O
Filho da Besta
Muita gente se decepciona com O Bebê de Rosemary. Isso
ocorre porque quando ouvimos falar em um clássico dos filmes
de terror, imaginamos banhos de sangue e muitos monstros de
borracha. Mas o primeiro filme americano de Roman Polanski
não tem nada disso, não tem efeitos especiais, nem tem garotinhas
dando voltas de 360º na cabeça e vomitando sopa de ervilhas.
Muito menos espere sustos, assassinos mascarados ou muita
correria. Em outras palavras, se quisermos um filme de terror
nos moldes tradicionais, devemos pegar na locadora A Morte
do Demônio, O Exorcista ou Cemitério Maldito (que
não deixam de ser ótimos filmes).
Mas
o O Bebê de Rosemary não ganhou o status de clássico
à toa. Ele é um grande filme exatamente porque desmente todos
estes tabus dos filmes de terror. É um filme narrado de forma
séria e adulta (coisa rara no gênero) e, quando terminamos
de assistí-lo, temos a certeza de que é possível fazer cinema
sério com qualquer tema. Incrivelmente, Polanski consegue
dar dignidade a história de uma mulher que acredita (ou realmente
está) grávida do filho de belzebu.
Mia
Farrow interpreta Rosemary Woodhouse, uma mulher
recém-casada, que vive em função do marido, Guy Woodhouse
(Jonh Cassavetes), um ator desempregado. Eles se mudam
para um novo e luxuoso apartamento no Centro de Nova York
e uma grande amizade começa a surgir entre seu marido e um
estranhíssimo casal de vizinhos. De repente, a vida de Rosemary
e Guy Woodhouse começa a entrar nos eixos (o ator principal
de uma peça, misteriosamente, fica cego e Guy é agraciado
com o personagem e começa a fazer bastante sucesso). Decidem,
então, ter um filho.
É
aí que começa o suplício da pobre Rosemary, pois ela
nem desconfia que todo o sucesso do marido veio graças a uma
aliança com o "bicho-feio". Mal sabe ela
que o seu filhinho querido será a encarnação do anticristo.
Para engravidar do ser das trevas, Rosemary é dopada
e literalmente estuprada pelo demônio. Daí para frente são
9 meses de agonia e sofrimento. Rosemary é envolvida
numa trama de mentiras, onde todos sabem o que ela carrega
no ventre, menos ela própria, e qualquer um que tenta alertá-la
tem um final trágico.
Ver
Rosemary como um joguete nas mãos dos bruxos adoradores
do diabo nos dá uma terrível sensação de desconforto, pois
a vontade que temos é de bater na tela da Tv e dizer, "Rosemary,
você está sendo enganada por todos aqueles em que você confia".
Porque é agoniante ver, cada vez mais, Rosemary caminhado
para um final trágico, sem que se dê conta disso.
Mas
quem disse que saber a verdade adiantaria? Quando Rosemary
descobre a farsa que foi envolvida, tudo piora. Pois quem
vai acreditar numa mulher que jura sobre a cruz estar carregando
no ventre o anticristo, que será capaz de destruir
o mundo? Enfim, mesmo sabendo de seu destino, Rosemary
não tem para onde fugir.
Em
síntese, O Bebê de Rosemary é um grande espetáculo
de terror psicológico. Com uma história simples, mas com um
roteiro extremamente envolvente. Com grandes atuações e com
uma direção tão segura que não deixa o filme se tornar chato.
Quanto
ao final, tudo o que posso dizer é que não desista do filme
antes da última cena. O bebê em nenhum momento aparece, ele
é apenas descrito em detalhes pelos seus adoradores, e descobrimos
que ele não precisava aparecer para nos meter medo. O que
acontece com Rosemary? Ah! Não seria justo revelar e estragar
a surpresa. Digo, apenas, que seu final é aterrador.
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