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| Tirando
o Mofo |
por
Saulo Sisnado |
De Novo?
Desculpe, mas eu acho que já nos conhecemos!
Antes de mais nada, preciso dizer que não sou contra remakes, continuações e adaptações de quadrinhos e seriados antigos. Quem lê esta coluna sabe do meu convívio pacífico até com plágios descarados.
Mas...
Será que não estamos vivendo numa overdose disso tudo? Será que a Dona Hollywood não pode nos dar um filme novo de vez em quando?
Abrimos o jornal e somos tomados por uma gigantesca sensação de déjà vu, algo do tipo: "como assim? Eu já vi este filme antes!"
Temos A Profecia, Poseidon, King Kong, Guerra dos Mundos, Missão Impossível III, X-Men III, Garfield II, Batman Begins, Superman Returns, Piratas do Caribe II, A Era do Gelo II, Todo Mundo em Pânico IV.
Mesmo no mundo onde 'nada se cria, tudo se copia' , isto é exagero! Onde estão os filmes novos? E, depois, ainda se espantam os produtores quando os filmes fracassam nas bilheterias. Ora, por onde andam Charlie Kauffman e seus amigos roteiristas malucos, cheios de novas idéias?
Há alguns anos, pelo menos, perdia-se tempo fazendo refilmagens de bons filmes, mas, hoje, somos bombardeados por A Profecia e Poseidon. Nossa! Se o original já nem era essa coca-cola toda, imagine os remakes.
O Destino do Poseidon era bacaninha (um tiquinho assim, ó), mas seu remake é uma aventura tão SuperCine, que devia sair do cinema direto para estrear na Sessão da Tarde com direito ao carimbo de "REPRISE".
E Gus Van Sant, responsável pela cópia colorida de Psicose (alguém lembra?), parece estar fundando uma escola em Los Angeles, pois o diretor John Moore decidiu fazer seu A Profecia quase do mesmo jeito como foi feito em 1976. Só há uma diferença, Gus Van Sant copiou um filme que era ótimo, mas A Profecia nunca foi grande coisa.
Pior é que, mesmo quando o filme não é uma seqüência ou remake, temos a impressão de que já o vimos antes. As comédias românticas, por exemplo, ainda parecem cópias de Uma Linda Mulher e Bonequinha de Luxo. Aliás, hoje em dia quando se fala em romance, não se pensa mais nem em Julia Roberts, nem em Sandra Bullock. Comédia romântica agora é sinônimo de Sarah Jessica Parker que, depois de ter emplacado em Sex And The City, ficou tremendamente preguiçosa e repete sua personagem Carrie Bradshaw em todos os filmes. Acho que ela só vai se aquietar quando perder todo o charme que levou 6 temporadas para conquistar.
Nem os desenhos se livram desta onda terrível de repetição. Você vai assistir a Selvagem e tem a certeza de que está vendo Madagascar. E até A Era do Gelo 2, produto super valorizado do brasileiro Carlos Saldanha, usa o argumento repetidíssimo de uma jornada em busca de um lugar seguro. Hummm... Já não tinhamos visto isto em Dinossauro, da Disney?
Nos anos 80, quando a crítica americana Pauline Kael aposentou-se dizendo que o cinema estava tomado por um empobrecimento estético e mental sem fim, ela estava prevendo o que ocorre hoje em dia.
E este empobrecimento não ataca só o cinema-pipoca, do contrário teríamos escapado do Oscar mais equivocado dos últimos anos, quando CRASH (com um enorme pé em Magnólia) roubou o prêmio de Brokeback Mountain, Boa Noite e Boa Sorte, Capote. Cá entre nós, mesmo analisando os filmes que não foram indicados prêmio máximo, como Johnny & June, Orgulho e Preconceito, Match Point e Marcas da Violência, vemos que CRASH era o pior de todos.
Enfim, resta agüentar (e protestar!) essa enorme e duradoura maré de repetição do cinema americano. E esperar que, no próximo ano, Liv Tyler assine um contrato para viver Scarlett O'Hara e Julia Roberts seja convidada para reviver Casablanca ao lado de George Clooney. Você duvida?
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