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Tirando o Mofo
por Saulo Sisnado

É Terna Estrela
"she has a halo,
we really do adore her.
She has a halo, can we touch her?"
 





Manhã de domingo, um disco de Frank Sinatra gira na vitrola. A governanta entra no quarto de sua patroa e a encontra morta. Nua, de bruços, com o telefone nas mãos. As últimas palavras da mulher morta haviam sido: "Diga Adeus a Pat, diga adeus a John e diga adeus a você mesmo". Pouco tempo depois de proferir estas palavras, Norma foi encontrada morta, vitimada por uma grande quantidade de barbitúrios. A irmã tratou logo de dizer que foi acidente, "não era a primeira vez que ela exagerava na dose de remédios". O chefão da máfia assumiu a autoria: "foi homicídio! Usaram um supositório de Nembutal". Mas o assessor do Presidente dos Estados Unidos disse que foi suicídio e que a última frase de Norma foi dita, pelo telefone, ao irmão do presidente, depois de ele ter ido à casa da vítima e ter findado o romance.

Imaginaram a cena? Pois bem, não é um novo filme baseado na obra de John Grisham. Não é um prólogo de um livro de Sidney Sheldon. E não é um novo filme brasileiro roteirizado por Patrícia Melo.

A verdade é que nada é mais cinematográfico e hollywoodiano do que a história da maior estrela do cinema, Norma Jean Baker. Mais conhecida como Marilyn Monroe.

Se por um lado teríamos mais um filme de suspense começando a partir da trágica morte de uma estrela, por outro prisma podemos começar um filme mais light da seguinte forma: "Um fotógrafo entra numa fábrica de armamentos bélicos e bate uma foto de uma linda moça de cabelos castanhos. Encantado com tamanha beleza, aconselha a se tornar modelo. A garota de 19 anos aceita a proposta vai procurar uma agência. Segue os conselhos dos agenciadores, melhora a postura, aprende a sorrir e ser mais sexy, larga o marido, tinge os cabelos de loiro e se torna Marilyn Monroe".

Contando a história de Marilyn de trás para adiante estamos diante de um possível filme policial nas mãos de Curtis Hanson, que transformaria o roteiro em L.A. Confidential 2. Na seqüência lógica, teríamos um filme romântico, bem ao estilo George Cuckor ou Franco Zeffirelli, com direito a mais banho de lágrimas no final que em Romeu e Julieta.

Todavia, dever-se-ia ter muito cuidado com esse roteiro, posto que a vida de Marilyn Monroe poderia facilmente ser transformada numa novela do SBT, intitulada Marilyn do Bairro ou Marilyn Mercedes, e nem nos espantaríamos se Thalia estivesse no papel principal. Não é para menos, ela foi abandonada pelo pai que nunca conheceu, sua avó morreu doida, sua mãe passou toda a vida internada num sanatório sofrendo de esquizofrenia, foi criada por muitos lares adotivos, tendo sido estuprada em um deles, até ir morar com a melhor amiga de sua mãe, que a obrigou a casar com o vizinho, quando teve que abandonar os estudos para cuidar da casa, do marido e ainda trabalhar. Ao partir para a vida artística, não conseguiu emprego facilmente, passou fome e aceitou posar nua por 50 dólares, o que garantiria comida por alguns dias. Sem falar dos dois irmãos de Marilyn que foram raptados pelo pai: Robert, que morreu cedo; e Berniece, que se tornou uma de suas melhores amigas.

Depois que Marilyn estrelou A Malvada, num papel pequeno, sua carreira deslanchou de vez. Centenas de cartas chegavam a Fox perguntando sobre a moça de cabelos platinados. Vieram depois Como Agarrar um Milionário e Os Homens Preferem as Loiras. Com a carreira indo de vento em poupa, faltava cuidar dos assuntos do coração.

Em 1952 apaixonou-se perdidamente pelo jogador de beisebol Joe DiMaggio, com quem se casou. Mas não seria nada fácil para um machão como Joe viver ao lado de um grande símbolo sexual. O casamento não durou um ano.

Foi morar em Nova York, ingressou no Actors Studio e se submeteu aos ensinamentos de Strasberg. Um dos grandes sonhos dela era ser respeitada como atriz e interpretar o papel de Grushenka em Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski. Ela odiava os personagens de loira burra que sempre ofereciam. Melhorou como atriz e se envolveu com um grande intelectual, Arthur Miller, autor de A Morte Do Caixeiro Viajante, e casou-se novamente.

De volta a Los Angeles, interpretou o melhor papel de sua carreira no filme "Os Desajustados", de John Huston, roteiro escrito pelo seu marido. Apesar da crítica especializada não ter se rendido, Marilyn tem uma interpretação primorosa e se mostrou uma grande atriz. Durante as filmagens, se separou do marido e entrou na sua mais profunda depressão. Bebia desesperadamente, exagerava nos remédios, não tomava banho e estava bem acima do peso. A morte de Clark Gable, poucos dias após o fim das filmagens, contribuiu para levar Marilyn ao fundo do poço.

Ela chegou a ser internada numa clinica após sofrer um colapso nervoso. Com a ajuda de seu ex-marido, Joe DiMaggio, se recuperou, voltou aos sets para filmar Something Gotta Give, mas o filme foi engavetado após faltas e atrasos excessivos de Marilyn.

Por fim, Marilyn Monroe envolveu-se com o homem mais poderoso do mundo, John F. Kennedy, e se apaixonou perdidamente, mas Kennedy pouco pode dar além de um simples caso. Bobby Kennedy, irmão do presidente, também teve um caso com a estrela e também a deixou apaixonada.

Marilyn morreu sozinha.

Apesar de ocupar o posto de maior estrela americana e um mito inconteste. Marilyn jamais conseguiu as coisas que mais queria, sempre foi motivo de chacota por sua inteligência mediana, nunca foi respeitada como atriz. Seu sonho de ser mãe foi por água abaixo após dois abortos. Em realidade, quando ainda se chamava Norma Jean, suas principais características eram a carência, a insegurança e a infelicidade. Ao se tornar Marilyn Monroe, só mudou o nome.

Após sua morte, Joe DiMaggio bradou aos quatro ventos que Marilyn tinha sido o maior amor de sua vida. Mandou que depositassem flores vermelhas três vezes por semana no túmulo dela. Mas Joe DiMaggio também já morreu... E agora, quem deposita flores no túmulo de Marilyn Monroe?
 
Saiba mais sobre "Marilyn Monroe".

Leia as colunas anteriores de Saulo Sisnando.
 
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