Vídeo-Pereba ou Como Perder Sete Reais
Olhando a chapa de raios-X meu médico me perguntou, na lata:
_ Vocês jogam futebol com cabos de enxada?
Pois é, foi por aí. Eu, rapaz atlético, do alto (baixo) de meus 59 quilos bem distribuídos, estava a disputar uma peleja do nobre-desporto-bretão-coletivo-terrestre quando fui vitimado por uma tesoura voadora perdida que quase parte meus cambitos (canelas finas). E tome gelo, emplastro e perna pra cima. Aproveitando esse pequeno idílio forçado e caseiro decidi alugar alguns filmes na locadora, essa que tem o disparate de cobrar (não sou miserável) R$ 7 por locação. As outras são mais baratas, mas infelizmente meu DVD é um indivíduo meio fresco e tem uma implicância irritante com filmes piratas. Só me faz passar vergonha.
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Não sei se nesses tumultuosos tempos anti-Bush um filme sobre um político americano pode interessar a alguém, mas gostei de A Grande Ilusão, história de um Hugo Chavez ianque interpretado por Sean Penn e com um baita elenco de fundo. A fita foi desgraçadamente mal nos States e aqui chegou direto em DVD. Disseram que a atuação de Penn pesou, passou do ponto, soou over. Também achei, e gostei. Sei lá por quê sempre gosto de atuações exageradas. O doidaço Gary Oldman é mestre nisso, basta ver Minha Amada Imortal, O Profissional ou O Quinto Elemento. O sujeito aparece, e possuído por trezentos caboclos logo rouba a cena (Tommy Lee Jones, Dennis Hoper são outros dois insanos). No mais Penn é o melhor do filme, até por que qual desses políticos populistas não é exagerado?
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Fico impressionado com a falta de cultura dessa gente que freqüenta esse antro vil chamado de locadora (já falei que a minha cobra R$ 7 por filme?). Estava eu lá, na minha, canelinha inchada, escolhendo meu filminho. Aí veio uma dona com a caixa do Match Point na mão (filme boníssimo, recomendo). Com simpatia, disse que tinha achado a capa bonita e me perguntou se eu já tinha visto, eu disse que sim. "É filme de romance?" eu balancei a cabeça "Mas filme de romance com tênis é bom?" continuou a mala simpática enquanto lia a sinopse. Eu disse que dirigido por Woody Allen até filme de tênis era bom. Foi aí que... meu deus... que pérola... A madama me fulminou com a mãe de todas as perguntas esdrúxulas: "Mas esse Walt Allen não faz só desenho animado?" Fingi que não ouvi e me arrastei manquejando feito um verdugo pra sessão de filmes pornôs que fica muito bem escondidinha no fundo da loja. Tão escondida que uma vez peguei um cidadão... bem... deixa pra lá.
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Em Anjos da Vida - Mais Bravos que o Mar temos Mar em Fúria encontrando com S.O.S Malibu sem as bóias de Pamela Anderson. Tá certo que o filme - que mostra o dia-a-dia dos mergulhadores da guarda costeira - é meio institucional e americanamente força a barra pra mitificar a profissão, transformar os mergulhadores em semi-deuses. Mas a produção não chega a naufragar. A trilha sonora é coisa fina, os efeitos são de primeira linha e Kevin Costner apesar de cansado (o ex-galã está velho mesmo, cravejado de pés de galinha e uma calva retumbante) continua convencendo como rapaz sério e respeitador. E embora se esperasse mais do diretor Andrew Davis (que nos meus tempos tempos dirigia coisas como O Fugitivo) até que o filme empolga, principalmente na parte final. Moças, assistam o filme com um lenço bem grande. Embora o DVD venha com extras não aconselho a ninguém assistir os making offs. Vão por mim, tira toda a graça do filme.E é um filme cuja locação, não se esqueçam, custa SETE REAIS. Aqui perto de casa compro sete quilos de aipim, ou cinco dúzias de banana prata, com sete reais. Vocês já pararam para pensar nisso?
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Os ufanistas de plantão exageraram, chegaram a comparar O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias com o clássico Cinema Paradiso. Tá certo, o filme é legal, tem um roteiro charmoso, uma boa reconstituição de época e chegou até a disputar o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Li outra crítica que o colocava no mesmo balaio de Império do Sol. Minha gente, a produção é bacaninha e com o tempo pode até virar cult (filme com criança sempre vira cult), mas vamos com calma. Não é só por que a fita é aqui da terrinha que vamos sair carimbando tudo como obras-primas do cinema mundial. Isso é coisa da época do Brasil Grande, dos milicos, época de asnos. O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias rende uma Sessão da Tarde tipo deluxe-standart, só.
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Ridley Scott sempre foi um dos meus diretores favoritos. E embora tenha tido uns escorregões brabos como o terrível (no mau sentido) Hannibal e o insosso Cruzada ainda dá pra levar fé no diretor. Um Bom Ano foge totalmente do aproach do diretor de Blade Runner, não transpira nenhuma pretensão em ser um daqueles filmes-espetáculos, comuns na filmografia do diretor. E aí que está a beleza da coisa. Um Bom Ano É uma fita deliciosamente à vontade. Até o antipático Russel Crowe parece que se deixou contaminar pelo sentimento de isenção da história do um executivo marrento que troca o centro financeiro de Londres pela roça (roça chique, roça francesa) e consegue passar uma imagem de simpatia. Um Bom Ano é para se ver bem acompanhado e de preferência com uma garrafa de vinho ao lado, sabe como é... puxa um clima.... Só o que pega é o preço da locação, sete pratas! Definitivamente, essa canela bichada tá me dando uma despesa danada.