Saneamento Básico - A Aula
Me adianto alguns meses no futuro e sem medo de ser feliz cravo meus votos nos melhores filmes nacionais do ano: O Cheiro do Ralo, Fabricando Tom Zé e Saneamento Básico - O Filme. Não tem erro, dificilmente vão lançar algo mais interessante, se alguém quiser apostar, estamos aí...
Não é nenhum exagero dizer que o gaúcho Jorge Furtado é um dos melhores diretores em atividade no país, senão o melhor. Suas produções conseguiram o quase impossível, agradar a crítica e serem grandes êxitos de bilheteria. Houve Uma Vez Dois Verões (2002), O Homem Que Copiava (2003), Meu Tio Matou Um Cara (2004) e agora Saneamento Básico - O Filme (2007) revelam um diretor ágil, habilidoso, sem malabarismos cerebrais ou aquela mania feia de dar tapas na cara da platéia com aquela ultrapassada e feiosa estética mundo-cão. Furtado não confunde águas profundas com águas barrentas, sempre traz reflexões interessantes, mas sem nunca cair na chatura ou na apelação, coisa comum entre nossos homens da moviola. Seus filmes são sempre divertidos e inteligentes. Saneamento Básico - Corram! Vejam! - é a prova maior dessa rara maestria de agradar gregos e troianos.
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Com um elenco graúdo e afiado (todos brilham, sobretudo Paulo José, Fernanda Torres e Wagner Moura, um trio de química!) Furtado conta a história dos moradores de uma cidade lá onde Judas perdeu o chapéu que precisam canalizar um esgoto. Como a prefeitura não tem dinheiro pra obra, mas tem uma verba reservada para um filme, então os malucos decidem fazer o tal filme para embolsar a verba e construir a fossa. Até aí tudo bem, tranqüilo... o problema é que os caipiras são uns palermas, não têm a mais remota idéia de como se faz um filme. A cena da discussão entre os tais “produtores” sobre o que seria um filme de ficção é um achado. A produção e as filmagens do filme, como não poderiam deixar de ser, são high-trash, tragicômicas. E mesmo não entendo patavina da sétima arte (num dado momento o personagem de Fernanda Torres manda: “Edição? Pra que edição? Edição não serve pra nada”) os pseudocineastas vão aos poucos tomando gosto pela coisa, vão sendo tragados pela magia do cinema e deixando a fossa de lado.
Então a gente se pergunta - pelo menos aconteceu comigo: Do que a gente precisa realmente? De fossas, hospitais, escolas ou de filmes? Afinal a maioria esmagadora dos filmes nacionais são financiados pelo governo federal. Será que é uma verba útil? E é essa uma das grandes sacadas do filme. Faz rir, muito, é divertido pacas, mas também põe em cheque a própria importância do cinema, da arte no país. Afinal, a tal da cultura serve pra alguma coisa?
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Contando com uma locação vagabunda, um elenco nojento de bom e um texto primoroso (do próprio diretor) Saneamento Básico, que custou R$ 3,5 milhões (uma esmola de igreja em termos cinematográficos), é simples sem ser simplório, inteligente sem ser enfadonho, divertido sem apelar para tortas na cara. É cinema de autor (sim, isso ainda existe, longe das colinas virtuais de Hollywood, é claro). O diretor cria um paradoxo genial, pois mostrando como não se deve fazer um filme Jorge Furtado dá uma autêntica aula de cinema. Onde o menos, pode sim, ser mais. Resumo da Ópera: Saneamento Básico é entretenimento de primeira, pra rir e fazer vibrar os cerebelos mais sedentários, imperdível, de verdade.
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Fiquei surpreso ao ver a propaganda da nova novela da Rede Record, Caminhos do Coração. Caramba! Os caras querem fazer um Heroes, um X-Men tupiniquim! A trama gira em torno de experiências genéticas, jovens com superpoderes e etc... coisinha de fato curiosa, surpreendente, se alguém me contasse eu não acreditava.... Mas as surpresas não param por aí, não, não, não... O cientista maluco da trama é ninguém menos que Lance Henriksen, ator com bons serviços prestados ao cinema. O cara esteve no primeiro O Exterminador do Futuro, nos filmes da série Aliens, em Rápida e Mortal.... chegou até a estrelar uma série só dele, Millennium (alguém se lembra?), onde o sujeito era um paranormal que desvendava crimes beeeem bizarrinhos. Série bacana, obscura, sombria, feita pelo mesmo criador do Arquivo X, e em minha modesta opinião, até mais interessante. Pois está lá o cara na novela. Ou a Record está com muita bala na agulha (e está mesmo) ou Lance está numa pindaíba de fazer gosto. Vai ver as duas coisas. Afinal pra um ator hollywoodiano se meter a fazer novela brasileira... Só mesmo com muitos carnês do INSS atrasados.
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No mais, semana que vem nos vemos em Springfield. Inté, cambada.