Um
Romance nos Sete Mares
Sou
um romântico inveterado. Filmes como Tarde Demais
Para Esquecer e Suplício de Uma Saudade
são figurinhas tarimbadas no meu vídeo-cassete.
Adoro esses filmes povoados de heroínas com cabelos
cheios de laquê e galãs com grandes suíças
ou um belo topete. Essa coisa bem folhetinesca com diálogos
lacrimosos cheios de frases efeitos como "te amo mais
que ontem e menos que amanhã" ou "amar
é nunca ter de pedir perdão".
Calma! Não estou aqui pregando uma idolatria às
novelas mexicanas, mas não há como negar que
o "espetáculo do sofrimento alheio" também
pode gerar um grande entretenimento. Nada mais é que
um folhetim escancarado, a aventura de uma prostituta que
se apaixona pelo executivo ou a Princesa que se apaixona pelo
jornalista, mas quem tem a coragem de dizer que não
existe qualidade em Uma Linda Mulher ou A Princesa
e o Plebeu (este o filme que fez surgir Audrey Hepburn).
A formula é velha e vem se transmitindo de geração
em geração e, ao que vemos, ainda dá
muito certo. Vem desde os contos de fadas, Cinderela
e A Bela e a Fera, até o "moderno"
Um Lugar Chamado Notting Hill que ainda mantém
o mesmo arranjo folhetinesco do homem pobre que se apaixona
pela mulher rica. A verdade é que para que um romance
dê certo, precisamos de alguns elementos: a heroína,
o Galã, as diferenças sociais que separam os
personagens, a vilã (que geralmente é uma mulher
e que sempre tenta roubar o príncipe, e por pouco não
consegue), os inseparáveis amigos dos protagonistas
e a bela música (essa é indispensável
na cena do beijo).
Para que essa fórmula dê certo, nem precisamos
que Sandra Bullock ou Deborah Kerr esteja no
papel principal. Nem precisamos, ao menos, que o filme tenha
uma pessoa sequer. Ele pode ser simplesmente um desenho animado.
E será dos bons. E é essa fórmula que
está presente em A Pequena Sereia, que já
entrou para o rol dos Clássicos da Disney.
Na história, temos a pequena princesa Ariel
(que mesmo estando dentro d'água, parece ter os cabelos
cheios de laquê), uma sereia muito danadinha que tem
o sonho de ser humana e andar sobre os próprios pés.
Filha do Rei dos Sete Mares, Ariel perambula alegre
e feliz cantarolando umas musiquinhas fáceis de engolir
até que se apaixona por um belo homem, o príncipe
Erick (que, aliás, tem um belo topete). Pronto!
Estamos diante da chave de todo bom romance: a barreira social.
Como poderá uma sereia amar um humano? Para responder
esse pergunta, entre em cena a pérfida e odiosa Ursula,
que para se vingar do rei Tritão, transforma
Ariel em humana e ela passa a ser a peça principal
de um plano macabro para tomar o poder e dominar o oceano.
Acrescentando-se os amigos inseparáveis Sebastião,
Linguado e Sabichão, estamos com tudo
nos seus devidos lugares. A diversão é garantida.
Muitas águas (literalmente) rolam no decorrer da história.
Por pouco o príncipe Erick não se casa
com mulher errada e por menos ainda Ursula não
se torna a rainha dos mares. Mas todos sabemos que Ariel
terminará ao lado príncipe Encantado e que a
história se encerrará com o belo beijo e uma
bela música.
Tudo muito cheio de cor e sons. A cena em que Sebastião
canta Under the Sea (que ganhou o Oscar) é divertidíssima.
Uma produção muito bem cuidada que deu um novo
fôlego à Disney e abriu as portas para A Bela
e a Fera e Aladdin. A pequena sereia é para
rir, chorar, torcer e virar criança de novo, até
que nos digam "e viveram felizes para sempre". |