O Segredo do Segredo do Segredo Secreto
Como cinema o documentário The Secret - O Segredo não existe. Pra ser sincero de verdade chamar a coisa de documentário é um elogio bem generoso, mal feito pra chuchu, começa mostrando (mostrando é modo de dizer, pois nada é explicado claramente, o negócio é um segredo mesmo) como o tal segredo foi escondido e preservado durante séculos - as imagens... ok... "históricas"... fazendo vergonha à novela das seis. Depois aparece um monte de sabichões falando, dando suas dicas infalíveis, e a coisa toda se transforma num daqueles comerciais americanos mal dublados. O diretor deve ser o mesmo da propaganda do cogumelo do sol ou do pó de barbatana de tubarão. Gororobas que, como o segredo, prometem mudar sua vida - pra melhor ou pra pior - numa piscadela. O espírito da produção é esse mesmo, uma enorme propaganda. E tem dado certo. O livro O Segredo já é o livro de auto-ajuda mais vendido da história (seis milhões de exemplares só nos EUA) e o DVD já chega a dois milhões de cópias. E é por aí mesmo, o documentário é tão ruim que não pode nem ser chamado de cinema, mas é um comercial infernal.
Em resumo O Segredo fala de uma tal de Lei de Atração. Essa lei reza que somos todos parabólicas gigantes, enormes ímãs, e tudo que pensamos e desejamos acabam chegando até nós, coisas boas e ruins, óbvio. Então, meu amigo, é só você pensar e desejar pra se ter tudo o que se quer (Oh Deus... Tudo mesmo! De uma mansão de milhões de dólares, àquela modelo e atriz que você leva pra passear no seu banheiro todo dia). E o melhor de tudo - oba! - os desejos chegam sem precisar fazer promessa ao frei Galvão ou aquele caríssimo despacho de macumba. É claro que estou simplificando a coisa, não é só com pensamentosinhos vagabundos que você vai mudar sua vida. Ora bolas, há toda uma disciplina, uma manha, um step by step que você só consegue saber... adivinhem... vendo o filme ou lendo o livro. Taí o segredo do sucesso do Segredo. Fazer um mistério, embalar bem um produto que todo mundo quer abrir pra saber o que é. Afinal quem não quer ficar na maciota? Até eu. Ou melhor, principalmente eu.
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Aliás, o dito "Veja o filme e leia o livro" de forma alguma deve se aplicar a O Segredo. Que os incautos leitores fiquem sabendo que os dois são na verdade uma coisa só. Ué, o Rodrigo finalmente surtou de vez? Oba! Comemorarão meus detratores. Não, ainda, não, responderei triunfante. O negócio é que o livro não passa de uma transcrição exata (exata mesmo, palavra por palavra, impressionante) do documentário. Portanto se você já comprou o livro então já sabe exatamente o que está no filme, e vice-versa. Agora, se você quiser torrar o suado dinheiro do teu pai o problema é seu, ou melhor, dele.
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Os cientistas não levam muita fé na coisa (cientista aliás não leva fé em nada, por isso são cientistas e não padres). Dizem que a nossa mente... eh... têm uma forcinha sim... mas não capaz de atrair coisas. Por via das dúvidas e para o esclarecimento dos excelentes leitores dessa coluna resolvi consultar um psicólogo que foi meu professor na faculdade, aliás, um dos melhores terapeutas gestálticos do Brasil (seja lá que diabos isso for). Sujeito ferão, meio biruta como todo psicólogo, mas ferão...
Ele me disse o seguinte; independente se a tal Lei da Atração existe ou não o importante é o efeito que o conhecimento dela pode produzir no infeliz. Se o sujeito acredita na coisa, vai fundo, se torna mais feliz e acha que a vida dele está melhor com isso... então beleza! Sem problema, o segredo funciona mesmo. Agora, se o cidadão fica bitolado na coisa e deixa de aproveitar a vida encafuando a cuca num lamaçal de teorias e teoremas loucos aí não dá, aí é bode, é fria. Enfim, o negócio é deixar predominar o bom senso, afinal prudência e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém.
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Depois de muito lutar contra a idéia, capitulei. Decidi (Oh Pai... que decadência) criar uma comunidade no infame Orkut para esta coluninha. A idéia é ter uma interatividade total com vosmicês, sacam? O povão não vai mais precisar ficar esperando a coluna apresentar enquetes, pesquisas e referendos para participar, vão poder participar toda hora, sugerir qualquer coisa e... o melhor de tudo... vão poder atirar tomates (quase literalmente) na minha cara! O máximo da democracia! Todos vão poder ser críticos também! Muito boa essa minha idéia! (tenho certeza que a coisa toda vai ser um fracasso, mas...). Enfim, não vou colocar um link para a comunidade aqui porque minha incompetência com esses negócios de bits e bytes só não é maior que minha ignorância. No mais, é isso aí, apareçam, alistem-se, adicionem-se. O nome da comunidade é Coluna Diários Cinéfilos . Vejo vocês lá.