Piratas do Caribe 3. Trapaça!!!
Vivemos num país de gente metida a esperta, aqui todo mundo tenta passar a perna em todo mundo, pelo-amor-de-Deus, me corrijam se eu estiver errado. Do feirante e seus pesos de isopor aos políticos picaretas que atocham milhões em cuecas, aqui, vagabundo rouba rindo. Ok, tudo bem, a gente se acostuma com tudo (minha locadora por exemplo cobra R$ 7,50 por locação e eu não reclamo, não mesmo). No fundo, no fundo estamos no mesmo barco, são só irmãos querendo sobreviver, se eu tivesse oportunidade provavelmente faria o mesmo, provavelmente não, com certeza faria o mesmo. Coisas dessa terra abençoada pelo Senhor. Agora ser passado pra trás por um gringo é outra história. É forte, é de morte, é de se ficar deprimido. E foi exatamente isso que se sente vendo Piratas do Caribe 3 - No Fim do Mundo.
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Não posso negar que gostei do primeiro Piratas. Filme bacana, divertido, Johnny Depp em grande forma roubando o filme. Quando fiquei sabendo da inevitável continuação decidi dar um voto de confiança, e o resultado... bem... foi aquilo... nem o diretor levou a coisa a sério. "Vejo o terceiro filme como uma resolução do primeiro, o segundo foi só uma tentativa de manter a coisa andando", disse o próprio Gore Verbinski para quem queria ouvir. E de fato o segundo filme decepcionou muita gente, inclusive este rapaz ingênuo aqui que vos escreve. Mas pro terceiro havia expectativas em jogo, perguntas a serem respondidas, ora bolas. Como salvariam Jack Sparrow do além túmulo? Will Turner conseguiria salvar o pai da maldição de Davy Jones? E Elizabeth Swann, resistiria a moçoila às investidas do capitão Jack? Keith Richards, tocaria guitarra no filme? Tudo isso pedia respostas, questões da maior importância, causa de insônia, e lá vamos nós pro cinema.
É aí que a porca torce o rabo e se percebe o quão vagabunda foi a trilogia baseada num tobogã da Disney. Piratas do Caribe 3 é provavelmente o maior caça-níqueis da história da sétima arte. Um ouro de tolo, um engana-trouxa (eu incluído). Um filme sem uma linha de roteiro, sem um fiapinho de história que seja, onde só se vê os personagens trocando de lado como loucos; ora são heróis, ora vilões, ora os dois. A história é essa, um querendo passar a perna no outro, só. Johnny Depp, que já se apagara no Baú da Morte, nesse terceiro não passa de um coadjuvante de luxo, mais inexpressivo que uma geladeira, é o filme todo repetindo a mesma cena, se balançando no mastros dos navios (me pergunto se Depp já caiu naquele esquema dos astros milionários e cansados, de aceitar fazer qualquer filme). A personagem principal - e até um homem-placa de sex shop pode sacar isso - é Keira Knightley, a magrela está onipresente em todas as cenas. Com essa paisagem não é de se admirar que atuações decentes passem longe. Exceção para Geoffrey Rush, sempre competente, mesmo em filmes vagabundos.
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Depois do sucesso nababesco de Matrix instituiu-se as trilogias-milionárias-dos-efeitos-especiais. Matrix, O Senhor dos Anéis, Piratas do Caribe, Homem-Aranha, X-Men... Enfim, um monte de produções feitas especialmente para dar dinheiro, muito dinheiro. Filmes feitos em série, que nem os hambúrgueres do McDonald's. Criatividade, boas atuações e boas histórias passam longe dessas franquias, salvo, com justiça, O Senhor dos Anéis. Ritmo frenético, explosões, efeitos visuais mirabolantes e um monte de rostinhos bonitos. Uma forma fácil dos estúdios capturarem o adolescente-cabeça-oca (mais cobiçado espécime do cinema atual) e assim encherem os cofres. Piratas do Caribe 3 , já campeoníssimo de bilheteria, não me deixa mentir. Portanto, amigo cinéfilo, você que não se contenta com filmes idiotas e trapaceiros, tenho uma má notícia. Estamos nas mãos dos moleques e de suas mesadas.
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Para finalizar a história. O MTV Movie Awards, conhecido como o Oscar dos Nerds (não inventei o apelido, coisa dos americanos) acaba de conceder a Piratas do Caribe 2 - O Baú da Morte o troféu Pipoca de Ouro de melhor filme e a Johnny Depp o de melhor ator. O prêmio é tão fuleiro e surreal que o ainda inédito Transformers também já ganhou prêmio: o de melhor filme que o público ainda não viu (!). E assim caminha a humanidade...
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É claro que nem tudo está perdido, ainda há gente de bom senso nesse mundinho vil. Semana passada joguei aqui nessa humilde porém nobre coluna a seguinte pergunta: Qual o seu filme perfeito? Tenho recebido sugestões (participem, tem um link aí embaixo para e-mails) e para minha grata surpresa o público do AdoroCinema é de um irritante e sensato bom gosto, povo que gosta de cinema de verdade, uma galera... conservadora! Os Intocáveis, Casablanca, "Z" (clássico do Costa-Gravas), Muito Além do Jardim, Coração Valente foram alguns citados... E eu pensando que ia chover Homens-Aranha, Velozes e Furiosos, As Branquelas e outras tranqueiras absurdas... Fiquei feliz, mesmo, continuem assim meninos!