não se fecha.

A música tema permeia toda a história, que reúne opostos (e estrangeiros) que se atraem e, como bons adolescentes, se apaixonam. E juntos descobrem a importância de se falar o que pensa e o que se sente para conquistar uma vida diferente. O roteiro é leve e emociona. Como no discurso de Harvey sobre os filhos do divórcio e quando sua filha o agradece por "voltar" e ele faz o mesmo por ela o "aceitar". Verbos obrigatórios para o amor.

Destaque para a diferença de altura dos personagens que não atrapalhou a boa química do casal em cena. Vale também para as externas românticas em Londres e para a secundária, mas divertida mãe (Eileen Atkins) paranóica com o vizinho "serial killler".

Escrito e dirigido pelo cineasta independente Joel Hopkins, Tinha que ser Você está longe de ser uma obra prima, mas cumpre seu papel de verdadeira mensagem de otimismo para os corações solitários.