Diários Cinéfilos
Photoshops, filmecos e viagens
Rau! Olá povo-do-lado-de-lá! Salve amantes do cinema, cinéfilos de carteirinha e simpatizantes. Sejam muito bem-vindos aos Diários Cinéfilos. Aqui nessas humildes e magras linhas semanais vamos mergulhar na piscina e bater com a cabeça no fundo da sétima arte, com vontade. Vamos falar bem, descer o cacete, falar sobre coisas novas, coisas mofadas, atores, diretores, filmes bons, filmes ruins, curiosidades, enfim... tudo que pintar e, é claro, o que for sugerido por vocês, o quinto elemento aí do outro lado. Toda semana vai ter causo novo. Espero que gostem. Abraços e inté semana que vêm.
Geralmente não sou sujeito dos mais emotivos, mas fiquei meio borocoxô com as mortes recentes de Jack Palance, Philippe Noiret e do nosso eterno canalha Jece Valadão. Palance, canastrão por excelência, ficou conhecido aqui no Brasil como apresentador do Acredite Se Quiser , programinha bacana que mostrava coisas bizarras ao redor do mundo. Mas apesar de marcar ponto na tv e no teatro o ator foi essencialmente um homem de cinema, onde interpretou todos os papéis inimagináveis em mais de uma centena de filmes. Palance atacou de Dráculas a caubóis, passando por centuriões romanos e ditadores futuristas, sempre canastra, sempre marcante, com suas caretas e sua fala empastada. Noiret foi outra parada, ator fino, europeizado. Cometeu pelo menos duas obras-primas definitivas; Cinema Paradiso e O Carteiro e o Poeta , onde deu vida ao poeta chileno Pablo Neruda. Filmes conduzidos por palavras, doces, leves e gentis. Como, aliás, o próprio Noiret.
Sem tanta classe - na verdade sem classe nenhuma - partiu também Jece Valadão, nosso cafajeste de plantão. O diretor que precisasse de um bruto especialista em chifrar e ainda dar umas bordoadas numa mulher era só convocar o bom e velho Valadão, que além de ator era produtor e diretor. Foi outro que esteve em zilhões de filmes, se confundindo com a história do cinema nacional, entre eles Os Cafajestes, Rio 40 Graus e Bonitinha Mas Ordinária , clássicos totais. Nos últimos anos tentou desmistificar a imagem de canalha entrando numa igreja evangélica, coisa que não adiantou muito. Em seus últimos papéis ele ainda viveria indivíduos salafrários. Não adianta, parceiro, estes estereótipos quando pegam grudam mais que praga de madrinha. Valadão, Noiret, Palance. Boa viagem, rapazes.
No mais, apareceu um viajante de última hora (cacete, a bruxa tá solta). Pede pro motorneiro esperar que mr. Robert Altman também vai no bonde.
Ainda nos falecidos. Todo mundo que já viu a transmissão do Oscar algum dia sabe que sempre fazem uma homenagem aos artistas, diretores e técnicos que foram para o beleleú. Será que vão se lembrar do Jece Valadão?
Corram! O Som do Trovão é o pior filme lançado em 2006. Não foi à toa que essa bomba saiu direto em DVD por aqui. É ruim de doer. Baseado em um conto excelente do igualmente excelente escritor Ray Bradbury (o cara que escreveu o clássico futurista Fahrenheit 451, que virou um filmão nas mãos de François Truffaut) e com Sir Ben Kingsley no elenco, a fita é um ouro de tolo, feito pra pegar otários, eu por exemplo. Além de fugir totalmente da trama original do livro a produção é uma das mais furrecas dos últimos tempos. Não vou nem falar do que trata o roteiro porque alguém pode se interessar e pegar o filme. Para depois espetarem agulhas em bonecos vodu com meu nome. Basta saber que nada, nada no filme presta. Argumento sem pé nem cabeça, efeitos dignos dos filmes da Xuxa, atuações desastrosas... Kingsley, grande ator, ainda tenta passar alguma dignidade à produção mas... putz!...o cara devia estar mal com os agiotas para fazer essa troço ruim. O Som do Trovão , fuja!!!
Dia desses voltei a ver Alexandre , mega-super-hiper-épico de Oliver Stone que foi estripado com vontade pela crítica e jogado na suja sarjeta dos fiascos. Quando fui ver no cinema dormi, achei de fato um bom soporífero, não vi nada, tombei que nem uma pedra. Como na tela grande só vi os créditos finais resolvi dar uma segunda chance ao filme e aluguei o DVD duplo. O filme é ruim mesmo (lá pelo centésimo qüinquagésimo nono minuto quase apaguei de novo), o roteiro não tem ritmo, equivocadérrimo. Mas, justiça seja feita, no campo técnico a produção é irretocável, a reconstituição de época é muito bem cuidada, a fotografia do mexicano Rodrigo Prieto é magnífica, como sempre (guardem o nome desse rapaz), e a música, by Vangelis - no cinema ninguém presta atenção nisso - primorosa. O que estraga além da narrativa morosa é mesmo Colin Farrell, sem implicância, uma péssima escolha para o papel principal. Aliás, o melhor do DVD são os extras. Só ver o irlandês, que na época era só um atorzinho, nada badalado, com uma peruca loira já vale o aluguel do disco. É hilário, é ridículo, Farrell parece o Ovelha, um cantor brega de antigamente que de vez em quando aparecia no programa do Ratinho. Outra coisa, como conseguem esconder as tatuagens do cara? Sim, pois o astro de Miami Vice é mais riscado que um mapa-múndi. Será que eles usam photoshop?