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Tirando o Mofo
por Saulo Sisnado

Três Clássicos na Semana Santa

Todos adoramos o feriado da Semana Santa, um dos feriados mais calóricos do ano. Ovos, coelhos e qualquer outro bichinho, desde que feito de chocolate. Muitos tiram o fim de semana pra ir à praia, outros para dormir. Mas a Semana Santa é, acima de tudo, um ótimo momento para locar um bocado de filmes e ficar vegetando em frente a TV.

Para os que compartilham comigo este estranho gosto, selecionei três grandes clássicos americanos de temas e estilos bem diferentes. Mas todos são indispensáveis e, se você ainda não os assistiu, essa é a hora! Pois é uma vergonha que ainda não os tenha visto.

1º - Testemunha de Acusação

De todos os filmes baseados na obra de Agatha Christie (morta em 1976), este foi o único que agradou a autora. Realmente ela é uma escritora mal adaptada, com exceção de Testemunha de Acusação (que é um filmaço) apenas Assassinato no Expresso do Oriente e Morte sobre o Nilo conseguem ser interessantes, apesar de não serem verdadeiramente bons, mas possuem Lauren Bacall, Ingrid Bergman e Bette Davis, o que é um bom convite para assisti-los.

Talvez Testemunha de Acusação tenha dado certo porque se inspirou numa peça de teatro escrita por Agatha e não em um romance. Pois é mesmo um bom filme. Também pudera, Billy Wilder conseguiu extrair até de Tyrone Power (que era bonito, mas péssimo ator) uma boa interpretação. Marlene Dietrich está luminosa como a esposa obscura de um homem acusado de assassinato, ela é a grande chave deste mistério e nos surpreende a cada momento, sobretudo no final inesperado. Charles Laughton está hilário como o advogado de defesa recém-infartado e infantil, que vive se digladiando com a enfermeira (uma pausa cômica indispensável neste suspense cheio de reviravoltas a la Hitchcock).

2º - A Cor Púrpura

Ninguém em Hollywood acreditava que Steven Spielberg seria capaz de fazer um filme sério depois de seus Indiana Jones. A Cor Púrpura foi a resposta. Ele pegou o romance simples de Alice Walker e o edificou como um épico melodramático, com brilhante utilização da fotografia e trilha sonora, fazendo deste um filme belo, triste, melancólico e ao mesmo tempo pop, nos mostrando tudo de forma leve e ágil como um filme do Indiana Jones. Mesmo sendo um filme divino e emocionante (um dos filmes americanos mais belos que já assisti), A Cor Púrpura não venceu em nenhuma das 11 categorias às quais foi indicado ao Oscar; uma grande injustiça. Anos depois, a Academia se redimiu ante ao mestre pop Spielberg, premiando o seu A Lista de Schindler, mas a saga da garota negra ainda continua sendo seu melhor filme, pois vai devagar nas apelações e não parece um filme feito para ganhar prêmios.

3º - O que terá acontecido a Baby Jane?

Uma das tramas mais cruéis e bizarras do cinema. Joan Crawford é a famosa estrela de cinema que depois de se tornar paralítica fica aos cuidados da irmã decadente e louca, que para se vingar do sucesso da outra exercita toda a sua crueldade: depois de muito apanhar, de ser amordaçada e amarrada na cama, Joan Crawford ainda tem que se deliciar com a ratazana que Bette Davis lhe serve no jantar. Um filme incrivelmente cruel com direito, até, a um sórdido e explícito assassinato a marteladas. Mas de todas as cenas, a mais bizarra é a de Bette Davis cantando vestida de criança. Só mesmo Davis para dar dignidade e arrasar numa cena destas.

As interpretações exageradas de Bette Davis e Joan Crawford são realmente impecáveis. As duas se odiavam de verdade e brigavam muito, eram inimigas nas telas e fora delas. Joan é considerada uma das atrizes mais pérfidas e odiosas de Hollywood e quando descobriu que apenas Bette Davis tinha sido indicada ao Oscar ficou possessa e disparou à imprensa que jamais entendeu como Bette tinha conseguido se tornar uma boa atriz, pois a considerava cheia de maneirismos e sem qualquer talento. Bette Davis, que também não era flor que se cheirasse, devolveu o insulto: "Joan dormiu com todos os astros da MGM, com exceção de Lassie."

Um dos filmes de terror psicológico mais legais já feitos. Foi refilmado para a TV em 1991, com as irmãs verdadeiras Lynn e Vanessa Redgrave.
 
Saiba mais sobre "Testemunha de Acusação".

Saiba mais sobre "A Cor Púrpura".

Saiba mais sobre "O Que Terá Acontecido a Baby Jane?".

Leia as colunas anteriores de Saulo Sisnando.
 
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