O Filme Perfeito
Assisto Johnny Depp no Fantástico (com uma roupa pavorosa e um chapéu ridículo. De fato, Depp é um sujeito estranho) falando que não sabe se o terceiro Piratas do Caribe vai ter algum sucesso. Depp está de manha, é claro. Até o homem-estátua que fica o dia todo parado aqui aos 45 graus de Bangu - a resistência humana é mesmo incrível - sabe que a coisa vai ser um sucesso absurdo. Aliás, essa coluna ia justamente falar sobre o referido filme, mas uma fila surrealista (adolescentes, adolescentes e mais adolescentes, guinchando, saltando, rindo, patolando-se como se estivessem na praia) não deixou, preferi voltar pra casa e ver televisão, coisa que raramente faço, mas programa de índio por programa de índio o Altas Horas pelo menos é de graça. É nessas horas é que me bate uma desagradável certeza que estou ficando velho. Cacete... fugindo de um bando de moleques...
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Tom Jobim sempre dizia "Os medíocres copiam, os gênios roubam". Pois vamos ao trabalhinho sujo. Há algumas semanas atrás o jornalista Artur Xexéo escreveu em sua coluna semanal (Xexéo cronica para O Globo às quartas) sobre o filme que ele considerava o mais perfeito, o mais redondo, aquele com tudo no lugar (para ele, O Bebê de Rosemary). Apesar de ser uma óbvia e apelativa encheção de lingüiça achei o tema bacana. Os leitores mandaram um monte de sugestões e o assunto rendeu várias semanas. Pois meto a mão na idéia e pergunto para vocês. Qual filme o seleto público do AdoroCinema considera o mais completo? O perfeito? Aquele que dá raiva de tão bom?
Sem pensar muito, prática que considero prejudicial à boa saúde, voto em Um Sonho de Liberdade. Esse negócio de escolher O filme, A música, O livro, é sempre complicado. Podia por exemplo votar num daqueles mega-filmes do tempo do ronca; Lawrence da Arábia, Casablanca, Ben-Hur... Impecáveis, fantásticos, votos válidos e incontestáveis. Mas acho Um Sonho de Liberdade tão bem sacado, o roteiro tão bem amarrado, as atuações tão perfeitas - Tim Robbins acima da média, Morgan Freeman imbatível, Bob Gunton ótimo como o diretor do presídio, mauzão até os bigodes - e o final tão surpreendente e poderoso que os outros candidatos ficam pequenininhos, se desfazem no ar. E pensar que tudo foi baseado num continho vagabundo do Stephen King! E que.. putz... o diretor, Frank Darabont, era um estreante!
Duas cenas sintetizam bem a essência do filme. A dos presidiários bebendo cerveja no telhado da prisão, se sentindo homens livres, "senhores de toda criação", é sublime. A outra quando o personagem de Robbins desafia o diretor e põe para tocar no sistema de som da prisão uma peça de Mozart é tão bacana que já vi copiada em meia dúzia de filmes, inclusive em A Vida é Bela. Sem palavras.
Um Sonho de Liberdade é literalmente de chorar. Fala de justiça, de esperança, de amizade, e de redenção sem nunca soar brega ou piegas. E ainda é um suspense de primeira, onde nada é o que parece, onde as peças do quebra-cabeça vão se encaixando sem que o público perceba, e que The End meus camaradas! O filme é o triunfo de uma grande história sobre a parafernália de explosões e efeitos especiais do cinema moderno. Do fator humano sobre o virtual. Da inteligência sobre... Bem... deixa eu ficar por aqui que já estou viajando. Mas escrevam, escrevam, votem em seu filme perfeito, o e-mail da coluna está aí embaixo.
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Muitos bons lançamentos pipocando nas locadoras; Diamante de Sangue, Rocky Balboa, O Labirinto do Fauno, Babel, Perfume, Pequena Miss Sunshine, Cassino Royale... uma enxurrada de filmes que merecem um repeteco, ainda mais se você é uma pessoa com boas inclinações sociais como eu e gosta de ajudar os pobres e depauperados donos de mega locadoras, coisa que faço com prazer. Para quem perdeu os capítulos anteriores, esclareço que minha locadora favorita é um modelo para todas as outras - cobra justos R$ 7,50 por locação. Aliás o preço aumentou insignificantes 50 centavos, mas aumentou. Pô, o que vocês queriam, tudo aumenta nesse país bem acima da inflação... Por que não a locação, esse luxo nababesco e desnecessário? No mais é só escolher e se fartar, pois a tendência é depois os grandes lançamentos murcharem e se resumirem àqueles horrendos filmes feitos por encomenda para o mercado latino e asiático, tipo... sei lá... Táxi 4 (e eu nem sabia que tinham feito o 2...). Voz da experiência, afinal dôo meu suado dinheirinho para as locadoras há um bom par de décadas. Oh, o dedo nem estala mais! Se a molecada deixar, semana que vem volto pendurado nas barbas fedorentas do capitão Jack Sparrow, até lá marujos.