|
The
End... e ponto final
Eu adoro
contar os finais dos filmes. Tenho uma conhecida que, até
hoje, não fala direito comigo porque eu contei que
o Bruce Willis estava morto o tempo todo
em O Sexto Sentido. Oops! Contei de novo...
Será que alguém ainda não viu esse filme?
Bem, motivado por esta compulsão (que mereceria anos
de pscicoterapia), decidi escrever sobre os melhores finais
de todos os tempos. Portanto, se você não gosta
de saber os finais dos filmes, pare de ler neste exato momento.
Desde a
época de ouro de Hollywood já se sabia da importância
de um bom final, pois os dois maiores clássicos americanos
possuem dois dos melhores finais. Casablanca,
mostrando a bela cena em que Ingrid Bergman
decide-se pelo amor de Paul Henreid e abandona
Humphrey Bogart no aeroporto, e em ...E
o Vento Levou, quando Rhett Butler abandona
Scarlett O'Hara e ela, aos prantos, desiludida
e destruída, descobre que tudo o que verdadeiramente
importa é a terra vermelha de Tara e, com olhos infestados
de lágrimas, dispara "Tomorrow is another
day".
Vivien
Leigh, por sinal, é a atriz que mais filmes
tem nesta lista. Pois um ano depois de Gone With The
Wind ela fez todo mundo chorar com o catastrófico
final de A Ponte de Waterloo, quando ela,
pobre e prostituída, reencontra seu marido que sempre
pensou ter morrido na guerra. Arrasada, ela se joga na frente
de um carro e morre atropelada. Tempos mais tarde, no não
menos chocante Uma Rua Chamada Pecado, Vivien
nos presenteou com a maior interpretação da
história com a sofrida e louca Blanche Dubois
que, no final, levada pelo psiquiatra, confessa: "Seja
o senhor que for, eu sempre dependi da bondade de estranhos".
Ainda nos
dramalhões, entra na lista a cena em que Cary
Grant descobre que Deborah Kerr está
paralítica no lacrimoso Tarde Demais para Esquecer
e a cena em que Liz Taylor (mais linda que
nunca) se despede de Montgomery Clift, a
ser morto na cadeira elétrica, com um beijo singelo
quase dançado em Um Lugar ao Sol.
Rita
Hayworth entra no ranking com a seqüência
no labirinto de espelhos em A Dama de Shanghai,
um show da direção de Orson Welles.
Em Testemunha de Acusação,
a não menos sexy Marlene Dietrich provou
ser boa atriz, sobretudo quando descobrimos sua outra identidade.
Um choque para os espectadores. Por falar em surpresa final,
não poderia ficar de fora a cena em que é revelado
o assassino em Assassinato no Orient Express.
O culpado desta vez não era o mordomo e só mesmo
Hercule Poirot para decifrar tamanha bizarrice.
O final
de Twin Peaks, o filme, também não
deixa a desejar em matéria de estranheza. Incompreensível
até dizer chega, o detetive se encontra com a falecida
Laura Palmer num salão quadriculado
onde um anão não pára de dançar.
Realidade e delírio também se misturam em A
Bela da Tarde, um final digno de centenas de interpretações.
Bem mais simples é o final do premiado Sexo,
Mentiras e Videotape; Andie MacDowell
senta-se ao lado de James Spader e comenta:
"eu acho que vai chover".
Na década
de oitenta, o péssimo (e divertidíssimo) filme
de Mike Nichols, A Difícil
Arte de Amar, incentivou mulheres das mais longínquas
partes do planeta a meter uma torta de limão da cara
do marido. Meryl Streep fez isso com Jack
Nicholson enquanto explodia a ótima música
de Carly Simon, Coming Around Again.
Ainda nessa década, Glenn Close deu
um susto final que nos fez saltar da cadeira quando voltou
da banheira em Atração Fatal,
todos pensávamos que ela já estava morta. Por
falar em susto final, não se pode esquecer de Carrie,
a Estranha, que não deixava ninguém
em paz nem depois de morta e a atra cena em que Rosemary
embala o berço do bebê-diabo em O
Bebê de Rosemary.
Algumas
películas são mais ousadas e deixam para revelar
seu maior segredo na cena final, como em Instinto
Selvagem, quando o picador de gelo é visto
embaixo da cama, Os Suspeitos, com Kevin
Spacey enganando todo mundo ate o último minuto
e, principalmente, em Um Sonho Sem Limites,
quando descobrimos o que ocorreu com Nicole Kidman.
Susan
Sarandon e Geena Davis se jogando
no Grand Canyon no célebre Thelma & Louise
não poderiam ser esquecidas, este filme é perfeito
desde o começo e não poderia deixar de ter um
final magnífico. E o cinema brasileiro entra na lista
com o filme A Hora da Estrela, quando Macabéa
(maravilhosamente interpretada por Marcélia
Cartaxo) é atropelada pelo seu príncipe
encantado montado num cavalo branco e morre no meio da rua.
Para finalizar,
ficam os meus finais preferidos. O Poderoso Chefão
3, que indiscutivelmente é o mais fraquinho
de todos mas possui o melhor final. A cena em que Sofia
Coppola é morta nas escadarias do Teatro é
deslumbrante. Mais linda e extremamente lírica é
a cena em que Daniel Day-Lewis prefere não
reencontrar o grande amor de sua vida, a Condessa
Olenska, e vai embora sem vê-la em A
Época da Inocência.
Será
que eu esqueci de algum belo final?
|