|
Romances
Imbatíveis
Dizem que
o mês mais romântico do ano é maio, pois
este é considerado o Mês das Noivas. Bem, não
me identifico muito nesse lance de noivas, até porque
a possibilidade de eu vir a entrar numa igreja vestido véu
e grinalda é exageradamente remota, portanto prefiro
acreditar que junho é o mês do romance, uma vez
que é neste mês que comemoramos o Dia dos Namorados.
Motivado
por esta data (os que lêem esta coluna sabem que sou
um romântico incorrigível) resolvi fazer uma
homenagem aos grandes romances do cinema. Com direito a tudo:
galã, mocinha, música-tema, cena do beijo e,
acima de tudo, com direito a muitos lenços de papel.
Aliás, o Tirando o Mofo do mês dos namorados
será todo dedicado ao tema e espero a participação
de todos para eleger o melhor romance que já aportou
na tela grande.
Os estudiosos
dizem que o romance surgiu no cinema em 1896, quando Thomas
Edison filmou o pioneiro beijo em The Kiss.
Bom, daí pra frente os casais não pararam mais
de se beijar... sempre na última cena, com direito
a imagem congelada e um enorme The End escrito em letras itálicas.
Mas creio
que o gênero passou a criar importância e levar
centenas de pessoas ao cinema lá pelos anos 30, quando
conhecemos a mais bela e sofredora das heroínas românticas:
Greta Garbo. Mulher que amou como uma condenada
em filmes como Anna Christie, Anna
Karenina, Rainha Cristina e, principalmente,
em A Dama das Camélias, onde a pobrezinha
comeu a pão que o Diabo amassou, sofrendo pela tuberculose
e pelo amor de um galã perverso.
Depois
de Garbo, as portas para o cinema romântico
se abriram de vez. E chegaram os dois melhores filmes da história,
...E o vento Levou e Casablanca,
que, apesar de não serem exatamente romances, o sucesso
de ambos se deveu ao carisma dos casais Vivien Leigh
& Clark Gable e Humphrey Bogart
& Ingrid Bergman. As músicas marcantes,
as cenas antológicas, os beijos e os finais infelizes
de ambos os filmes estão imortalizados nas memórias
de qualquer amante da sétima arte.
Por sinal,
os finais trágicos são a marca de quase todo
bom romance. Heathcliff e Catarina, por exemplo, jamais conseguiram
ficar juntos em qualquer adaptação de O
Morro dos Ventos Uivantes e não foi diferente
em 1939, quando William Wyler dirigiu sua
excelente versão do célebre livro. Em 1940 a
pobre Myra vivida por Viven Leigh se mata
no final de A Ponte de Waterloo, depois que
seu sonho de ser bailarina se esvai e Robert Taylor
descobre que a menina ganha a vida como prostituta
(acho que este filme é o campeão na categoria
lenços de papel). Em Suplício de Uma
Saudade, a lindíssima Jennifer Jones termina
solitária depois que seu grande amor morre na guerra;
como não poderia deixar de ser, os amantes estavam
tão conectados que ela pressentiu a sua morte a quilômetros
de distância. Mas de todos os finais infelizes, acho
que Romeu & Julieta ganha com sobra,
ainda mais quando levamos em consideração a
versão de 1968 dirigida por Franco Zeffirelli.
Ao lado de George Cuckor, Zeffirelli
é o maior mestre no espetáculo do sofrimento
alheio.
Em 1961,
Warren Beatty se apaixonou por Natalie
Wood em Clamor do Sexo, uma paixão
adolescente tão violenta que os enlouqueceu literalmente
e destruiu suas vidas; uma tristeza só! Assim como
em Um Lugar ao Sol, quando o amor de Liz
Taylor e Montgomery Clift não
pode se perpetuar porque mandam o coitadinho para a cadeira
elétrica (obviamente, ele é condenado por um
crime que não cometeu).
Mas, além
dos finais infelizes, também não podem faltar
as grandes músicas. O que seria do chororô de
Ryan O'Neal em Love Story
se não existisse a música "Where do I begin"?
Pior, como conseguiríamos assistir a Doutor
Jivago ou Verão de 42 sem
suas oscarizadas músicas? O clássico romântico
Um Homem, Uma Mulher, com Anouk Aimee
e Jean Louis Trintignant, perderia metade
da beleza se suprimissem a imortal música-tema e as
canções de Vinícius de Moraes que fazem
parte da trilha sonora.
Mas não
podemos falar em romances à moda antiga sem falarmos
do casal Rock Hudson e Doris Day.
Seus filmes românticos eram bastante sofisticados para
a época e seguem os mesmos moldes das comédias
românticas atuais. Infelizmente, nenhum filme do casal
foi lançado em vídeo ou DVD. Mas podemos nos
deliciar com a comédia romântica Carícias
de Luxo, onde Doris contracena com
Cary Grant. Filme muito bonitinho!
Por falar
em comédias sofisticadas, Lauren Bacall
e Gregory Peck protagonizam a comédia
vencedora do Oscar de roteiro Teu Nome é Mulher,
onde Lauren vive uma estilista de moda chiquérrima
e Gregory Peck faz um jornalista esportivo,
simples e machista. As barreiras sociais que os separam geram
divertidas cenas.
Bem, por
enquanto é só, mas durante junho teremos a árdua
tarefa de eleger aqui no Tirando o Mofo o melhor romance de
todos os tempos, estou esperando os votos.
Ah!, feliz
mês dos namorados para todos!
|