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Os
Diamantes São os Melhores Amigos das Garotas
Contrariando
o que pensam 95% da população que vai aos cinemas, os musicais
podem ser divertidos. O último grande musical que chegou às
telas foi o soporífero "EVITA" de Alan
Parker, e quem viu o filme (ou tentou vê-lo) saiu com
uma idéia fixa: a certeza de que os musicais são chatos e
enfadonhos, aquele tipo de filme com músicas irritantes e
muita lengalenga, um filme que até para morrer a protagonista
tem que cantar umas 8 músicas.
Para quem
entende o que eu falo, uma notícia: os musicais podem ser
verdadeiramente hilários e um grandioso passatempo. Basta
assistir a "Os Homens Preferem as Loiras"
para entender o que estou falando; este filme não é apenas
um bom musical, é, simplesmente, um dos filmes mais empolgantes
que Hollywood já produziu (quando termina, temos vontade de
rebobinar a fita e assistir de novo).
Também
pudera, juntar Marilyn Monroe e o diretor Howard
Hawks num mesmo filme, não poderia dar outra coisa. A
primeira é a maior estrela do cinema, um mito incontestável.
O segundo é um dos maiores diretores que a industria americana
já teve notícia. Ambos com uma eterna preocupação: a diversão.
Howard e Marilyn sempre estavam mais preocupados
com o entretenimento que com discurso político ou ideológico,
queriam mesmo era divertir o público.
Tudo isso
já seria motivo para vermos o filme, mas se acrescentarmos
a morena Jane Russell e um roteiro baseado no famoso
livro de Anita Loos (que virou um espetáculo da Broadway),
temos mais um ótimo clássico. Um filme luxuoso e, despudoradamente,
frívolo. Terminamos de ver o filme e sabemos que ele não acrescentou
muita coisa para as nossas vidinhas, mas nos divertimos tanto
nesta uma hora e meia, que nem ligamos.
A história
é de duas garotas que estão dispostas a arrumar um bom partido
e levá-lo ao altar. Dorothy (Jane Russell, a
morena) não liga para o dinheiro, mas quer a todo custo que
seu par seja um bonitão bem musculoso; Lorelei (Marilyn
Monroe) é uma loira burra (que está longe de ser boba)
que não está ligando para a beleza e os bíceps dos rapazes,
quer saber mesmo é da conta bancária dos candidatos a marido.
E se tiver uma mina de diamantes, melhor ainda!
Muitos
pretendentes aparecem para as donzelas, pois as duas estão
cruzando o Atlântico rumo a Paris (onde a loira vai se casar
com um ricaço abobado) num navio que deixa o Titanic no chinelo
e recheado de homens ricos e muitos rapazes musculosos. Para
as duas, aquilo é o céu!
Mas como
em todo conto de fadas sempre existe a bruxa má, um detetive
particular contratado pelo pai do noivo, quer provar irrefutavelmente
que a noiva nada mais é que uma interesseira, e utiliza os
meios mais nefastos para arranjar provas; todavia, não estava
nos seus planos se apaixonar pela melhor amiga da loira, a
morena.
Dessa sopa
saem dezenas de cenas malucas e engraçadas, como a impagável
cena em que Marilyn Monroe fica entalada na janela
do navio e a cena em que elas embebedam o detetive. Mas de
todas as insanidades, a mais interessante é a cena em que
Jane Russell se "transforma" em Marilyn
Monroe e faz um "showzinho" num Tribunal (esta
cena merece figurar entre as dez cenas mais engraçadas do
cinema).
Quanto
aos números musicais, eles são tão bem dirigidos por Hawks,
que nunca caem no marasmo e, ao contrário do filme de Madonna,
aqui as personagens falam e conversam normalmente e só cantam
de vez em quando.
Depois
de muita confusão, chegamos ao final do filme e quase escutamos
um "...e viveram felizes para sempre". Mas vale
lembrar que os príncipes destas donzelas, mais que amor, vieram
com músculos e diamantes na dose certa.
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